Executivos destacam parcerias para acelerar e melhorar serviços bancários


Murillo Ferrari, da CNN, em São Paulo
25 de junho de 2020 às 11:30 | Atualizado 25 de junho de 2020 às 11:40
Evento de tecnologia bancária

Executivos apontaram as parcerias e a inovação como pontos-chave no período pós-pandemia

Foto: CNN

Executivos de bancos, fintechs e statups apontaram as parcerias, especialmente com empresas de tecnologia, como um dos principais fatores para acelerar e melhorar seus serviços durante a crise causada pela pandemia do novo coronavírus.

Em painel da 30ª edição do Ciab, congresso de tecnologia do setor financeiro organizado pela Febraban (Federação Brasileira de Bancos), eles apontaram também que a inovação é cada vez mais necessária para atender as expectativas dos clientes.

Participaram do encontro Walkiria Schirrmeister Marchetti, diretora-executiva do Bradesco, Darlan Costa, superintendente nacional digital da Caixa, Alexandre Riccio, vice-presidente do Banco Inter, Guilherme Horn, diretor de Estratégia e Inovação do Banco BV, e Marc Lahoud, fundador e CEO da QueroQuitar.

“Dentro das duas opções [realizar parcerias e fortalecer estratégias], eu escolho as duas. Temos a convicção que o momento é de acelerar as parcerias e potencializar ao extremo nossas próprias fortalezas. Buscamos essa máxima desde sempre, acreditando que a inovação se dá pelo trabalho colaborativo”, disse Marchetti.

A diretora do Bradesco defendeu também três pilares implementados pelo banco: práticas lean, a arquitetura de TI adaptável e as parcerias, como chave para uma “mobilização sem precedente desde o início da pandemia”.

“A pandemia trouxe luz sobre três valores importantes na nossa visão: o tempo, as nossas capacidades e as nossas parcerias. Longe de ser uma novidade, [a mudança] é a relevância que eles tomaram nas decisões do dia a dia”, completou.

Darlan Costa, da Caixa, afirmou que apesar de ser um banco “com o peso e toda característica que é exigida”, a instituição tem aprendido a se “movimentar como uma fintech”, mas do tamanho do Brasil.

Justamente nesse sentido ele defendeu a importância das parcerias para entregar velocidade e qualidade nos serviços, ainda que com mais desafios por se tratar de uma empresa pública.

“Os clientes do pós-pandemia serão muito mais digitais, ainda mais com o Pix e o open banking os empoderando ainda mais. Sem intensificar essas parcerias para entregar essa melhor experiência, não conseguiremos atuar na velocidade de uma fintech”, concluiu.

No caso do Banco Inter, que já foi criado de forma totalmente digital, Riccio disse que a quarentena teve, dentro do possível, um impacto positivo por amplificar os valores que a empresa tem construído nos últimos anos: ser digital, gratuita e completa.

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“O banco digital consegue entregar uma experiência diferenciada, os clientes conseguem fazer abertura de conta de casa, de forma cada vez mais simples e segura. O segundo aspecto, gratuito, também tem um apelo maior no momento de crise. As pessoas precisam economizar e a gente acaba trazendo um apelo em que o dia a dia bancário não é cobrado”, explicou.

Horn, do Banco BV, apontou ainda que o conceito de inovação mudou muito nos últimos anos, principalmente pelo fim da crença de que apenas mentes brilhantes trariam novidades e também pelo fato de o pelo da ideia ter mudando ao longo dos anos.

“No primeiro caso, muitas pesquisas demonstram que a inovação vem muito mais de pessoas normais, porem a diversidade é muito importante para que isso aconteça. O segundo ponto, a gente sabe hoje que a execução tem muito mais valor que a ideia.”

Ele afirmou ainda que são necessários três elementos para que ocorra inovação nas empresas: diversidade de pessoas, geração de ideia em grande quantidade e o fluxo dessas ideias.

“A necessidade de gerar inovação em uma velocidade muito maior agora é mais do que nunca uma questão de sobrevivência pra qualquer empresa.”

Por fim, Lahoud, CEO da Quero Quitar, destacou que o fato de a empresa atuar, essencialmente, de forma digital permitiu migrar sua operação totalmente para home office em poucas horas e que o período de crise permitiu fechar contratos que aumentaram sua base de dados de 12 milhões para 40 milhões de CPFs.

“Com uma turma pequena, de 25 pessoas, fazemos o trabalho de 1000 funcionários de um call center ou de um centro de cobrança”, afirmou.

Ele disse ainda que é preciso investir mais no país em educação financeira, já que 53% das pessoas que fecham um acordo com uma instituição bancária acabam descumprindo ou quebrando os seus termos no mesmo ano.