Vírus inativado, eficácia desconhecida e duas doses: o que se sabe sobre Covaxin

Apesar de acordo para compra de 20 milhões de doses, vacina indiana ainda tem pendências antes de ser utilizada no Brasil

Frasco da Covaxin, vacina contra Covid-19 da indiana Bharat Biotech
Frasco da Covaxin, vacina contra Covid-19 da indiana Bharat Biotech Foto: Adnan Abidi - 16.jan.2021/Reuters

Anna Gabriela Costa e Guilherme Venaglia, da CNN, em São Paulo

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O Ministério da Saúde anunciou nesta quinta-feira (25) a assinatura de contrato para a compra de 20 milhões de doses da Covaxin, vacina que é desenvolvida na Índia pela Bharat Biotech. No Brasil, o laboratório indiano tem parceria com a farmacêutica Precisa Medicamentos.

Apesar do acerto anunciado pelo governo, a vacina ainda não foi aprovada para registro nem para uso emergencial no Brasil.

O processo de admissão do imunizante está em suas etapas iniciais, com a visita da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para conhecer a fábrica da Precisa prevista para a próxima semana. A taxa de eficácia geral da Covaxin ainda não foi divulgada.

A vacina

A Covaxin é uma vacina para o combate ao Sars-CoV-2, o novo coronavírus causador da Covid-19, de duas doses. O imunizante é produzido a partir de vírus inativado.

O desenvolvimento da vacina em colaboração com o Conselho Indiano de Pesquisa Médica (ICMR) e o Instituto Nacional de Virologia (NIV). A produção ainda tem apoio da Fundação Bill & Melinda Gates. 

Segundo os fabricantes, o laboratório possui capacidade instalada de produção de 300 milhões de doses anuais.

Entre as vantagens do imunizante está a conservação, já que pode ser armazenada em temperaturas que variam de 2ºC a 8ºC. Além disso, de acordo com a Bharat Biotech, a vacina se mostrou eficaz em testes contra a nova variante britânica do vírus.

Resultados apresentados

A Covaxin foi avaliada em ensaios clínicos nas fases 1 e 2, com resultados promissores de segurança e resposta imunológica, informou o laboratório à CNN.

“O desenvolvimento do produto e os dados dos ensaios clínicos obtidos até agora geraram cinco artigos científicos*, que foram submetidos a revistas internacionais e revisados por pesquisadores independentes”, afirma a Bharat Biotech.

A primeira fase de testes da vacina apresentou resultados de segurança e resposta imunológica dentro do esperado, de acordo com um estudo publicado em 21 de janeiro pela revista londrina The Lancet, referência em publicações científicas no mundo. 

Uso emergencial na Índia

A publicação dos dados da fase 2 dos ensaios clínicos está sendo submetida ao processo de revisão por pesquisadores independentes. No entanto, segundo o laboratório responsável pela Covaxin, “os resultados até agora divulgados nos permitem manter o mais elevado grau de certeza na eficácia do imunizante”.

Após a apresentação desses resultados, em 3 de janeiro a Covaxin foi recomendada para uso restrito em situação de emergência por um painel nomeado pelo governo indiano, que submeteu suas descobertas ao Drugs Controller General of India, a Anvisa do país.

Desde então, a Índia ampliou o uso da Covaxin em seu programa de imunização em massa, que teve início em 16 de janeiro e aplicou 5 milhões de doses da vacina em profissionais da área da saúde, segundo a Precisa Medicamentos.

Em que fase estão os testes?

Os ensaios clínicos de fase 3 da Covaxin começaram em meados de novembro de 2020 e estão hoje na reta final, com 26 mil voluntários em toda a Índia.

A Precisa Medicamentos, representante do laboratório no Brasil, assinou um termo de cooperação científica com o Instituto Israelita de Ensino e Pesquisa Albert Einstein para realizar no país os estudos complementares de fase 3 da vacina. Os testes devem ser iniciados imediatamente após o aval da Anvisa..

O que especialistas dizem sobre a vacina

A CNN ouviu especialistas sobre o laboratório indiano Bharat Biotech, o histórico de produção de vacinas a baixo custo para países em desenvolvimento e sobre as semelhanças dessa vacina com a chinesa Coronavac, que já é aplicada no país.

De acordo com o imunologista Eduardo Nolasco, a vacina indiana utiliza o vírus inativado, como a Coronavac, entretanto, possui o acréscimo de uma importante molécula protetora contra o vírus. 

“Acrescentaram na vacina uma molécula que faz com que a resposta de linfócitos T seja aumentada. É o que a gente chama de resposta celular. É basicamente a formulação dela que difere da Coronavac, principalmente por conta desse indutor da resposta de linfócitos T”, explica.

“Isso é muito importante porque já foi avaliado que a nossa principal resposta de defesa à Covid-19 é de linfócitos T, então eles acrescentaram essa molécula que vai aumentar a produção dessa resposta, que é importante e protetora, talvez até mais do que a própria produção de anticorpos”, completa.

O imunologista acrescenta que a Índia já responde por mais de 60% de produção de vacinas no mundo. “A Bharat Biotech participa ativamente dessa produção. Possui inúmeras vacinas conhecidas, como as vacinas contra raiva, coqueluche, mas talvez a mais famosa seja a Rotavac, que é uma vacina contra o rotavírus, que provoca bastante mortes nos países em desenvolvimento”, diz.

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