Variante Ômicron faz pronto-socorro de São Paulo bater recorde de atendimentos

HCor registrou aumento rápido no índice de casos de Covid-19 e teve, na terça-feira (4), o maior número de atendimentos no PS de sua história

Testagem para a Covid-19.
Testagem para a Covid-19. Walterson Rosa/MS

Julyanne JucáLéo Lopesda CNN

em São Paulo

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O Hospital do Coração (HCor), em São Paulo, registrou, na última terça-feira (4), o maior número de atendimentos da história de seu pronto-socorro. No total, foram 388 pacientes atendidos, dos quais 252 apresentavam síndrome gripal.

A variante Ômicron da Covid-19 é a principal responsável por esse aumento vertiginoso, e superou a predominância estabelecida no mês de dezembro pela cepa H3N2 do vírus Influenza da gripe.

A assessoria do HCor explicou à CNN, nesta quinta (6), que houve uma inversão no perfil epidemiológico do hospital.

“Em 22 de dezembro, o cenário apontava a Influenza H3N2 como responsável por cerca de 40% dos atendimentos, enquanto a Covid-19 se mantinha abaixo dos 10%”, informou em nota.

“Agora, o índice de Covid-19 está acima de 40%, já a Influenza H3N2 está variando de 8% a 13% nas coletas dos últimos 3 dias”, complementou.

Este aumento no número de pessoas com síndrome gripal indo ao pronto-socorro tem sido constante.

Na quarta-feira, dia 29 de dezembro, o HCor atendeu 153 pessoas com este quadro de sintomas. Uma semana depois, nesta quarta (5), o número de atendimentos foi a 252.

Em relação às hospitalizações por Covid-19, o salto entre essas mesmas duas datas foi de 275%. O HCor tinha oito pessoas internadas com infecção pelo coronavírus no dia 29 de dezembro. Nesta quarta (5), o número já era de 22 pessoas.

Filas e lotação nos hospitais paulistas

Nos últimos sete dias, a cidade de São Paulo registrou um aumento de 30% nos casos de Covid-19, segundo o secretário municipal da Saúde, Edson Aparecido. Isso somado à disparada de pacientes com gripe levou à lotação de vários hospitais da capital.

Nesta quarta-feira (5), na sala de espera do pronto atendimento da AMA Sorocabana, que fica na Lapa, zona oeste de São Paulo, não havia cadeiras suficientes para os pacientes, que se aglomeravam à espera de atendimento médico. Muitos relataram à reportagem da CNN que estavam ali há pelo menos cinco horas.

Entre eles o Gabriel, que testou positivo para Covid-19, mas ficou no mesmo ambiente que todos, aguardando para passar por um médico.

“Estou bem, mas testei positivo e tá tudo misturado mesmo”, ele afirmou.

Em outra Unidade de Pronto Atendimento, na Vila Mariana, o local também estava cheio, assim como a Santa Casa, no centro.

No Hospital Ipiranga, zona sul, profissionais relataram que pacientes foram agressivos, por causa das longas filas de espera, segundo o Sindicato dos Trabalhadores Públicos da Saúde do Estado.

De acordo com o SindSaúde-SP, a cada 100 fichas, no mínimo 80 são de pacientes que apresentam sintomas gripais. Somente nesta quarta-feira (5), até às 17h, foram realizados quase 200 atendimentos.

Além da demora no atendimento médico, os pacientes muitas vezes precisam aguardar entre 8 e 10 horas, por conta da espera de resultados de exames e o retorno com o médico.

Aumento de casos de gripe e de Covid

A secretaria municipal da saúde atribui o aumento da procura de atendimento e do tempo de espera nas unidades de saúde ao aumento de casos de gripe e Covid-19.

Até o dia cinco de janeiro foram realizados 44.465 atendimentos a pessoas com sintomas respiratórios, sendo 25.019 suspeitos de Covid-19. No total, 1.557 casos foram confirmados para Covid-19.

O secretário municipal da Saúde, Edson Aparecido, disse nesta quarta-feira que o tempo de espera nas unidades públicas de Saúde pode aumentar nas próximas semanas, por conta da testagem dupla. A cidade está realizando testes para Covid e para influenza, como medida para tentar controlar a doença.

* Com informações de Adriana De Luca, Giovanna Bronze, Denise Ribeiro da CNN

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