Cientistas encontram indícios de vida em Vênus


Leonardo Lopes*, da CNN, em São Paulo
14 de setembro de 2020 às 12:36 | Atualizado 14 de setembro de 2020 às 15:17

Uma pesquisa feita em colaboração internacional por cientistas dos Estados Unidos, Reino Unido e Japão encontrou indícios de que exista vida em Vênus.

O anúncio foi feito nesta segunda-feira (14) pela Sociedade Astronômica de Londres. O estudo foi publicado na revista científica Nature.

Participaram do estudo cientistas de universidades renomadas, como MIT (Massachusetts Institute of Technology), University of Cambridge e Imperial College London.

Os pesquisadores encontraram gás fosfina na atmosfera do segundo planeta do sistema solar. O gás incolor e altamente tóxico é considerado uma bioassinatura, ou seja, um forte indicador de presença de vida.

No entanto, a detecção de fosfina não significa automaticamente a descoberta de vida em Vênus. Os cientistas ponderam que a presença de fosfina é um "mistério" que pode ter duas respostas: ou foi produzida por alguma forma de vida ou por processos ainda desconhecidos pela ciência.

"Pode haver vida em Vênus? Eu realmente espero que sim. Mas os estudos que temos até então não são suficientes por si só", comentou a líder da pesquisa e professora da universidade de Cardiff, Jane Greaves.

Ela complementou que para provar completamente a hipótese seria necessário coletar amostras da atmosfera para estudo.

A pesquisadora explicou que a descoberta de fosfina foi inesperada, porque é uma molécula formada por um átomo de fósforo e três de hidrogênio.

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Entretanto, há pouco hidrogênio disponível na atmosfera de Vênus. "Então, acreditamos que algo está a produzindo, e uma das possibilidades são microrganismos flutuando na atmosfera", contou Jane.

A fosfina foi identificada em 20 partes por bilhão na atmosfera de Vênus.

As nuvens da atmosfera venusiana são 90% formadas de ácido sulfúrico, o que a torna muito ácida para desenvolvimento de vida.

"Provavelmente estamos falando de organismos unicelulares muito diferentes de algo terrestre. Talvez, eles tenham algum tipo de casca grossa, como enxofre, para se defender do ácido. Portanto, não seriam organismos que reconheceríamos facilmente", analisou a professora Jane.

Vênus é nosso vizinho planetário mais próximo. Semelhante em estrutura e tamanho à Terra, ele possui uma atmosfera espessa e tóxica que retém calor. A temperatura da superfície pode chegar a cerca de 470ºC, suficiente para derreter chumbo.

De acordo com a astrofísica do MIT Clara Sousa-Silva, a fosfina é uma molécula muito difícil de ser feita. Ela só é produzida em processos naturais, como por bactérias anaeróbicas na Terra, ou artificialmente em indústrias ou laboratórios.

Os pesquisadores britânicos iniciaram o estudo procurando por sinais químicos até então não encontrados em Vênus. Ao descobrir fosfina em nuvens da atmosfera, foi firmada uma parceria com o MIT para entender a origem.

"Olhamos por anos para todos os tipos de processos físicos e químicos que poderiam potencialmente produzir fosfina no ambiente de Vênus. Nós concluímos que não há processos abióticos [que não envolvem vida] conhecidos que possivelmente consigam produzir fosfina na quantidade encontrada", comentou o pesquisador do MIT, Janusz Petkowski.

*Sob supervisão de Julyanne Jucá