Por conta da gripe, próximos dias serão de alerta em SP, diz coordenador da Covisa

Prefeitura da capital notou aumento significativo de pessoas com síndrome gripal nas unidades de saúde nas últimas semanas

João de Marida CNN

Em São Paulo

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O coordenador da Coordenadoria de Vigilância em Saúde de São Paulo (Covisa), Luiz Artur Vieira Caldeira, afirmou à CNN nesta quarta-feira (15) que os próximos dias na cidade de São Paulo serão de alerta devido a um aumento de casos de gripe na capital.

“A certeza hoje é o aumento dos casos de vírus respiratórios não relacionados com a Covid-19. Isso preocupa, acende a luz de alerta, as pessoas têm que redobrar os cuidados pessoais: uso de máscara, higiene das mãos, evitar aglomeração”, disse.

Segundo ele, não era esperado para essa época do ano tantos casos de quadros de sintomas respiratórios e, por conta disso, a capital paulista está enfrentando uma “situação atípica”.

“Desde o mês de agosto, conforme caíram os casos de Covid-19 na capital, foram de maneira mais lenta subindo casos de infecções por vírus respiratórios de outros vírus. Em dezembro praticamente dobrou a busca de pessoas com sintomas respiratórios nas unidades de saúde, urgência e emergências. Fazemos os testes contra a Covid-19 nos pacientes, mas a maioria testa negativo — isso muito devido à vacinação na capital”, contou.

 

“No entanto, numa época que não é esperado, começou a surgir outros vírus, entre eles a ‘influenza’. A maioria das pessoas tem sintomas leves, resfriados comuns como uma gripe que estamos acostumados, mas estamos trabalhando para entender a virologia do que estamos enfrentando hoje.”

Os governos de São Paulo Minas Gerais e Espírito Santo entraram em alerta depois do anúncio de que o estado do Rio de Janeiro e cidades da região metropolitana da capital fluminense enfrentam uma epidemia do vírus Influenza.

As secretarias estaduais de saúde informaram à CNN que monitoram a situação no Rio ou cobram postura do Ministério da Saúde.

Dados podem estar represados

Caldeira, no entanto, ressaltou que ainda não é possível afirmar que o aumento de casos de gripe na cidade de São Paulo têm ligação com a epidemia do vírus no Rio de Janeiro.

“Ainda não temos subsídios para dizer a mesma coisa aqui [uma epidemia como no Rio]. Mas a proximidade com Rio de Janeiro nos coloca em alerta para o que pode acontecer nos próximos dias”, disse.

Segundo ele, ainda não há subsídios formais para cravar a informação. Ele disse que “a falha no sistema federal não permite que as unidades façam as notificações em tempo”.

“Influenza não é o principal, pois ainda não temos as informações, subsídios formais, notificações e exames que subiram no sistema. Isso acontece por conta de alguns aspectos, entre eles a falha no sistema federal que a cerca de uma semana não permite que as unidades façam suas notificações em tempo. Tivemos esse problema no banco que pode ter represado as informações, e pode se consolidar nos próximos dias”, concluiu.

Aumento de casos de gripe em SP

Na terça-feira (14), o secretário municipal de saúde do estado de São Paulo, Edson Aparecido, disse à CNN que o estado está sob surto do vírus Influenza.

A prefeitura da capital notou aumento significativo de pessoas com síndrome gripal nas unidades de saúde nas últimas semanas. Em todo mês de novembro de 2021 foram 111 mil atendimentos de pessoas com sintomas gripais, sendo 56 mil suspeitos de Covid-19.

Em menos de 15 dias em dezembro, já são 91 mil atendimentos com quadro respiratório, sendo 45 mil suspeitos de Covid-19.

O governo do estado de São Paulo aponta ainda a instabilidade dos sistemas federais como um obstáculo para monitorar a situação. “Além disso, o Estado de São Paulo faz fronteira com o Rio de Janeiro, onde os casos de Influenza estão em ascensão”, afirma.

Eles dizem que “mantém 21 unidades sentinelas para identificação da circulação de vírus respiratórios” e que “os dados preliminares de SRAG por Influenza disponíveis no SIVEP Gripe referentes a 2021, até 10 de dezembro, indicam 665 casos e 50 óbitos. No ano passado, houve 713 casos e 54 mortes. Em 2019, foram 1.693 casos e 288 óbitos”.

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