Cientistas concluem que fóssil encontrado no Brasil é elo com répteis voadores


Raphael Coraccini, colaboração para a CNN Brasil
05 de janeiro de 2021 às 12:47 | Atualizado 05 de janeiro de 2021 às 14:58
Ixalerpeton polesinensis
Representação do Ixalerpeton polesinensis, dinossauro encontrado em São João do Polêsine, região central do Rio Grande do Sul
Foto: Luiz Munhoz/Ulbra

Cientistas encontraram no Rio Grande do Sul o fóssil de um animal que é apontado como a espécie que está na base da evolução das aves. O animal pré-histórico raro que é considerado como a última etapa evolutiva anterior à origem dos pterossauros, os famosos répteis voadores.

Depois de alguns anos de estudo sobre as ossadas encontradas aqui, na América do Norte, Argentina e Madagascar, os paleontólogos conseguiram identificar no Ixalerpeton polesinensis, nome científico do animal, características suficientes para afirmar que a espécie evoluiu para os primeiros animais vertebrados voadores. As conclusões foram publicadas na revista Nature

O estudo teve a participação do Departamento de Biologia da USP e da Associação Sul Brasileira de Paleontologia. Além de cientistas brasileiros, argentinos, americanos, suíços e britânicos participaram da descoberta.

O Ixalerpeton polesinensis pertence à família dos lagerpetídeos, próxima à família dos dinossauros. O animal andou sobre a terra há 230 milhões de anos e tinha um tamanho acanhado em comparação com seus descendentes, 1 metro de comprimento. O fóssil brasileiro foi encontrado em 2009 em São João do Polêsine, região central do Rio Grande do Sul, por pesquisadores da Ulbra. 

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Os pterossauros, sucessores evolutivos do ixalerpeton, foram os primeiros animais a desenvolverem o voo e a maior espécie que já ocupou os céus. Apesar da sua fama, seu passado era um ponto obscuro para a paleontologia até então.

O fóssil brasileiro que ajudou na identificação da espécie estava desarticulado, mas bem preservado. Os estudos recentes que procuraram fazer a reconstituição dos ossos do animal permitiram identificar no crânio um labirinto ósseo bastante desenvolvido, o que indica que a espécie, que era terrestre, estava prestes a desenvolver a habilidade de voo. O metabolismo bastante acelerado do animal também caracteriza a atividade de voo, que recruta muita energia.

“Essa descoberta encurta substancialmente a lacuna temporal e morfológica entre os pterossauros mais velhos e seus parentes mais próximos e, simultaneamente, fortalece a evidência de que os pterossauros pertencem à linhagem aviária dos arcossauros”, diz o estudo. Os arcossauros pertencem ao último grupo de dinossauros apontados como os que antecederam a separação em aves e crocodilos na árvore genealógica dos animais vertebrados.

ERRATA: Ao contrário do que esta reportagem afirmava, os pterossauros não são considarados dinossauros. O texto foi corrigido.