Covid-19 aumenta os riscos para mulheres grávidas e bebês, diz estudo

Segundo a publicação, o risco de morte para gestantes com Covid-19 é de 1,6%, 22 vezes maior do que naquelas que não foram infectadas

Sandee LaMotte, da CNN
23 de abril de 2021 às 17:32
Com roupa de hospital, mulher na reta final da gravidez coloca a mão na barriga
Com roupa de hospital, mulher na reta final da gravidez coloca a mão na barriga
Foto: CNN (19.ago.2020)

Se você está grávida e foi infectada pela Covid-19, cuidado: são maiores as chances de ir para a UTI, ter pré-eclâmpsia, infecções e outras complicações. As informações são de um estudo publicado na quinta-feira (22) na JAMA Pediatrics, com mais de 2 mil mulheres grávidas diagnosticadas com a Covid-19 de 18 países.

Segundo a publicação, o risco de morte para mulheres grávidas com Covid-19 é de 1,6%, isso é 22 vezes maior do que mulheres grávidas que não foram infectadas. Ainda de acordo com o estudo, bebês nascidos de mães infectadas pelo novo coronavírus também correm maior risco de nascer de parto prematuro e ter baixo peso.

 "Os resultados relatados são preocupantes", escreveu a pediatra Catherine Mary Healy, professora assistente do Baylor College of Medicine em Houston, especializado em doenças infecciosas pediátricas.

O estudo, que começou em março de 2020 e terminou em outubro do mesmo ano, contou com pesquisa de 43 instituições médicas de 18 países: Argentina, Brasil, Egito, França, Gana, Índia, Indonésia, Itália, Japão, México, Nigéria, Macedônia do Norte, Paquistão, Rússia, Espanha, Suíça, Reino Unido e Estados Unidos.

No documento, Healy escreveu que acredita que o estudo seja um dos maiores até hoje, já que envolve relatos de diferentes países "em tempo real, conforme a pandemia evoluía desde os primeiros casos detectados".

Das 2.130 mulheres que participaram do estudo, 706 foram diagnosticadas com Covid-19. Quase 60% das infectadas eram assintomáticas, o que significa que não tinham febre ou outros sinais do vírus. Como as outras 1.424 restantes não estavam infectadas, elas foram então equiparadas pela gravidez, gestação e características demográficas para reduzir o erro.

Por mais que as mulheres infectadas estivessem com sintomas leves, ainda assim “corriam maior risco de resultados ruins, como pré-eclâmpsia ou eclâmpsia, infecções graves, admissão em uma unidade de terapia intensiva e morte materna", escreveu Healy.

A pré-eclâmpsia é uma complicação da gravidez caracterizada por pressão alta e sinais de danos a outro sistema de órgãos, na maioria das vezes o fígado e os rins. A eclâmpsia é uma complicação grave da pré-eclâmpsia, que causa convulsões.

Mulheres grávidas com diagnóstico de Covid-19 que estavam acima do peso ou tinham diabetes, doenças cardíacas, hipertensão ou doenças respiratórias crônicas tinham quase quatro vezes mais chances de desenvolver pré-eclâmpsia, descobriu o estudo.

Por que a gravidez colocaria as mulheres em maior risco com o vírus? 

Um dos motivos é a diminuição da capacidade pulmonar da mulher à medida que o bebê vai crescendo. "Você pode ter um comprometimento respiratório, a ponto de não conseguir se recuperar", disse Kjersti Aagaard, especialista em medicina materno-fetal do Texas Children's Hospital, à CNN em janeiro.

Além disso, Aagaard - que também é professora titular de obstetrícia e ginecologia do Baylor College of Medicine - disse que o coração de uma mulher grávida bate 1,5 vezes mais forte do que o normal, no intuito de fornecer sangue adequado para o bebê e a placenta.

"Essa superação do coração, que chamamos de maior débito cardíaco, coloca as mulheres grávidas em risco de problemas de insuficiência cardíaca, que pode ser um fator de causa de morte por doença de Covid-19", disse.

“Mulheres grávidas têm um sistema imunológico projetado para proteger o feto em desenvolvimento, o que pode levar à chamada tempestade de citocinas - uma resposta exagerada do sistema imunológico que sinaliza doenças mais graves e, muitas vezes, a necessidade de cuidados intensivos”, disse Aagaard.

Outro fator é o aumento da probabilidade de coagulação do sangue durante a gravidez que, com a Covid-19, costuma piorar. "Os humanos, como todos os mamíferos, correm o risco de sangrar até a morte depois que a placenta se separa da parede do útero", disse Aagaard. "São 4,5 milhões de anos de evolução em nossas costas, ajudando-nos a coagular um pouco mais eficazmente quando estamos grávidas."

Riscos da vacina Covid-19 são baixos 

Na quarta-feira (21), foi publicado outro estudo com 3.958 gestantes que receberam a vacina da Moderna ou da Pfizer. O levantamento mostrou que os efeitos colaterais são baixíssimos. O mais comum foi a dor no local da injeção. As vacinadas, inclusive, relataram menos dores de cabeça, dores musculares, calafrios e febre.

Os dados foram coletados pelo Sistema de Notificação de Eventos Adversos de Vacinas (VAERS) dos Centros de Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos (CDC) entre 14 de dezembro de 2020 e 28 de fevereiro de 2021. Neste período, foram relatados 221 eventos adversos relacionados à gravidez e à pandemia, incluindo 46 abortos espontâneos.

O estudo também comparou esses eventos com resultados negativos em relação à gravidez de antes da pandemia. "Embora não sejam diretamente comparáveis, as proporções calculadas de problemas na gravidez e os resultados de neonatais feitos em pessoas vacinadas contra Covid-19 que tiveram uma gravidez completa foram semelhantes às incidências relatadas em estudos anteriores à pandemia", diz o estudo.

Os principais grupos médicos dos Estados Unidos têm apoiado a vacinação em mulheres grávidas. "Órgãos reguladores e médicos dos EUA declararam de forma bem clara que todas as gestantes devem receber a vacina", disse Christopher Zahn, vice-presidente de atividades práticas do Colégio Americano de Obstetras e Ginecologistas, em entrevista à CNN.

"Estamos muito confiantes de que proporcionará benefícios consideráveis tanto para a mãe quanto para o bebê", acrescentou Richard Beigi, que faz parte do Grupo de Trabalho de Especialistas em Imunização, Doenças Infecciosas e Preparação para Saúde Pública da ACOG.

Para qualquer mulher grávida que hesite em ser vacinada, "a adesão às orientações de saúde pública em relação ao uso de máscaras, lavagem das mãos e distanciamento social são os primeiros e necessários passos", escreveu Healy. As mulheres grávidas também devem evitar multidões e atividades com alto risco de transmissão, como comer em restaurantes, acrescentou.

Lauren Mascarenhas e Jessica Firger, da CNN, contribuíram 

(Texto traduzido. Leia o original, em inglês)