Surto de gripe vai demandar da nossa rede de saúde, alerta presidente da SBIm

À CNN Rádio, Juarez Cunha defendeu a necessidade de reforçar as medidas não-farmacológicas, como o uso de máscaras

Vacina contra a Influenza A
Vacina contra a Influenza A Breno Esaki/Agência Saúde

Amanda Garciada CNN*

São Paulo

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O surto do vírus influenza da gripe, que começou no Rio de Janeiro e já preocupa estados como São Paulo, Minas Gerais e Espírito Santo, é reflexo, em grande parte, da flexibilização das medidas não-farmacológicas, de acordo com o presidente da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm), Juarez Cunha.

Em entrevista à CNN, ele afirmou que as medidas restritivas durante os dois anos de pandemia fizeram com que “todas as doenças respiratórias tivessem diminuição de casos, inclusive a gripe.”

“O que chama muito a atenção em relação à gripe, momento que não é o usual do vírus, a sazonalidade é em geral no inverno, por isso se faz vacina no final do outono, provavelmente esse boom que acontece agora é reflexo da diminuição dos cuidados, em especial de máscaras”, completou.

O que chama muito a atenção em relação à gripe, momento que não é o usual do vírus, a sazonalidade é em geral no inverno, por isso se faz vacina no final do outono, provavelmente esse boom que acontece agora é reflexo da diminuição dos cuidados, em especial de máscaras.

Juarez Cunha, presidente da SBIm

Aliado a isso, a baixa cobertura vacinal – que não atingiu a meta neste ano – e a mutação do vírus, com a variante H3N2, também contribuem com a situação. “Temos um vírus um pouquinho diferente, com alguma mutação, é um fator que também pega.”

O aumento dos casos, para Juarez, preocupa por outro motivo: “A nossa rede de saúde já vem com capacidade grande, agora teve alívio com o momento da Covid, mas chega a gripe e vai forçar uma demanda da nossa rede.”

A mudança na sazonalidade da gripe também faz com que as pessoas vacinadas não estejam no auge da imunidade concedida pelo imunizante. “O que nós temos em termos de resultados de acompanhamento de efetividade é entre 6 e 12 meses de proteção, mas atinge num pico de 4 a 6 meses e vai caindo.”

O presidente da SBIm relembrou que as medidas de prevenção contra a Covid-19 são as mesmas para a gripe: uso de máscara, lavagem de mãos e evitar aglomerações.

*Produção de Bel Campos

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