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    Varíola dos macacos pode provocar complicações neurológicas, diz estudo

    Pacientes podem apresentar dor de cabeça, distúrbios do humor, incluindo depressão e ansiedade, e dor crônica

    De acordo com a pesquisa, poucas complicações neurológicas da varíola dos macacos foram descritas até o momento
    De acordo com a pesquisa, poucas complicações neurológicas da varíola dos macacos foram descritas até o momento Getty Images/Morsa Images

    Lucas Rochada CNN

    em São Paulo

    A varíola dos macacos, na maioria dos casos, evolui sem complicações, com sinais e sintomas que duram de duas a quatro semanas. Em geral, as manifestações clínicas incluem lesões na pele na forma de bolhas ou feridas que podem aparecer em diversas partes do corpo, como rosto, mãos, pés, olhos, boca ou genitais.

    No entanto, a doença causada pelo vírus monkeypox também pode provocar complicações neurológicas em casos mais raros. É o que aponta um estudo publicado no periódico científico JAMA nesta terça-feira (20). Até o dia 4 de setembro, 52.996 casos confirmados laboratorialmente e 18 mortes foram relatados à Organização Mundial da Saúde (OMS), em 102 países.

    De acordo com a pesquisa, poucas complicações neurológicas da varíola dos macacos foram descritas até o momento, sendo a dor de cabeça (ou cefaleia) uma manifestação comum da infecção. Distúrbios do humor, incluindo depressão e ansiedade, e dor crônica (neuropática) também são frequentes.

    As lesões na pele podem causar feridas dolorosas e, dependendo do local envolvido, podem causar dificuldade para engolir (disfagia), dor retal e fissuras anais. A conjuntivite ocorreu em aproximadamente 20% dos pacientes em um surto recente na República Democrática do Congo, o que pode levar à diminuição da visão. O problema também pode ser um local potencial para infecção viral no sistema nervoso central.

    Segundo o estudo, a monkeypox raramente causa inflamação do cérebro – ou encefalite. O nome da doença tem origem na descoberta inicial do vírus em macacos em um laboratório dinamarquês em 1958. O primeiro caso humano foi identificado em uma criança na República Democrática do Congo em 1970. Desde então, a maioria dos casos foi relatada na África Central e Ocidental, até este ano quando surtos da doença passaram a atingir múltiplos países.

    Uma menina de 3 anos de idade não vacinada, durante o surto de varíola dos macacos no Zaire, na África, de 1980 a 1985, desenvolveu encefalite, entrou em coma e morreu dois dias após a admissão no hospital.

    Durante um curto surto no Meio-Oeste dos Estados Unidos, em 2003, propagado por um cão de pradaria de estimação, outra menina de 6 anos apresentou sintomas prévios à manifestação da doença, incluindo de dor de cabeça, febre e mal-estar, com erupção na pele dois dias depois. No entanto, sete dias após os sintomas iniciais, ela desenvolveu diminuição da responsividade, rigidez, pupilas dilatadas, inchaço óptico e sinais de Babinski, que envolvem reflexos nos dedos dos pés.

    A paciente foi submetida ao exame de ressonância magnética, que revelou impactos ao sistema nervoso e inchaço envolvendo partes do cérebro, como o córtex, o tálamo e tronco encefálico. Com cuidados de suporte, a paciente melhorou e recebeu alta duas semanas após a admissão e, após um mês, não apresentava déficits neurológicos.

    Estudos na Nigéria apontaram três casos de inflamação do cérebro (encefalite) com convulsões em um grupo de 40 casos de varíola dos macacos, incluindo dois pacientes (uma criança de 28 dias e um homem de 43 anos com HIV, que morreram posteriormente.

    Durante o surto atual, três casos de encefalite foram relatados em dois pacientes espanhóis e um indiano, todos homens, que não resistiram à infecção e morreram. Nos dois pacientes espanhóis, o DNA do vírus foi detectado no líquido cefalorraquidiano – fluido cérebro espinhal, a partir de exame de diagnóstico molecular (RT PCR).

    Os pesquisadores argumentam que muitos aspectos da doença ainda permanecem desconhecidos, o que destaca a necessidade de estudos aprofundados sobre os possíveis impactos do vírus monkeypox para o cérebro.

    “Com base nas complicações neurológicas conhecidas dos ortopoxvírus, devemos estar preparados para a possibilidade de encefalite viral, mielite, encefalomielite aguda disseminada (ADEM), síndrome de Guillain-Barré, dor neuropática e outras, e tratá-las adequadamente. Atenção especial deve ser dada aos pacientes com condições imunocomprometidas, como HIV/Aids, pois pode facilitar a neuroinvasão viral”, dizem os especialistas no artigo.

    Lesões na pele são um dos principais sintomas da varíola dos macacos / Kateryna Kon/Science Photo Library/Getty Images

    Sintomas mais comuns da doença

    Na forma mais comum documentada da varíola dos macacos, os sintomas podem surgir a partir do sétimo dia com uma febre súbita e intensa. São comuns sinais como dor de cabeça, náusea, exaustão, cansaço e principalmente o aparecimento de inchaço de gânglios, que pode acontecer tanto no pescoço e na região axilar como na parte genital.

    Já a manifestação na pele ocorre entre um e três dias após os sintomas iniciais. Os sinais passam por diferentes estágios: mácula (pequenas manchas), pápula (feridas pequenas semelhantes a espinhas), vesícula (pequenas bolhas), pústula (bolha com a presença de pus) e crosta (que são as cascas de cicatrização).

    O Ministério da Saúde recomenda evitar contato próximo com pessoas com suspeita ou diagnóstico da doença, além da higienização das mãos com água e sabão ou com álcool em gel antes de comer ou tocar no rosto como uma medida de prevenção.

    Diante de algum sintoma suspeito, as pessoas devem procurar atendimento médico em Unidades Básicas de Saúde (UBSs) ou Unidade de Pronto Atendimento (UPA) para avaliação.

    Durante a consulta, é importante informar se houve contato próximo com alguém com suspeita ou confirmação da doença. Com base nesses registros coletados durante a consulta, o especialista poderá fazer o pedido de teste de diagnóstico.