Recurso do iPhone 12 pode ser um argumento de venda imbatível

Para a Apple, habilitação do 5G no novo aparelho pode representar nova leva de venda de aparelhos em momento em que a empresa busca atingir US$ 2 tri em valor

Clare Duffy, do CNN Business
11 de agosto de 2020 às 23:56
O celular iPhone, da Apple
O celular iPhone, da Apple
Foto: Tatyana Makeyeva/Reuters (28.set.2019)

Há tempos, o mercado espera que a Apple faça a estreia dos iPhones habilitados para 5G até o final de setembro de 2020.

A novidade será ainda maior: aparentemente, todos os novos lançamentos de telefones da marca neste ano serão capazes de se conectar à próxima geração de redes sem fio superrápidas, de acordo Dan Ives, analista da empresa de investimento Wedbush.

Esse é um marco significativo que pode ajudar a convencer milhões de pessoas a atualizar seus smartphones. O 5G pode tornar o iPhone 12 um produto altamente desejado.

“A gente estava esperando que fossem revelados quatro modelos com uma mistura de 4G e 5G para o iPhone 12, mas, agora com base em verificações da cadeia de suprimentos, achamos APENAS modelos 5G serão lançados no outono (do hemisfério norte)”, escreveu Ives em uma nota para investidores no domingo (9) à noite.

A Apple não respondeu a um pedido de comentário para esta reportagem.

Embora a projeção não tenha sido confirmada oficialmente, o lançamento seria uma jogada inteligente para a Apple (AAPL), gerando uma grande demanda por novos iPhones no momento em que a empresa continua sua marcha para atingir US$ 2 trilhões em estimativa de valor de mercado.

Nos últimos anos, os consumidores têm esperado mais tempo entre as atualizações dos smartphones, uma tendência que pode ser exacerbada pela crise econômica desencadeada pela pandemia do coronavírus. O maior risco para as vendas de novos dispositivos é se “o alto desemprego e a deflação salarial continuarem”, de acordo com Daniel Morgan, gerente sênior de portfólio da Synovus Trust Company.

Mas os analistas esperam que o iPhone 5G gere um “superciclo” de consumidores comprando novos aparelhos. Ives, da Wedbush, disse que estima que cerca de 350 milhões do total de 950 milhões de iPhones no mercado poderão ser atualizados entre o próximo ano e os próximos 18 meses.

“Acreditamos que o iPhone 12 representa o ciclo de produto mais significativo para Tim Cook (CEO da Apple) e cia. desde o iPhone 6 em 2014.

Ele abrirá um outro capítulo decisivo na história de crescimento da Apple no futuro, apesar do ambiente de consumo mais suave”, opinou Ives, acrescentando que acredita que muitos em Wall Street estão “subestimando a enorme demanda reprimida em torno deste super ciclo para a Apple”. Para Morgan, os fortes ganhos da Apple no trimestre encerrado em junho indicam que ela pode suportar as pressões da crise econômica.

Já Ives também prevê que um modelo 4G de próxima geração com preços mais baixos chegará ao mercado no início do próximo ano, o que seria uma oportunidade potencial para atrair consumidores que não podem ou não querem pagar por um telefone 5G.

Fazer um iPhone com conexão 5G pode melhorar a experiência do consumidor com os serviços digitais da Apple, como a Apple TV+. Embora os iPhones tenham sido o maior impulsionador de vendas da Apple, a empresa está cada vez mais dependente de serviços para diversificar suas vendas: a receita geral de serviços atingiu um recorde de US$ 13,2 bilhões no segundo trimestre, impulsionada pela mudança de hábitos alimentada pela pandemia.

A Apple está um pouco atrasada para a arena dos telefones 5G. O iPhone 5G se juntará a uma lista crescente de aparelhos no mercado construídos para se conectar à rede de próxima geração, incluindo modelos da Motorola (MSI), Samsung (SSNLF), Huawei, LG e outros.

A Samsung, um dos mais ferozes concorrentes dos smartphones da Apple, ostentou em janeiro que já detinha mais da metade da participação no mercado global de telefones 5G. Na semana passada, a empresa coreana revelou seu mais recente carro-chefe entre os smartphones, o Galaxy Note 20, que vem com capacidade 5G e um ecossistema de gadgets interconectados.

“Mas, no caso da Apple, trata-se de um ecossistema muito leal”, afirmou Morgan, explicando que isso significa que seus clientes provavelmente estão esperando pela oferta 5G da Apple.

A adoção de telefones 5G deve acelerar à medida que o lançamento da nova rede se expande – os consumidores precisam de um telefone habilitado para 5G para se conectar à nova rede e tirar proveito de seus benefícios – e mais recursos são integrados a ela.

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Nos EUA, a T-Mobile (TMUS) e a AT&T (T) anunciaram que suas redes 5G estão disponíveis em todo o país. Já a Verizon (VZ) continua a desenvolver recursos 5G de alta velocidade em várias cidades de todo o país. A China, um mercado-chave para iPhones, também investiu pesadamente em suas redes 5G.

Ives disse que espera que a Apple lance versões norte-americanas e não americanas do iPhone 5G. Ele prevê que a versão dos EUA será capaz de se conectar às redes 5G mais rápidas (construídas com espectro “mmWave”) “já que alguns problemas de tecnologia parecem ter sido resolvidos pela Apple e seus fornecedores, o que é um claro aspecto positivo neste lançamento crucial”.

O analista também prevê que os novos iPhones estarão à venda em outubro. No mês passado, a Apple disse que, embora os novos iPhones normalmente cheguem às lojas em setembro, neste ano a empresa espera que o suprimento “esteja disponível algumas semanas depois” do normal por causa da pandemia.

(Texto traduzido, clique aqui para ler o original em inglês).