Pós-pandemia deverá levar em conta desigualdade, diz especialista em urbanismo

À CNN, Raquel Rolnik afirmou que medidas de restrição não consideraram as diferenças entre condições sociais nas cidades

Retomada plena das atividades nos centros urbanos deverá considerar as diferentes configurações sociais das cidades, diz especialista
Retomada plena das atividades nos centros urbanos deverá considerar as diferentes configurações sociais das cidades, diz especialista Tomaz Silva/Agência Brasil

Amanda Garciada CNN

em São Paulo

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A coordenadora do LabCidade da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo, Raquel Rolnik, afirma que a retomada plena nos centros urbanos no pós-pandemia dependerá de uma discussão que englobe as diferentes condições vividas nas cidades.

O seminário “As Cidades no Pós-Pandemia”, em parceria com a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP), vai discutir o tema nesta segunda-feira (25) e contará com a presença de Raquel.

Em entrevista à CNN, a pesquisadora avalia que as medidas de restrição adotadas “não levaram em consideração que a forma com que a pandemia foi vivida foi muito diferente dependendo do bairro, condições econômicas e sociais”.

O LabCidades observou, segundo ela, que há lugares na cidade de São Paulo que concentraram muito mais casos de hospitalização e mortes.

“O que ficou absolutamente claro é que uma medida como fique em casa e faça home office dialoga com parte pequena da população, que tem condições pela natureza do trabalho e de internet, e isso não corresponde nem a 30% dos habitantes da cidade, a maior parte teve que se deslocar e não foram tomadas medidas de proteção para essas pessoas”, exemplificou.

Rolnik afirma que “a grande questão é como vamos detectar as mudanças para as maiorias, do ponto de vista das políticas públicas”.

Entre os temas importantes, de acordo com ela, está o setor dos transportes e moradia. “Além de as medidas em relação ao transporte público terem sido insuficientes e condições de moradia distintas terem tido impacto, o que pareceu fazendo correlação é que a questão fundamental era circulação e deslocamento, deviam ter sido adotadas medidas nesse sentido, com oferta de transporte, e não-aglomeração”.

Com produção de Bel Campos.

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