Com técnica inédita, astrônomos descobrem buraco negro em galáxia vizinha

Buraco negro jovem estava na Grande Nuvem de Magalhães, galáxia próxima à VIa Láctea

Muitas vezes, buracos negros são detectados pela forma como afetam corpos vizinhos
Muitas vezes, buracos negros são detectados pela forma como afetam corpos vizinhos Foto: M.Weiss / CXC - Nasa

Ashley Stricklandda CNN

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Um buraco negro recém-descoberto estava escondido em um aglomerado de milhares de estrelas em nossa galáxia vizinha, a Grande Nuvem de Magalhães.

Ele está a 160 mil anos-luz da Terra e tem 11 vezes a massa do Sol.

Astrônomos descobriram o buraco negro usando o Telescópio Muito Grande (VLT, na sigla em inglês) do Observatório Europeu do Sul, no Chile, e observando como sua gravidade influenciou o movimento de uma estrela próxima, que tem cinco vezes a massa do Sol.

É a primeira vez que essa técnica é usada para revelar um buraco negro e ela pode ajudar pesquisadores a descobrirem outros na Via Láctea e em outras galáxias.

Quanto mais os astrônomos aprenderem sobre buracos negros, mais entenderão como esses objetos cósmicos se formam e mudam ao longo do tempo.

Um artigo descrevendo a descoberta foi aceito para publicação na Sociedade Astronômica Real.

“Assim como Sherlock Holmes procurando pelas pistas de uma gangue, nós estamos olhando para cada estrela neste aglomerado com uma lupa para encontrar evidências da presença de buracos negros, mas sem olhar diretamente para eles”, disse Sara Saracino, líder de pesquisa e membro do corpo docente de engenharia e tecnologia do Instituto de Pesquisa em Astrofísica da Universidade John Moores, de Liverpool, em comunicado.

“O resultado representa apenas um dos nossos suspeitos, mas quando você encontra um, está no caminho certo para encontrar vários outros em diferentes clusters”, disse Sara.

Embora os buracos negros sejam difíceis de detectar, eles tendem a deixar pistas de sua presença por conta de suas ações.

Buracos negros emitem raios-X quando engolem matéria próxima ou criam ondas gravitacionais quanto se chocam uns com os outros ou com estrelas de nêutrons densas.

Mas nem todos os buracos negros são criados igualmente. E este é menor do que outros que os astrônomos já haviam detectado.

Ele só foi percebido quando os astrônomos viram o movimento peculiar de uma estrela dentre muitas.

“A maioria dos buracos negros só pode ser descoberta de forma dinâmica”, disse Stefan Dreizler, coautor do estudo e professor na Universidade de Gottingen, na Alemanha, em comunicado. “Quando eles formam um sistema com uma estrela, isso afeta seu movimento de forma sutil, porém detectável”, completou.

É a primeira vez que astrônomos encontram um buraco negro em um conjunto de estrelas também jovem – com aproximadamente 100 milhões de anos, basicamente a idade de uma criança se comparada ao resto do universo.

No futuro, astrônomos podem usar esse método para encontrar outros buracos negros jovens e entender sua evolução, além de compará-los com buracos negros maiores em aglomerados de estrelas mais antigos para ver como crescem ao longo do tempo.

“Cada detecção que fizermos será importante para nosso entendimento futuro de grupos estelares e os buracos negros contidos neles”, disse Mark Gieles, coautor do estudo e professor-pesquisador na Universidade de Barcelona, Espanha, em um comunicado.

(Texto traduzido. Leia o original aqui.)

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