Rio de Janeiro tem alta de casos de Covid-19 em apenas quatro dias de 2022

Média diária de contaminações já é 6 vezes maior do que o registrado em todo o mês de dezembro do ano passado

Ômicron avança e eleva número de contaminações no Rio de Janeiro
Ômicron avança e eleva número de contaminações no Rio de Janeiro Reginaldo Pimenta/Estadão Conteúdo (14.nov.2021)

Iuri Corsinida CNN

Rio de Janeiro

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O avanço da variante Ômicron no Brasil já tem causado impactos perceptíveis nos números da pandemia de Covid-19. No estado do Rio de Janeiro, enquanto ao longo de todo o mês de dezembro de 2021 foram contabilizados 8.008 casos da doença, apenas nos quatro primeiros dias deste ano já são 6.551 contaminações confirmadas. Os dados constam do painel da Secretaria de Estado da Saúde. Na média, são 1.637 infecções por dia em janeiro de 2022, frente a 258 casos diários em dezembro do ano passado.

Essa alta nos casos já havia sido prevista pela pesquisadora da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) Margareth Dalcolmo. Ela alertou, no dia 31 de dezembro, que era esperado um “boom” de casos após o Réveillon. “Temos expectativa de ter muitos casos uma semana depois [do Réveillon]. A Ômicron se mostrou, até agora, menos letal, mas com uma transmissão mais rápida”, enfatizou Dalcolmo na ocasião.

A previsão do aumento de casos também é corroborada pelo infectologista e professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) Celso Ramos, que alertou para a necessidade da dose de reforço como medida preventiva para evitar o avanço da Ômicron.

“Até agora boa parte da população já recebeu duas doses, mas essas vacinas têm um prazo de validade. Tem gente que foi vacinada no começo do ano e, que se não tomar a terceira dose, provavelmente já estará com imunidade comprometida. Não no sentido de defeito imunológico, mas esse tipo de proteção é transitória. Diante desse fato, e do iminente predomínio absoluto que a Ômicron terá, não tenho dúvida que teremos um acréscimo de casos nos próximos dias”, explicou ele.

Entretanto, ao menos até este momento, o avanço de casos não tem ocasionado um aumento considerável no número de internados em leitos de Unidade de Terapia Intensiva (UTI). Apesar de, na terça-feira (4), na rede estadual de Saúde, ter havido uma taxa de ocupação nas unidades de tratamento intensivas destinadas à Covid-19 de 20%, que representou o maior número desde o dia 21 de novembro do ano passado, o percentual voltou ao patamar normal dos 10% nesta quarta-feira (5).

Porém, de acordo com os dados da secretaria estadual, após três dias seguidos sem ter contabilizado nenhuma morte por Covid-19, na terça-feira (4), último registro disponível no painel, foram registrados 41 óbitos em decorrência do vírus. No Brasil, foram 234 novas mortes registradas neste período.

O exponencial avanço de casos de Covid-19 tem sido registrado em diversos países. De acordo com o levantamento da organização Our World In Data, o mundo bateu um novo recorde de casos registrados em 24 horas nesta quarta-feira (5), chegando aos 2,59 milhões. O recorde anterior havia sido registrado no dia anterior, 4 de janeiro, com 2,4 milhões.

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