Presidente deveria trabalhar para aumentar adesão à vacinação, diz especialista

Bolsonaro defende que quem quiser tomar vacina contra a Covid-19 terá que assinar um termo de responsabilidade

da CNN, em São Paulo

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A infectologista, epidemiologista e vice-presidente do Sabin Vaccine Institute, Denise Garret, afirmou nesta terça-feira (15), em entrevista à CNN, que o presidente Jair Bolsonaro (sem partido), como autoridade do país, deveria estar trabalhando para aumentar a adesão à vacinação contra a Covid-19. Ao invés disso, porém, na avaliação da especialista, Bolsonaro tem deixado a população brasileira insegura.

O presidente disse na segunda-feira (14), em uma conversa com apoiadores no Palácio da Alvorada, que quem quiser tomar vacina contra o novo coronavírus terá que assinar um termo de responsabilidade

“Tudo o que a gente menos precisa é confusão, e agora com essa situação de assinar um termo de consentimento, que não existe. Termos de consentimento é para projeto de pesquisa. Essa vacina, quando aprovada, não terá necessidade de termo de consentimento”, argumentou a especialista.

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Vacina contra Covid-19 da Pfizer/BioNTech
Vacina contra Covid-19 da Pfizer/BioNTech
Foto: Owen Humphreys/Pool via Reuters (8.dez.2020)

Segundo ela, a comunicação do governo federal gera desconfiança e insegurança na população. “O presidente tinha que estar gerando confiança na população, de que a vacina é segura. Qualquer vacina que passar pela fase 3 [dos testes clínicos], demonstrar segurança e for aprovada por um órgão regulador vai ser uma vacina segura”, afirmou ela. 

Garret também lembrou que a vacina só vai interromper a transmissão do vírus se uma grande parte da população se imunizar. 

“Com relação a não obrigatoriedade da vacina, acho realmente que o foco não deve ser esse. O foco tem que ser na responsabilidade das pessoas em entenderem a importância da vacina. O que vai interromper essa pandemia não é a vacina, é a vacinação”, disse.

O deputado Geninho Zuliani (DEM-SP), relator da Medida Provisória sobre acesso do Brasil a vacinas, deve acrescentar ao texto a exigência de assinatura de um termo de responsabilidade de quem for vacinado.

O parlamentar anunciou a alteração no relatório após reunião com Bolsonaro. Para o deputado, a União não pode ser responsabilizada por eventuais efeitos colaterais de imunizantes.

(Publicado por Daniel Fernandes)

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