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    Uso de Viagra para tratar o Alzheimer ainda precisa de mais pesquisas

    No quadro Correspondente Médico, Fernando Gomes explica como remédio usado para disfunção erétil pode ajudar pacientes com a doença neurológica

    Fabrizio Neitzkeda CNN

    Em São Paulo

    Na edição desta quarta-feira (8) do quadro Correspondente Médico, no Novo Dia, o neurocirurgião Fernando Gomes falou sobre um estudo realizado nos Estados Unidos que apontou o Viagra como um tratamento possivelmente eficaz para o Alzheimer.

    Na pesquisa, que teve acompanhamento médico durante seis anos, foram analisados através de um banco de dados mais de 1.600 medicamentos autorizados pelo Food and Drugs Administration (FDA), a agência de saúde dos EUA, administrados em cerca de 7 milhões de pacientes. Os resultados preliminares apontam para uma queda de 69% de incidência de Alzheimer em pacientes que tomaram Viagra.

    “Isso é um recorte especial”, destacou Fernando Gomes. “Porque quem utiliza o medicamento são homens diagnosticados com disfunção erétil. Então vem aquela pergunta: será que, na verdade, essa situação clínica não tem um traço genético que proteja o indivíduo de ter um desfecho diferente e não a substância que foi utilizada?”

    Apesar do questionamento, o neurocirurgião comemorou a realização de mais um estudo na área. “Independente de qualquer coisa, isso abre uma linha de pensamento totalmente diferente e motiva mais pesquisas. Talvez, nesse mesmo medicamento que tenha utilização para hipertensão pulmonar e disfunção erétil, a gente tenha uma forma de combater o depósito de proteínas beta-amilóide, que fazem parte da fisiopatologia do Alzheimer”, disse.

    As amostras, porém, ainda não comprovam a eficácia do Viagra para o quadro. Gomes alertou para que, neste momento, pacientes não adotem o medicamento como forma de tratamento e aguardem a realização de novas pesquisas, mesmo com os números “robustos”.

    “O que a gente sabe é que o vento aponta para esse sentido. Parece que a substância pode ter uma implicação, […] mas mais pesquisas precisam ser feitas para verificar se essa informação terá um uso clínico consolidado.”

    Segundo o médico, é relativamente comum que medicamentos produzidos para uma finalidade específica possam ser descobertos como eficazes em outros casos.
    “Vira e mexe isso acaba acontecendo. Você utiliza o medicamento para uma doença determinada e percebe que o efeito colateral traz um benefício diferente. Muitas vezes, o que temos é a integração de remédios provocando efeitos inusitados. O próprio Viagra… se descobriu que um efeito colateral era a manutenção da ereção.”

    “A medicina é assim. Precisamos sempre ficar atento, ter grupo de pesquisadores bastante sérios, por isso que a qualidade da informação é super importante”, concluiu.