Prevent Senior teria testado cloroquina para tratar a Covid-19, aponta dossiê

A defesa da empresa negou qualquer aliança com o governo e afirmou que vai requerer a instauração de um procedimento criminal

Tainá Falcãoda CNN

Em São Paulo

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Um dossiê entregue à CPI da Pandemia acusa a Prevent Senior de fazer testes com cloroquina no tratamento da Covid-19. A operadora de saúde teria ocultado informações de pacientes.

Médicos que trabalham ou trabalharam na empresa reuniram uma série de irregularidades e encaminharam ao senador Humberto Costa (PT-PE), integrante da CPI.

Entre as denúncias está a prescrição indiscriminada de cloroquina, azitromicina e ivermectina, o chamado “kit covid”, para pacientes associados, até mesmo para quem não tinha sintomas da doença. Há também a elaboração de um estudo que supostamente demonstra a eficácia dos medicamentos.

A estratégia, de acordo com a denúncia, seria para o governo federal influenciar a população ao consumo dos medicamentos — cloroquina, azitromicina e ivermectina — para a cura ou prevenção da doença. Os assessores deveriam se mostrar favoráveis aos novos tratamentos. Em mensagem anexada ao dossiê, foi requerido aos médicos que não informassem aos pacientes e aos familiares sobre o programa.

De acordo com o relato dos médicos, a empresa Vitamedic lucrava com a venda de medicamentos, e a Prevent Senior com novas adesões ao plano de saúde.

Segundo o documento que está sendo investigado pela CPI da Pandemia, havia um acordo entre a operadora e assessores do governo federal para parar os ataques do então ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta (DEM), à empresa por causa de mortes em um hospital da operadora.

A pesquisa, que chegou a receber o apoio do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) numa rede social, foi usada pelos defensores da cloroquina para justificar a prescrição do medicamento. Os médicos relatam que, em doze dias de pesquisa, aproximadamente 700 pacientes passaram pelo estudo.

À medida que a situação se agravava em consequência do ciclo da doença, mais pacientes morriam. Enquanto, segundo o relato, eram divulgadas informações falsas sobre o sucesso do tratamento. Apesar disso, os médicos continuavam sendo aconselhados a indicar o uso do kit.

Evidências científicas comprovam que a cloroquina não é eficaz para a prevenção e o tratamento da Covid-19.

Depoimento

O diretor da Prevent Senior, Pedro Batista Júnior, deveria ser ouvido na CPI da Pandemia nesta quarta-feira (15), mas a defesa dele alegou que não houve tempo hábil, já que ele foi notificado com menos de 48 horas de antecedência, prazo mínimo segundo o Código de Processo Civil.

O depoimento foi remarcado para o dia 22 de setembro. A comissão investiga se a empresa ocultou mortes em estudo com a hidroxicloroquina.

O advogado da Prevent Sênior falou com a CNN sobre a denúncia: “O que nos causou estranheza é que essa advogada nos procurou e queria conversar sobre essas denúncias. Ela nunca foi clara no objetivo dela. Nós não entendemos por que essa advogada nos procurou antes de levar as acusações à CPI”, disse o advogado Aristides Zacarelli Neto.

A empresa negou qualquer aliança com o governo. “Nenhuma, nenhuma recomendação. Governo paralelo que estão acusando, não tem absolutamente nada disso”.

A defesa afirmou que a Prevent Senior vai requerer a instauração de um procedimento criminal. “Para apurar o crime de denúncia caluniosa, porque essas não têm o menor fundamento, não têm o menor subsídio técnico”.

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