Capital do Rio não vai antecipar aplicação de 2ª dose de vacina da AstraZeneca

Redução do intervalo afetaria o grau de eficácia do imunizante, afirma secretário de Saúde

Doses da vacina contra Covid-19 da Astrazeneca em Santa Maria (RS)
Doses da vacina contra Covid-19 da Astrazeneca em Santa Maria (RS) Foto: Gabriel Haesbart/Ishoot/Estadão Conteúdo (1º.jun.2021)

Marcela Monteiro e Stéfano Salles, da CNN, no Rio de Janeiro

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A cidade do Rio de Janeiro não vai antecipar a aplicação da segunda dose da vacina de Oxford/AstraZeneca. A informação foi confirmada pelo secretário municipal de Saúde, Daniel Soranz, à CNN, nesta terça-feira (13). Segundo ele, a alteração na data implicaria em uma diminuição da eficiência do imunizante.

O governador do estado, Cláudio Castro, decidiu reduzir o intervalo da aplicação de 12 para oito semanas. A medida, contudo, não será adotada na capital.

“O Rio decidiu não antecipar para as pessoas com mais de 60 anos e para as pessoas que têm comorbidades. A redução do intervalo da vacina vem acompanhada de uma redução da eficácia. A vacina AstraZeneca, a gente sabe que com 12 semanas tem 80% de eficácia pela bula. Quando reduz para oito semanas, essa eficácia cai para 59%, perde 20% da eficácia da vacina. O Rio prefere manter essa vacinação para ganhar em eficácia”, afirmou.

A decisão de antecipar a aplicação da segunda dose tem sido avaliada e tomada por estados e municípios após a revista científica “Nature” ter revelado, em artigo de pesquisadores do Centro Nacional de Pesquisa Científica da França e do Instituto Pasteur, que as vacinas da Pfizer e da AstraZeneca são eficazes contra a nova variante Delta do coronavírus.

No entanto, para isto, segundo o estudo, seria necessária a aplicação das duas doses. Os dois imunizantes estão incluídos no Programa Nacional de Imunizações (PNI), do Ministério da Saúde.

A bula da vacina da AstraZeneca recomenda um intervalo entre quatro e 12 semanas para a aplicação do imunizante. No entanto, no Brasil, o prazo limite foi adotado como padrão, em um momento de escassez de vacinas. Para os demais grupos, a alternativa de um intervalo menor entre as duas aplicações ainda é estudada.

“Para a população com menos de 60 anos, ainda vamos avaliar com o nosso comitê estratégico a possibilidade de antecipar ou não, mas não é para agora, depois de toda a vacinação de pessoas com a primeira dose”, conclui o secretário.

Na sexta-feira passada (9), o Conselho de Secretarias Municipais de Saúde do Rio de Janeiro (Cosems-RJ) recomendou a antecipação da segunda dose em pelo menos quatro semanas, medida aprovada pela Secretaria Estadual de Saúde (SES). 

O motivo principal é o avanço de novas variantes no estado, principalmente a Delta, originária da Índia, uma das quatro linhagens consideradas de preocupação pela Organização Mundial de Saúde (OMS) e associada à maior transmissibilidade.

O Rio de Janeiro tem até o momento três casos confirmados da variante Delta. Um em Campos dos Goytacazes, no Norte Fluminense, um em São João de Meriti, na Baixada, e outro em Seropédica, Região Metropolitana. Todos estão curados da Covid-19. 

Embora a variante não esteja amplamente disseminada pelo estado, especialistas apontam a transmissão comunitária da linhagem. Isto porque os pacientes de São João de Meriti e Seropédica não têm histórico recente de viagens e nem mesmo contatos com viajantes. Os casos seguem em investigação pelo estado e pelos municípios.

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