Pneumonia bacteriana: o que é e o que pode causar a doença

Uso prolongado de ventilação mecânica aumenta risco de causar a inflamação grave dos pulmões

Paulo Gustavo
Paulo Gustavo Foto: Reprodução / CNN

Camila Neumam, da CNN, em São Paulo

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O uso prolongado da ventilação mecânica pode causar uma série de complicações à saúde dos internados pela Covid-19. Entre elas, o maior risco de contrair a pneumonia bacteriana, como ocorreu com o ator e diretor Paulo Gustavo.

A pneumonia bacteriana é uma inflamação nos pulmões, causada pela multiplicação desordenada de bactérias. Ela acomete geralmente pessoas que estão com imunidade baixa ou em condições maiores de se contaminar, como em um ambiente hospitalar.

Em pacientes intubados, duas das principais causas que levam à pneumonia bacteriana são o uso do tubo que atravessa a garganta e chega aos pulmões e a ausência de reflexos básicos como engolir saliva, tossir ou regurgitar, devido à sedação. 

“Um paciente que está com um tubo na garganta acumula secreção que pode vazar para os pulmões, já que ele não tosse, não tem o reflexo da deglutição da saliva, está sempre deitado, e ainda com um corpo estranho na via área”, explica Aldo Agra, pneumologista do Hospital São Luiz Jabaquara.

Como geralmente estes pacientes já estão com os pulmões comprometidos pelo coronavírus, e a imunidade está mais debilitada pela doença, o organismo fica mais suscetível à multiplicação destas bactérias nos pulmões, causando a inflamação que pode se tornar grave.

Soma-se a isso a necessidade de procedimentos invasivos em ambientes repletos de bactérias, como as Unidades de Terapia Intensiva (UTI), que aumentam a chance de o paciente se contaminar pelo sangue ou pelas vias áreas, ressalta o pneumologista.

A pneumonia pode ser bacteriana, viral ou causada por fungos que infectam os pulmões. Apesar de o risco ser muito maior no ambiente hospitalar, é possível sofrer com uma pneumonia bacteriana fora dele, o que é conhecida como pneumonia bacteriana de comunidade.

Segundo a Sociedade Brasileira de Pneumologia e Tisiologia (SBPT), 60% dos casos de pneumonia bacteriana ocorridos no Brasil em 2020 foram por contaminação pela bactéria Streptococcus pneumoniae (pneumococo). 

Saiba mais sobre a doença:

1. Quais são os sintomas?

Os sintomas principais da pneumonia bacteriana são febre, tosse, expectoração de cor amarelada, dor torácica e, em alguns casos, queda da pressão arterial. O diagnóstico deve ser feito por exame clínico e confirmado com uma radiografia ou tomografia de tórax, para mostrar a extensão das lesões causadas pela pneumonia.

2. Como tratar? 

O tratamento da pneumonia bacteriana é realizado com antibióticos e medicação para os sintomas. Se não tratados, os quadros de pneumonia podem ter complicações, como insuficiência respiratória, septicemia, e sequelas pulmonares.

3. Há risco de morte?

A pneumonia é a infecção que mais mata no mundo, segundo a SBPT. Em 2019, cerca de 672 mil crianças com menos de cinco anos morreram em decorrência da doença.

Os idosos com mais de 70 anos e pessoas com comorbidades, como doenças crônicas (respiratórias ou não), cardiopatias, diabetes e doenças que causam imunossupressão também correm mais riscos.

Se não tratada de forma eficiente, a pneumonia bacteriana pode evoluir para um quadro de infecção generalizada, que pode causar a morte do paciente. 

4. Como prevenir?

É necessário manter o sistema imunológico saudável, com boa alimentação, exercícios físicos regulares e bons hábitos de higiene, como lavar sempre as mãos antes de ter contato com as vias áreas ou os olhos.

Por ser uma bactéria causadora de doenças como pneumonia e meningite, a prevenção contra ela ocorre também pela vacinação. A vacina antipneumocócica 13 valente e, seis meses depois, a antipneumocócica 23 valente, repetidas a cada cinco anos, são eficazes contra a Streptococcus pneumoniae, orienta a SBPT.

 

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