Prime Time

seg - sex

Apresentação

Ao vivo

A seguir

    Lançamento do Starliner, da Boeing, foi adiado por tempo indeterminado

    Após uma década de atrasos e obstáculos em sua construção, aeronave volta a ficar sem previsão para o teste tripulado

    Nave espacial Starliner em preparação para voo na Estação da Força Espacial Americana em Cabo Canaveral (Flórida)
    Nave espacial Starliner em preparação para voo na Estação da Força Espacial Americana em Cabo Canaveral (Flórida) Joel Kowsky/NASA via Getty Images

    Deblina Chakrabortyda CNN

    A tão esperada viagem inaugural tripulada do Boeing Starliner que estava agendada para este sábado (25) foi adiada — e até o momento Nasa não anunciou uma nova data. “A equipe tem estado em reuniões por dois dias consecutivos, avaliando a justificativa do voo, o desempenho do sistema e a redundância”, disse a agência em um comunicado. “Ainda há trabalho a ser feito nessas áreas, e a próxima oportunidade de lançamento ainda está sendo discutida.”

    A atualização ocorreu após vários atrasos anteriores neste mês e uma semana depois que as equipes da missão Starliner relataram um pequeno vazamento de hélio no módulo de serviço da espaçonave. Eles rastrearam o vazamento até uma peça chamada flange em um único propulsor do sistema de controle de reação, onde o hélio é usado para permitir que os propulsores funcionem.

    Há poucos dias, a Nasa anunciou que as equipes não estavam planejando lançar antes de 25 de maio, dizendo que o tempo adicional antes do lançamento daria aos especialistas mais tempo para avaliar o problema, embora as análises até aquele momento tivessem constatado que o vazamento não representa uma ameaça à missão.

    “Os testes de pressão realizados em 15 de maio no sistema de hélio da espaçonave mostraram que o vazamento na flange é estável e não representaria um risco nesse nível durante o voo”, disse a agência espacial em um comunicado de imprensa na última sexta-feira (17).

    “Também foi indicado que o restante do sistema de propulsores está selado de forma eficaz em todo o módulo de serviço. As equipes da Boeing estão trabalhando para desenvolver procedimentos operacionais para garantir que o sistema mantenha capacidade de desempenho suficiente e redundância apropriada durante o voo.”

    Esta missão, chamada de Teste de Voo Tripulado, pode ser o último grande marco antes da Nasa considerar a espaçonave da Boeing pronta para operações rotineiras como parte do Programa de Tripulação Comercial da agência federal. O voo histórico estava a cerca de duas horas do lançamento, em 6 de maio, quando foi cancelado devido a um problema com uma válvula no segundo estágio, ou parte superior, do foguete Atlas V que levará o Starliner ao espaço.

    Os astronautas da Nasa designados para tripular a missão para uma estadia de uma semana na Estação Espacial Internacional, Suni Williams e Butch Wilmore, estavam em quarentena pré-voo, mas retornaram a Houston em 10 de maio para passar um tempo com suas famílias, disse a Boeing na semana passada.

    “A Nasa compartilhará mais detalhes assim que tivermos um caminho mais claro à frente”, disse a agência espacial em seu último comunicado.

    Objetivos históricos da Boeing

    O Teste de Voo Tripulado está em desenvolvimento há uma década — resultado dos esforços da Boeing para desenvolver uma espaçonave digna de transportar astronautas de e para a Estação Espacial Internacional sob o programa comercial da Nasa.

    O lançamento marcaria apenas a sexta viagem inaugural de uma espaçonave tripulada na história dos EUA, observou o administrador da agência espacial, Bill Nelson, em uma conferência de imprensa no início deste mês. “Começou com Mercury, depois com Gemini, depois com Apollo, o ônibus espacial, depois o Dragon (da SpaceX) — e agora Starliner”, disse ele.

    A Boeing projetou o Starliner para rivalizar com a prolífica cápsula Crew Dragon da SpaceX e expandir as opções dos EUA para transportar astronautas para a Estação Espacial. A bordo, Williams também fará história como a primeira mulher a embarcar em tal missão.

    Astronautas Butch Wilmore e Suni Williams se preparando para o lançamento do Teste de Voo da Tripulação do Boeing CST-100 Starliner no dia 6 de maio
    Astronautas Butch Wilmore e Suni Williams se preparando para o lançamento do Teste de Voo da Tripulação do Boeing CST-100 Starliner no dia 6 de maio / Nasa/Joel Kowsky

    Um começo difícil

    Problemas no desenvolvimento, em voos de teste e outros contratempos custosos atrasaram o caminho do Starliner até a plataforma de lançamento. Enquanto isso, o rival da Boeing no programa comercial de tripulação da Nasa — SpaceX — tornou-se o principal fornecedor de transporte para os astronautas da agência espacial.

    Williams e Wilmore já estavam em seus assentos a bordo da cápsula Starliner em 6 de maio quando os engenheiros encontraram um problema e interromperam o lançamento. A equipe da United Launch Alliance, que constrói o foguete Atlas V, identificou uma válvula de regulação de pressão em um tanque de oxigênio líquido que precisava ser substituída. A peça foi trocada, mas o problema mais recente com o vazamento de hélio na espaçonave da Boeing que está no topo do foguete causou mais um atraso.

    Quando a espaçonave for lançada como planejado, ela e os astronautas a bordo se separarão do foguete Atlas V após atingirem a órbita, enquanto o Starliner começa a disparar seus próprios motores. O veículo provavelmente passará mais de 24 horas gradualmente se dirigindo à estação espacial. Williams e Wilmore devem passar cerca de uma semana no laboratório orbital, juntando-se aos sete astronautas e cosmonautas já a bordo, enquanto o Starliner permanece atracado do lado de fora.

    A tripulação histórica então retornará para casa a bordo da mesma cápsula, que deve pousar com paraquedas em um dos vários locais designados no sudoeste dos Estados Unidos.

    *Jackie Wattles e Ashley Strickland, da CNN, contribuíram para esta história.

    Este conteúdo foi criado originalmente em inglês.

    versão original