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    CEO da Apple, Tim Cook aposta seu legado em realidade aumentada

    Empresa apresentou o Vision Pro, óculos de realidade mista que dará início à nova era de "computação espacial" e à gestão de Cook, uma inovação empolgante como fez Jobs com o iPhone

    CEO da Apple, Tim Cook, fala sob uma imagem do Apple Vision Pro no Apple Park em Cupertino, Califórnia, EUA
    CEO da Apple, Tim Cook, fala sob uma imagem do Apple Vision Pro no Apple Park em Cupertino, Califórnia, EUA 05/06/2023Joe Pugliese/Apple Inc./Handout via REUTERS

    Clare Duffyda CNN

    Nova York

    Quando Tim Cook assumiu o cargo de CEO da Apple no lugar de Steve Jobs, há quase 12 anos, alguns pensaram que a empresa já estava no auge.

    Sob o comando de Cook, no entanto, o valor de mercado da Apple aumentou mais de 700%, para quase US$ 3 trilhões. O iPhone continuou a ser um rolo compressor, alimentado por novos recursos e estratégias de preços sob sua supervisão.

    E a Apple construiu um robusto negócio de serviços, incluindo produtos pagos de música, TV e jogos, dando à empresa um fluxo constante de receita não dependente da natureza cíclica das vendas de hardware.

    Mas o que faltou na Apple na gestão de Cook foi o tipo de inovação de produto massiva e empolgante, vista durante os anos de Jobs, que poderia mudar a forma como as pessoas interagem com a tecnologia. Até agora.

    Na semana passada, a Apple apresentou o Vision Pro, os óculos de realidade mista que, segundo a empresa, dará início a uma nova era de “computação espacial”. O headset combina realidade virtual e realidade aumentada, uma tecnologia que sobrepõe imagens virtuais em vídeo ao vivo do mundo real. É o maior e mais arriscado lançamento de produto da Apple em anos.

    Há anos, Cook exalta a promessa da realidade aumentada, divulgando seu potencial para ajudar as pessoas a se comunicarem e colaborarem umas com as outras. Em seu evento na semana passada, Cook chamou o headset de “produto revolucionário” e “o primeiro produto que você olha através dele, não para ele”.

    Mas Cook também é mais conhecido como um mentor de operações do que um visionário do produto. Os dois maiores lançamentos de produtos de Cook antes do Vision Pro foram o Apple Watch em 2015 e os AirPods no ano seguinte. Esses produtos provaram ser geradores de dinheiro bem-sucedidos, mas não criaram exatamente um novo paradigma para a empresa ou o setor da mesma forma que o iPhone fez com Jobs.

    O Vision Pro, que estará à venda no início do ano que vem, pode acabar sendo o produto que define o legado de Cook, seja com sucesso ou com fracasso. E seu sucesso é tudo menos garantido.

    Imagem da nova tecnologia de realidade aumentada da Apple / Divulgação/Apple

    A realidade virtual e aumentada continua sendo um mercado a se desenvolver com pouca adoção pelo consumidor convencional.

    A Apple planeja cobrar altos US$ 3.499 pelos óculos, que atualmente tem aplicativos e experiências limitadas e exige que os usuários permaneçam conectados a uma bateria do tamanho de um iPhone. E isso sem falar nos desafios de convencer os usuários a usar regularmente um computador atrelado a seus rostos.

    “O mundo dos headset é um verdadeiro desafio […] provou ser um desafio criar um mercado de massa para isso”, disse Margaret O’Mara, historiadora de tecnologia e professora da Universidade de Washington.

    “O iPhone surgiu depois de muitos anos de empresas, Apple e outras, tentando criar uma espécie de supercomputador no seu bolso, houve um longo histórico de tentativas. E chegou ao mercado quando muita gente já tinha algum tipo de celular”.

    Os seguidores da empresa estão divididos sobre o que o headset pode significar para Cook. Nunca é sábio apostar contra a Apple quando se trata de hardware, mas mesmo que a empresa seja bem-sucedida, provavelmente não dará a Cook e à Apple uma história de sucesso no nível do iPhone, dizem alguns.

    “É extremamente improvável que saia algo próximo ao [sucesso do] iPhone”, disse Mike Bailey, diretor de pesquisa da FBB Capital Partners. “As duas últimas oportunidades – o relógio era bom, os AirPods eram bons e esta é provavelmente a terceira coisa que é legal. Há um histórico agora em que é extremamente difícil mostrar qualquer tipo de crescimento massivo que se compare ao iPhone”.

    Tim Cook
    Tim Cook, CEO da Apple / Foto: Divulgação/Apple

    Mas Tim Bajarin, analista de longa data da Apple e presidente da empresa de pesquisa de tecnologia de consumo Creative Strategies, sugere que o produto mostra o histórico de inovação da Apple e de Cook. “O que a Apple fez [com o Vision Pro] foi reinventar o computador pessoal”, disse ele. “Acabamos de ver o futuro da computação”.

    “Acho que, do ponto de vista de Tim, ele faz isso com uma mentalidade que diz: quando eles vierem até mim dizendo: ‘Isso não pode ser feito’, a gente faz isso acontecer”, disse Bajarin.

    Bajarin acrescentou que o Vision Pro reflete o trabalho de Cook para crescer e melhorar o ecossistema da Apple durante seu tempo como CEO. O headset provavelmente não seria possível sem os pequenos e poderosos chips fabricados internamente durante sua gestão.

    O pacote de serviços da Apple também deixa mais claro para os consumidores algumas das maneiras pelas quais eles poderão usar o dispositivo, como meditação ou assistir a filmes, mesmo antes que o exército de desenvolvedores terceirizados da empresa crie experiências adicionais para o dispositivo, ele disse.

    Por esse argumento, o headset pode servir como ponto culminante para anos de iniciativas de produtos sob o comando de Cook e para seu longo período na empresa.

    O legado de Cook já está definido como alguém que criou valor de mercado com sucesso. Com o headset, ele tem a chance de também ser conhecido como alguém que presidiu a criação de um novo produto de abalar a terra. Isso realmente o colocaria na liga de Jobs.

    Este conteúdo foi criado originalmente em inglês.

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