Rio de Janeiro reduz para 5 dias isolamento de pessoas com Covid-19 assintomáticas

Especialistas ouvidos pela CNN, no entanto, veem a medida com cautela e a consideram prematura

Secretaria Municipal de Saúde do Rio diz que assintomáticos devem fazer isolamento de no mínimo cinco dias e fazer uso “contínuo e rigoroso” de máscara
Secretaria Municipal de Saúde do Rio diz que assintomáticos devem fazer isolamento de no mínimo cinco dias e fazer uso “contínuo e rigoroso” de máscara Leopoldo Silva

Helena Vieirada CNN

Rio de Janeiro

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Em resolução divulgada nesta quarta-feira (5), a Secretaria Municipal de Saúde do Rio de Janeiro reduz para cinco dias o período de isolamento para pessoas que testarem positivo para a Covid-19 e estiverem assintomáticas. No entanto, o documento deixa claro que essas pessoas precisam fazer uso “contínuo e rigoroso” de máscara e deve-se avaliar “o perfil de contato com outras pessoas fora do isolamento”.

Já as pessoas que testarem positivo para o coronavírus e estiverem com sintomas devem se manter em isolamento por, no mínimo, sete dias. Se, após este período, o paciente ainda estiver com sintomas, precisará permanecer sem contato com outras pessoas e ser testado com resultado negativo para então voltar à vida normal. Quem tiver contato com casos positivos da doença também precisa ser testado, permanecer com uso correto da máscara e ficar atento ao surgimento de sintomas.

Ainda segundo o documento, todos os profissionais de saúde poderão preencher a solicitação de testagem mesmo sem realização de consulta médica para desburocratizar o processo. Além disso, fica proibida “a circulação de funcionários, colaboradores e acompanhantes sem dose de reforço nas unidades de saúde.”

O que dizem os especialistas

Para a infectologista da Unicamp e consultora da Sociedade Brasileira de Infectologia (SBI), Raquel Stucchi, neste momento essa resolução não é recomendável, pois não existe nenhuma evidência científica de que, com cinco dias de isolamento, as pessoas não estejam mais transmitindo o vírus da Covid-19.

Já Renato Kfouri, pediatra e diretor da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm), acredita que a resolução não é ruim e segue a orientação que o Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC) dos Estados Unidos publicou no dia 5 de dezembro. No entanto, acrescenta que, se não houver testagem e acesso amplo a diagnóstico, a medida não funcionará e pode haver aumento do número de casos de coronavírus.

Para o infectologista da Sociedade Brasileira de Infectologia (SBI), Marcelo Daher, a medida é muito simplista e não é comprovada cientificamente, podendo resultar em um aumento ainda maior do número de casos da doença. “Não tem dados suficientes para encurtar o isolamento. Vai continuar com a transmissão alta. A diminuição do tempo para pessoas vacinadas até pode acontecer porque a carga viral diminui mais rápido, mas, qualquer pessoa poder sair e ter apenas que usar máscara é temerário. As máscaras no Brasil nem sempre são de boa qualidade”.

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