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    Saiba como países da Europa tentam conter a nova onda de Covid-19

    Bélgica, Espanha e Irlanda anunciaram medidas; Alemanha deve decidir sobre volta de restrições nesta quinta-feira (18)

    Alemanha é um dos países que apresenta um aumento de casos de Covid-19 significativo nas últimas semanas
    Alemanha é um dos países que apresenta um aumento de casos de Covid-19 significativo nas últimas semanas Reprodução/Reuters

    Léo Lopesda CNN* em São Paulo

    Uma nova onda de Covid-19 obrigou a Europa a repensar sua estratégia de combate ao coronavírus. O continente é apontado como o atual epicentro da pandemia pela Organização Mundial da Saúde (OMS).

    Especialistas indicam que a chegada do inverno e a recusa à vacinação por parte da população são os principais motivos para o crescimento de casos. Enquanto diversos países europeus já retomaram a adoção de restrições, outros apostam no impulso da campanha de vacinação para conter a disseminação do vírus.

    Veja abaixo como alguns governos europeus se movimentam para impedir esse novo avanço da pandemia. Novas medidas foram anunciadas nesta quarta-feira (17).

    Alemanha

    A Alemanha registrou um recorde de casos diários nesta quarta-feira (17): 52.826 novas infecções pela Covid-19. Autoridades federais e regionais se reúnem, nesta quinta-feira (18), para decidir quais restrições serão adotadas para conter a Covid-19 no país.

    A agência Reuters obteve um rascunho do acordo a ser discutido pelos alemães. O documento indica que as autoridades devem obrigar a população a apresentar um comprovante de vacinação ou recuperação recente da doença ou um teste negativo para Covid-19 para entrada no transporte público e no trabalho.

    Também devem ser impostas restrições mais rígidas para as atividades de lazer. Além disso, o auxílio financeiro a empresas e pessoas físicas afetadas pela crise poderá ser prorrogado por três meses, até o final de março de 2022.

    A chanceler interina Angela Merkel disse, nesta quarta, que a situação da Covid-19 na Alemanha é dramática, e cobrou um esforço nacional pelo avanço da vacinação e distribuição de doses de reforço.

    Bélgica

    A Bélgica anunciou, nesta quarta-feira (17), o retorno de restrições de Covid-19, ampliando a obrigatoriedade do uso de máscaras e o regime de trabalho em casa.

    A partir de sábado (20), o item de proteção facial será obrigatório para todas as pessoas em locais fechados, como cafés e restaurantes, a menos que estejam sentadas. A regra se aplica para maiores de dez anos. Até então, isso valia apenas para maiores de 12 anos.

    Quem quiser comer em um restaurante ou ir a um teatro belga deverá apresentar um passaporte da Covid-19 – documento que comprova a vacinação, teste negativo ou recuperação recente da doença.

    Além disso, até meados de dezembro, a maioria dos belgas deverá trabalhar em casa quatro dias por semana. No final do ano, a obrigatoriedade será reduzida para três dias por semana.

    A Bélgica tem uma das taxas de casos per capita mais altas da União Europeia, com cerca de uma infecção para cada 100 pessoas nos últimos 14 dias.

    Espanha

    O primeiro-ministro espanhol Pedro Sanchez anunciou, nesta quarta-feira (17), que o país passará a oferecer uma terceira dose de vacina contra a Covid-19 a maiores de 60 anos e funcionários da saúde.

    A Espanha tenta avançar a taxa de vacinação, que já inclui 79% da população, para conter uma nova alta nos casos de coronavírus que cresce desde outubro.

    Nas últimas 24 horas, o país registrou 6.667 novos casos de Covid-19 e 30 mortes.

    França

    Nesta quarta-feira (17), a França registrou 20.294 casos de Covid-19. O país não ultrapassava a marca de mais de 20 mil infecções diárias desde agosto. Porém, o país descarta adotar novas medidas restritivas por enquanto.

    O número de pacientes com coronavírus em hospitais franceses aumentou em mais de 10% em relação à semana passada. São 7.663 internados em leitos de enfermaria e o número de pacientes na UTI aumentou para 1.300.

    O porta-voz do governo francês Gabriel Attal disse, nesta quarta (17), que o governo espera que um avanço na taxa de população vacinada irá conter o número de pessoas que acabam hospitalizadas por causa da doença.

    O principal assessor científico do governo de Emmanuel Macron, Jean-François Delfraissy, disse que as autoridades podem voltar a pedir às empresas para que adotem o regime de trabalho remoto.

    Holanda

    As autoridades holandesas relataram, nesta quarta-feira (17), que estão sofrendo com escassez de testes de Covid-19. O país registrou pelo segundo dia seguido mais de 20 mil infecções diárias pelo coronavírus, o maior patamar desde o início da pandemia.

    Na última sexta-feira (12), a Holanda tornou-se o primeiro país da Europa Ocidental a impor lockdown parcial desde o verão no continente.

    Bares, restaurantes e o comércio não essencial deverão fechar às 19h por pelo menos três semanas.

    Há ainda o incentivo ao trabalho remoto e a proibição da presença de público em eventos esportivos. Escolas, teatros e cinemas permanecem abertos.

    Irlanda

    A partir desta quinta-feira (18), os pubs, restaurantes e boates da Irlanda deverão respeitar um novo toque de recolher e fechar à meia-noite. Além disso, o governo irlandês voltou a orientar as pessoas a trabalharem em casa. O comprovante de vacinação passará a ser exigido também em teatros e cinemas.

    O primeiro-ministro Micheál Martin disse que as medidas são necessárias por conta de uma nova onda de casos de Covid-19. Martin declarou que é preciso “reduzir a socialização em todos os níveis”.

    A Irlanda tem uma das taxas de vacinação mais altas da Europa, com 89% dos maiores de 12 anos completamente imunizados. Porém, as doses de reforço atualmente são oferecidas somente para maiores de 60 anos e outros grupos isolados.

    República Tcheca

    O primeiro-ministro da República Tcheca, Andrej Babis, anunciou nesta quarta-feira (17) que pessoas não vacinadas para Covid-19 serão proibidas de acessar eventos e serviços públicos.

    A restrição entrará em vigor na próxima segunda-feira (22). Além disso, o país deixará de aceitar teste negativo para o coronavírus como forma de comprovante.

    O país atingiu recentemente um recorde de casos registrados em um único dia. Nesta terça (16), foram 22.479 infecções em apenas 24 horas.

    Suécia

    O governo da Suécia se prepara para exigir comprovante de vacinação em eventos fechados com mais de cem pessoas presentes.

    A medida acompanha as recomendações das autoridades de saúde suecas, que demonstraram preocupação com um esperado aumento de casos de Covid-19 no país nas próximas semanas.

    O governo sueco deve apresentar um projeto de lei ao parlamento para que a exigência de vacinação entre em vigor a partir de 1º de dezembro.

    Embora a Suécia ainda não tenha apresentado um aumento de casos vertiginoso como seus vizinhos europeus, especialistas sugerem que o país enfrentará um pico de infecções em meados de dezembro.

    *Com informações da Reuters