SP amplia campanha de vacinação, mas imunização de professores trava

Governo de São Paulo não apresenta previsão para concluir a imunização dos profissionais da educação

Prefeitura testa profissionais de educação para entender prevalência da Covid-19 em que trabalha nas escolas da capital
Prefeitura testa profissionais de educação para entender prevalência da Covid-19 em que trabalha nas escolas da capital Foto: CNN Brasil (6.abr.2021)

Estadão Conteúdo

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O governo de São Paulo começa na semana que vem a vacinar novos grupos prioritários no Estado contra a covid-19, como pessoas com doenças preexistentes, grávidas com comorbidades e trabalhadores de transporte público. Por outro lado, a gestão João Doria (PSDB) não tem nenhuma previsão para concluir a imunização dos profissionais da educação, embora tenha sido o primeiro estado a oferecer doses para essas categorias.

A partir desta quinta-feira, 6, serão vacinados idosos de 60, 61 e 62 anos. No dia 10, serão pessoas com síndrome de Down, transplantados e pacientes em terapia renal, de 18 a 59 anos. Gestantes com comorbidades e puérperas (mulheres que deram à luz há 45 dias ou menos) acima dos 18 anos serão imunizadas dia 11, assim como pessoas de 55 a 59 anos com deficiência permanente. Nesta data, também será a vez dos metroviários.

No dia seguinte, é a vez dos adultos de 55 a 59 anos com comorbidades, como insuficiência cardíaca, doença renal e obesidade mórbida, entre outras. Motoristas e cobradores de ônibus podem ir aos postos de saúde a partir do dia 18. Na área do transporte público, sindicatos ameaçaram greve no mês passado para pressionar o governo pela inclusão na fila da vacina. Ao todo, os próximos grupos somam 2,725 milhões de pessoas.

No caso dos trabalhadores de escolas, a imunização começou em 10 de abril, mas para profissionais com 47 anos ou mais. Faltam ainda cerca de 525 mil profissionais das redes públicas e privada – a maioria – para serem contemplados.

Fontes disseram ao Estadão que lobbies de vários grupos que defendem outros profissionais essenciais tiraram, por ora, os professores das mais recentes discussões do plano de imunização. Do total esperado de 350 mil trabalhadores da educação que deveriam ser vacinados nesta etapa até 47 anos, 320 mil já foram atendidos.

Questionadas, as Secretarias de Saúde e de Educação não souberam informar nova data para a continuidade do plano. Segundo a coordenadora do Programa Estadual de Imunização contra a covid, Regiane de Paula, trabalhadores da educação com menos de 47 anos serão incluídos “tão logo tenhamos vacinas”. “A escassez de vacinas e a falta de perspectivas claras do Ministério da Saúde para viabilizar mais doses nos impele a fragmentar a campanha por faixas etárias e públicos”, afirmou.

Pela estimativa oficial, há cerca de 286 mil profissionais da educação no Estado nas redes pública e privada de 40 a 46 anos, por exemplo. Eles são 32% do total de cerca de 875 mil. Se a vacina fosse dada para esse grupo, somado ao atual, mais de 70% dos trabalhadores das escolas estariam imunizados.

Pressão

Outros Estados e cidades foram mais rápidos na aplicação de doses em profissionais da educação. Espírito Santo e Maranhão e capitais como Recife e Salvador já imunizam docentes com 40 anos e preveem terminar as outras idades este mês (mais informações nesta página). Sindicatos docentes pelo País têm pedido a vacinação de todos os profissionais para aceitar a volta às aulas presenciais. Em São Paulo, seria necessário cerca de 1,8 milhão de doses (duas para cada um dos 875 mil) para atender todos.

Como o Estadão revelou, professores de escolas particulares de elite de São Paulo se organizaram para não voltar mês passado, quando o retorno foi autorizado pelo Estado. Uma das reivindicações também era a vacina para todos. Segundo o sindicato da categoria, só 30% na rede privada tem acima de 47 anos e, em geral, são coordenadores e diretores. “Aqueles que mais precisariam ser chamados ficaram de fora da vacinação inicial”, diz o presidente do Sinpro, Luiz Antonio Barbagli.

Carolina Marques, de 38 anos, dá aula no 4.º ano de uma escola municipal de Jundiaí, interior de São Paulo, e está trabalhando presencialmente, apesar de dizer que tem muito medo. Seu pai e sua tia morreram este mês, vítimas da covid. Sua mãe e irmão também foram infectados. Ela se diz “revoltada” com a demora do governo para acelerar a vacinação.

“Não sei como vou reagir ao vírus. Uma vez que a educação é essencial, a segurança do professor e dos alunos tem de estar em primeiro lugar.” Ela conta que voltou à sala de aula porque muitas das crianças são vulneráveis, ficam na rua e têm pouca ajuda dos pais. “Não tenho condição de mensurar o quanto vai afetar o futuro delas esse tempo que ficaram sem escola.”

Regiane diz que há “total rigor com o planejamento” e por isso “aqui em São Paulo não há falta de 2ª dose como temos visto em outros Estados”. “Garantir o esquema vacinal completo é essencial, tanto quanto incluir novos grupos”, afirmou.

Como mostrou o Estadão, ao menos nove capitais atrasaram a 2ª dose. As cidades dizem ter seguido a orientação do Ministério da Saúde e usado todo o estoque como primeira dose, sem deixar reserva posterior.

Prioridade

Especialistas defendem aulas presenciais independentemente da vacina para docentes pelos prejuízos às crianças e porque pesquisas têm mostrado que a escola é um espaço seguro se cumpridos os protocolos. Outros países, como Chile, Argentina, França, Itália, Alemanha, Vietnã, Rússia e China, também vacinaram docentes. Segundo estudo da Unesco, 25% dos professores no mundo todo foram priorizados na primeira fase para tomar imunizantes em seus países.

Salvador e Recife

Salvador deve imunizar esta semana os cerca de 15 mil profissionais de educação de todas as idades, da rede pública e privada. No dia 3, quem tinha mais de 40 anos já havia recebido a vacina, mas após um ano e dois meses de escolas fechadas na cidade só 10% dos professores voltaram para o presencial.

Secretário de Educação do Recife, Fred Amâncio também garante que a vacinação de profissionais da educação, de todas as idades termina em maio – 27 mil professores e outros profissionais da área. Segundo ele, as aulas devem voltar nos próximos dias na rede municipal.

O Espírito Santo está usando a reserva técnica de vacinas enviada pelo Ministério da Saúde – 5% do total – para imunizar professores da educação básica. São 42 mil no Estado. Só depois serão vacinados os outros trabalhadores das escolas e universidades. “Não deve ser pré-requisito para a volta, mas traz mais tranquilidade”, diz o secretário de Educação capixaba, Vitor de Angelo. Lá, a vacinação de professores está na etapa de 50 a 59 anos, mas semana que vem já passa para 40 a 49 anos, em seguida 30 a 39 anos e de 18 a 29 anos. A expectativa é de vacinar todos este mês.

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