Uso de anticoagulantes reduz em 67% o risco de trombose em recuperados da Covid-19

Estudo brasileiro apresentado no Congresso Europeu de Cardiologia analisou benefícios em se estender uso do medicamento em pacientes de risco para eventos trombóticos

Roberta Russo, da CNN, em São Paulo
Leitos de UTI e enfermaria para Covid-19 em hospitais do interior de SP (18.dez.
Leitos de UTI e enfermaria para Covid-19 em hospitais do interior de SP (18.dez.2020)  • Reprodução/CNN Brasil
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Uma pesquisa feita com pacientes de Covid-19 em 14 hospitais brasileiros ganhou destaque no Congresso Europeu de Cardiologia, um dos mais renomados da área. O estudo apresentou resultados significativos com pacientes que, depois da alta, tendem a desenvolver tromboses graves.

À CNN, o médico e pesquisador Eduardo Ramacciotti apontou que, nos pacientes analisados, houve redução de 67% de eventos de trombose e embolia pulmonar com o uso de anticoagulantes depois da alta.

Na pesquisa, foram acompanhados pacientes de risco - com histórico de trombose, casos na família ou doenças prévias - que, com frequência, evoluíam para quadros graves ou fatais mesmo recuperados da Covid-19.

Para evitar o risco de trombose, já é comum o uso de anticoagulantes em pacientes do coronavírus, mas nem sempre ocorre o prolongamento do uso das medicações depois da alta hospitalar.

O estudo brasileiro deve permitir que a utilização fora da bula desses remédios seja adotada nos hospitais do país para diminuir as complicações pós-Covid-19.

"Para uma população específica de pacientes que ficaram internados com Covid-19 e, no momento depois da alta, têm risco aumentado de eventos trombóticos, houve benefício muito grande de se estender a anticoagulação por mais 35 dias ", explicou Ramacciotti.

Errata: Este texto foi alterado. Na primeira versão, publicamos que o uso de anticoagulantes reduz em  77% o risco de trombose em recuperados da Covid-19. O correto é 67%