Nasa pesquisa alteração no campo magnético da Terra que pode afetar comunicações


Guilherme Venaglia, da CNN, em São Paulo
20 de agosto de 2020 às 22:55 | Atualizado 20 de agosto de 2020 às 23:21
Anomalia do Atlântico Sul (SAA)

Anomalia do Atlântico Sul (SAA)

Foto: Nasa

Pesquisadores da Nasa monitoram o crescimento gradual de uma espécie de "buraco" no campo magnético que protege a Terra, conforme a agência espacial americana divulgou nesta semana.

Essa falha no campo já era conhecida e não tem efeitos significativos na vida terrestre, tendo sido batizada de Anomalia do Atlântico Sul (SAA, na sigla em inglês).

O "buraco" fica localizado próxima à América do Sul e ao sul do oceano Atlântico. O problema, segundo os pesquisadores, é que ele está se expandindo.

O campo magnético da Terra protege o planeta de particulas de radiação vindas do Sol. Com a anomalia se expandindo, mais partículas podem se concentrar nessa região, podendo afetar computadores de bordo e a coleta de dados por parte de satélites.

Satélites que atravessam a órbita baixa da Terra – até 2.000 quilômetros de altitude – podem ser atingidos nessa região por partículas energizadas e entrar em curto-circuito, tendo a atividade interrompida total ou parcialmente.

A Estação Espacial Internacional também trafega pela região, mas é uma estrutura mais robusta e resistente. Mesmo assim, parte das suas atividades é afetada, como é o caso da missão GEDI (Investigação da Dinâmica do Ecossistema Global).

A missão dispara laser para obter informações do espaço e todos os meses os pesquisadores perdem algumas horas de informação em virtude da falha.

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O objetivo do grupo da Nasa é monitorar as mudanças no campo, que aparenta estar se dividindo em dois focos, o que cria dificuldades adicionais.

Segundo a agência espacial, com o monitoramento será possível preparar novas formas de lidar com os satélites e as missões tripuladas na região.

Além de antever riscos, o comitê da Nasa também quer descobrir novas informações a respeito do núcleo da terra. São os metais que compõem o núcleo externo do planeta, a milhares de quilômetros de profundidade, e que estão permanentemente em movimento que produzem o campo magnético.

A Nasa explica que isso também faz com que o campo não seja perfeitamente estável e alinhado com o planeta. A compreensão mais profunda dessas características pode revelar fatos desconhecidos a respeito dessa geração magnética.