Entenda diferenças entre vacina do posto e imunizante do Butantan suspenso
Suspensão temporária não afeta a vacina contra a dengue atualmente oferecida pelo Sistema Único de Saúde (SUS) para crianças e adolescentes de 10 a 14 anos
O Ministério da Saúde orientou que pessoas que receberam a vacina contra a dengue desenvolvida pelo Instituto Butantan fiquem atentas a sinais e sintomas de alerta, especialmente nos primeiros 21 dias após a aplicação da dose.
A suspensão temporária não afeta a vacina contra a dengue atualmente oferecida pelo Sistema Único de Saúde (SUS) para crianças e adolescentes de 10 a 14 anos. A medida envolve exclusivamente o imunizante desenvolvido pelo Instituto Butantan, que vinha sendo aplicado em profissionais da atenção primária à saúde e em projetos-piloto realizados em municípios selecionados.
Entenda as diferenças
A vacina dada amplamente nos postos de saúde do Brasil é a Qdenga, desenvolvida pelo laboratório Takeda.
A Qdenga recebeu o aval da agência reguladora em março de 2023 e foi incorporada ao sistema público universal em dezembro do mesmo ano. O imunizante da Takeda é um produto estudado há 20 anos, segundo a empresa. Já o imunizante em desenvolvimento pelo Butantan tem sido estudado há 15 anos, com a fase 1 de testes clínicos sendo feita entre 2010 e 2012, e a fase 2, em 2013 e 2015. Em 2018, o instituto firmou uma parceria com a farmacêutica MSD para acelerar o desenvolvimento da vacina.
Do que cada vacina é feita?
A Qdenga é uma vacina desenvolvida pela farmacêutica japonesa Takeda e é feita com o vírus da dengue DENV-2 atenuado e é composto também pelos sorotipos 1, 3 e 4 do vírus desenvolvidos por engenharia genética, ou seja, protege contra os quatro sorotipos de dengue. Isso significa que o imunizante contém o vírus vivo, mas enfraquecido em laboratório, o que o torna seguro para ser aplicado sem causar a doença. O vírus atenuado estimula o sistema imunológico a produzir células e anticorpos específicos para proteger a pessoa infectada.
A vacina desenvolvida pelo Instituto Butantan também é composta pelo vírus atenuado. O seu principal diferencial é sua composição: esse imunizante contém os quatro tipos do vírus da dengue em versões enfraquecidas. Apesar disso, ambas protegem contra os quatro tipos do vírus da dengue, o que é fundamental para evitar uma reinfecção.
Qual é a eficácia de cada vacina?
A eficácia de cada vacina pode variar de acordo com fatores como a idade, quadro clínico e se a pessoa já teve dengue antes ou não. As taxas de eficácia da Qdenga são:
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12 e 18 meses após as duas doses:
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80,2% na redução de casos de dengue sintomática.
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90,4% na redução de hospitalizações
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Proteção sustentada ao longo do seguimento de 7 anos:
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74,3% na redução de casos de dengue sintomática
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90,6% na redução de hospitalizações
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Já o imunizante desenvolvido pelo Butantan apresentou as seguintes taxas de eficácia em ensaios clínicos:
- 73,5% de eficácia em quem nunca teve contato com o vírus;
- 89,2% de eficácia em quem já teve dengue anteriormente;
- 79,6% de eficácia geral.
Quais são as indicações de cada uma?
A vacina Qdenga é indicada para crianças a partir de 4 anos de idade, adolescentes e adultos até 60 anos, independentemente se a pessoa já teve dengue antes ou não. O imunizante é contraindicado para pessoas com alergia grave a algum dos componentes da vacina, gestantes, mulheres em fase de amamentação, pessoas com imunodeficiência e pacientes com HIV.
Já a vacina do Butantan foi testada em ensaio clínico de fase 3 em 16.235 pessoas com idades de 2 a 59 anos. Dessas pessoas que receberam o imunizante, apenas três (menos 0,1%) apresentaram eventos adversos graves e todos se recuperaram totalmente. A frequência de eventos adversos foi a mesma em todas as faixas etárias, o que indica que a vacina deverá ser indicada para pessoas entre essas idades.
Como funciona cada esquema de dose?
O esquema de dose da Qdenga é de duas aplicações, com intervalo de três meses entre elas. É importante completar a imunização para atingir a eficácia desejada. A vacina contra a dengue da Takeda está aprovada em 41 países e disponível em 31 deles, entre Europa, Ásia e América Latina; além de ter recebido a recomendação oficial da Organização Mundial de Saúde (OMS) para introdução de programas de vacinação em massa em países endêmicos.
Desde 2024, está disponível e continuará a ser aplicada no SUS para crianças e adolescentes de 10 a 14 anos, por meio do Programa Nacional de Imunizações, e para o público de 4 a 60 anos de idade no setor privado
Por outro lado, a vacina do Butantan foi testada em duas doses, com a segunda aplicação sendo realizada 6 ou 12 meses após a primeira. No entanto, não foram observadas diferenças significativas na resposta de anticorpos. Por isso, foi mantido o esquema de dose única para a fase 3. Isso indica que a vacina deverá ser aplicada em uma única dose.
*Com informações de Gabriela Maraccini

