Taxa de letalidade da Covid-19 entre grávidas está em 7,2% no Brasil

Índice representa mais que o dobro da taxa atual de mortes na população em geral em decorrência da doença

Boletim do Observatório Covid-19 da Fiocruz alerta para o risco do coronavírus entre gestantes
Boletim do Observatório Covid-19 da Fiocruz alerta para o risco do coronavírus entre gestantes Foto: Divulgação / Pixabay

Por Adriana Freitas, da CNN, no Rio de Janeiro

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O Brasil figura com uma assustadora taxa de letalidade de 7,2% entre grávidas em decorrência da Covid-19 – o que representa mais que o dobro da atual taxa de letalidade pela doença no país, que é de 2,8%. O Boletim do Observatório Covid-19 da Fiocruz, divulgado nesta sexta-feira (4), alerta para o risco do coronavírus entre gestantes, sendo que a doença pode evoluir para formas graves, com descompensação respiratória. Em especial, entre aquelas que estão em torno de 32 ou 33 semanas de gestação. Em muitos casos, há necessidade de antecipar o parto.  

Mas não é só por aqui que se vê esse risco. Um estudo sobre a pandemia nas Américas, publicado em meados de maio de 2021 pela Organização Pan-Americana da Saúde (Opas), verificou que entre janeiro e abril deste ano houve um aumento relevante de casos em gestantes e puérperas, e de óbitos maternos por Covid-19 em 12 países.

O Observatório Obstétrico Brasileiro Covid-19 (OOBr Covid-19) também ressalta o quadro crítico no Brasil e mostra que os óbitos maternos em 2021 já superaram o número notificado em 2020. No ano de 2020, foram 544 mortes de gestantes e puérperas por Covid-19 no país, com média semanal de 12,1, considerando que a pandemia se estendeu por 45 semanas epidemiológicas neste ano. Até 26 de maio de 2021, transcorridas 20 semanas epidemiológicas, foram registradas 911 mortes, com média semanal de 47,9, mostrando um aumento preocupante.

Essa situação aumenta a preocupação em relação à disponibilidade de leitos de UTI adulto para essas mulheres e de leitos de UTI neonatal para os recém-nascidos, que podem ser inclusive prematuros. Os pesquisadores alertam que ambos precisam de cuidados especializados e imediatos.

Um recente estudo feito por obstetras da Fiocruz chama atenção para o fato de a maioria das gestantes continuarem suscetíveis a contrair a Covid-19. Além disso, 59% das gestantes que morreram por Covid-19 até março de 2021 não tinham qualquer fator de risco. Mas de acordo com recomendação da Anvisa, apenas as grávidas com comorbidades devem ser vacinadas. 

O Boletim do Observatório Covid-19 Fiocruz constatou ainda tendência de crescimento de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) em 12 estados, além do Distrito Federal, na Semana Epidemiológica (SE) 21, que é o período de 23 a 29 de maio. Todas as regiões apresentam indicadores preocupantes, principalmente, os estados da região Sul e Centro-Oeste. Cerca de 96% dos casos de SRAG são pelo novo coronavírus.

A Fiocruz chama a atenção que, com a proximidade do inverno, há ainda a possibilidade do surgimento de casos mais graves de Covid-19 e maior ocorrência de outras doenças respiratórias. Foi observada uma estabilidade, nas duas últimas semanas epidemiológicas, das taxas de incidência e de mortalidade por Covid-19, confirmando a formação de um platô com altos valores médios diários de casos e óbitos. A maior parte dos estados apresenta a mesma tendência, o que pode ter como consequência o surgimento de milhares de casos graves que necessitarão de cuidados intensivos.

Perfil demográfico e ocupação de leitos

Os pesquisadores do Observatório Covid-19 Fiocruz confirmam uma mudança no perfil demográfico da pandemia, que vem registrando um aumento expressivo de casos, internações e óbitos nas gerações mais jovens

No cenário atual da pandemia, todos os estados das regiões Nordeste, Sul e Centro-Oeste, e a maior parte da região Sudeste (com exceção do Espírito Santo) estão com a ocupação de leitos de UTI em níveis críticos (= 80%) ou mesmo extremamente críticos. Dezessete capitais também se encontram em níveis críticos ou extremamente críticos. O sistema de saúde está sobrecarregado, com capacidade de resposta comprometida para o atendimento a esses casos, assim como para outras demandas represadas.

Considerando que as taxas de ocupação de leitos UTI constituem a “ponta do iceberg” e que o Brasil ainda não alcançou uma queda sustentada de casos e óbitos, os cientistas alertam para o fato de o país está diante de um momento crítico, com riscos reais de agravamento da pandemia nas próximas semanas.

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