Criatura microscópica brilha ao enfrentar radiação letal

Quem faz isso é uma espécie de tardígrado, animal microscópico encontrado em ambientes aquáticos e terrestres úmidos

Cepa recém-descoberta de tardígrado usa fluorescência para se proteger da exposição à radiação ultravioleta
Cepa recém-descoberta de tardígrado usa fluorescência para se proteger da exposição à radiação ultravioleta Foto: Sandeep M. Eswarappa

Megan Marples, da CNN

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Níveis mortais de radiação não impedem uma criatura minúscula de brilhar. Uma cepa recém-descoberta de tardígrado (conhecido também como urso-d’água ou leitão do musgo) pode se proteger de níveis letais de luz ultravioleta por meio do próprio brilho, de acordo com um estudo recente publicado na revista acadêmica The Royal Society.

O tardígrado que tem essa característica é denominado Paramacrobiotus BLR. Segundo o autor da pesquisa e professor assistente no Instituto Indiano de Ciência, Sandeep M. Eswarappa, a cepa foi detectada pela primeira vez em Bangalore, na Índia, em uma parede de concreto em um campus universitário.

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Os tardígrados são animais microscópicos encontrados em ambientes aquáticos e terrestres úmidos. O cientista explicou que as criaturas são parentes próximos de vermes e insetos, e conhecidas por sobreviver a muitas condições adversas: com apenas 1 milímetro, elas podem viver depois de serem congeladas por 30 anos, por exemplo.

Eswarappa contou que se inspirou para fazer o experimento depois de assistir a um episódio do programa Cosmos: uma odisseia do espaço-tempo, apresentado por Neil deGrasse Tyson. “Decidi estudar essas criaturas depois de ouvir o doutor Tyson dizer: ‘Os tardígrados sobreviveram a todas as cinco extinções em massa’”, afirmou o pesquisador indiano.

Cepa de tardígrado usa fluorescência para se proteger da exposição à radiação
Os tardígrados microscópicos podem resistir ao congelamento por 30 anos
Foto: Sandeep M. Eswarappa

Para o experimento, Eswarappa expôs o Paramacrobiotus BLR junto a outro tipo de tardígrado, chamado Hypsibius exemplaris, à luz ultravioleta. Todos os tardígrados Paramacrobiotus sobreviveram 30 dias após 15 minutos de exposição aos raios letais. Já o Hypsibius morreu 24 horas depois da exposição.

O tardígrado resistente também foi o único espécime observado no experimento que brilhou sob a luz forte, a qual os pesquisadores revelaram ser a chave para a sobrevivência dele. A equipe de pesquisa sugeriu que o tardígrado conta com um escudo fluorescente que absorve a luz nociva e emite uma luz azul inofensiva, o que o faz brilhar.

A luz ultravioleta usada no experimento é mais forte do que a luz ultravioleta que chega à Terra vinda do Sol, aquela com a qual a maioria dos humanos está familiarizada. No entanto, Eswarappa disse não saber se a luz ultravioleta do experimento é exatamente a mesma que a luz ultravioleta vinda do Sol.

Depois de descobrir que a habilidade de brilhar era a arma secreta dos tardígrados, Eswarappa fez um extrato fluorescente da cepa Paramacrobiotus BLR e o utilizou para cobrir o outro tipo de tardígrado. Quando exposto à luz ultravioleta, este tardígrado protegido, que originalmente morreria devido à exposição à radiação após um dia, mostrou tolerância parcial.

Eswarappa afirmou que planeja conduzir experimentos adicionais e possivelmente aplicar sua descoberta em uma escala muito maior. Se sintetizado em grandes quantidades, o extrato fluorescente feito do tardígrado brilhante pode se tornar um protetor solar para humanos, segundo o cientista.

(Texto traduzido. Leia o original em inglês.)

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