‘Variante Delta está entrando em solo nacional devagar’, alerta diretora da SBIm

Melissa Palmieri diz que não se deve escolher vacina e que é cedo para se pensar em uma terceira dose

Produzido por Fernanda Pinotti, da CNN em São Paulo (*)

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A variante Delta do coronavírus está se instalando no Brasil e requer atenção, alerta a diretora da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm) Melissa Palmieri, em entrevista à CNN neste sábado (17). Só no Rio de Janeiro, 23 casos foram confirmados, segundo a secretaria municipal de Saúde. 

“Essa variante Delta é mais transmissível. São feitas as investigações epidemiológicas e não se detectam às vezes histórico de viagem internacional ou contato com alguém que tenha viajado, o que significa que ela está devagar entrando em solo nacional. Isso preocupa pelo risco de reinfecção e o risco de um grande contingente de população não vacinada ter a infecção”, explica.

 

 Ela avisa que, embora os sintomas possam ser confundidos com o de uma gripe, “não dá para banalizar e dizer que é uma variante tranquila que dará sintoma gripal simples. É preciso se manter alerta”.

Quem pode deve se vacinar o mais rápido possível, diz a especialista. “Todas as vacinas disponíveis e aprovadas pela Anvisa apresentaram uma excelente performance na prevenção de hospitalização e mortalidade. Sabemos que existe o risco de se infectar, mas todas as vacinas vão prevenir da hospitalização”.

Melissa Palmieri, dir. da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm) (17.Jul.21)
Melissa Palmieri, diretora da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm) (17.Jul.2021)
Foto: Reprodução/CNN

 

Não se deve ficar esperando por algum imunizante específico. “Escolher vacina é uma escolha totalmente equivocaa, a pessoa tem que ir à Unidade Básica de Saúde (UBS) feliz por ter acesso a um produto que a maioria do mundo ainda não conseguiu e estará se prevenindo de um desfecho grave”. 

Melissa afirma que não é hora de pensar em dose de reforço. “Vivemos no Brasil uma escassez de vacinas, por isso a discussão de uma terceira dose ainda é um pouco distante. Ampliar a primeira dose e acelerar a segunda, combinada com uso de máscara e evitar aglomeração, é ação estratégica para diminuir a circulação do vírus”. 

A diretora da SBim diz ainda que é perda de tempo ficar medindo anticorpos após receber o imunizante. “Hoje não temos nenhum teste comercial que vá atestar se estou protegido ou não. Se faz esse teste, der um número alto e daqui a dois meses ele desaparecer, o que vou fazer com essa informação? Estou protegida, temos que continuar confiando nas vacinas e atendendo ao que as sociedades científicas tem falado que esses testes não servem para nada, só para causar discórdia, causando dúvidas sobre a imunização”.

* (supervisionada por Elis Franco)

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