Prime Time

seg - sex

Apresentação

Ao vivo

A seguir

    Por que tomamos choque ao encostar em outra pessoa ou objeto?

    Apesar de incômoda, a descarga não traz riscos, na maioria dos casos, e pode ser evitada com medidas simples

    Quando um corpo acumula carga negativa, ele pode descarregar essas cargas em outra pessoa, "dando choque"
    Quando um corpo acumula carga negativa, ele pode descarregar essas cargas em outra pessoa, "dando choque" Andy Andrews/GettyImages

    Gabriela Maraccinida CNN

    Já aconteceu de você encostar em uma pessoa ou um objeto e, de repente, sentir um leve choque? A situação, apesar de desconfortável, é algo normal e que pode acontecer devido a alguns fatores físicos e ambientais.

    De acordo com Edval Delbone, professor do curso de Engenharia Elétrica do IMT (Instituto Mauá de Tecnologia), isso acontece devido ao acúmulo de energia estática, ou eletricidade estática.

    “Se você acumula elétrons no seu corpo e fica com um acúmulo maior de carga negativa, ao encostar em algum metal, por exemplo, ou em outra pessoa, há uma descarga dessa energia estática”, explica Delbone à CNN.

    O professor explica que a tendência de todos os corpos, seja vivos (como o ser humano) ou não (como objetos), é ter um corpo neutro, ou seja, com a mesma quantidade de cargas positivas (prótons) e negativas (elétrons).

    “Se houver uma diferença, ou seja, se eu tiver mais cargas negativas e encostar em uma pessoa que tem menos, esses elétrons saem do meu corpo com maior acúmulo e vão para o corpo com menor acúmulo. Eles fazem isso para buscar o equilíbrio, porque a tendência é haver um equilíbrio entre os corpos”, esclarece.

    Por que esse desequilíbrio acontece?

    Se o normal é ter um corpo neutro, o que pode levar ao desequilíbrio entre cargas positivas e negativas no nosso corpo? De acordo com Delbone, existem diversos fatores que podem levar ao aumento de elétrons em um corpo e, consequentemente, à descarga de energia estática.

    Um deles é o clima. “Quando o clima está úmido, é mais fácil uma pessoa liberar elétrons, porque o ar úmido é um condutor e isso faz com que as pessoas tenham mais facilidade para descarregar as cargas elétricas”, afirma.

    No clima muito seco, o contrário acontece: o ar seco dificulta a liberação de carga negativa, o que faz com que as pessoas acumulem mais elétrons no corpo, facilitando a descarga ao encostar em outra pessoa.

    A roupa que usamos também é um fator. As roupas sintéticas, por exemplo, facilitam o acúmulo de cargas negativas no corpo, segundo o professor.

    Esses choques são prejudicais?

    Apesar de serem incômodos, esses choques não são prejudiciais à saúde, de acordo com Delbone. “É uma descarga basta rápida, de curta duração, então não apresenta nenhum perigo”, afirma.

    No entanto, o professor alerta para pessoas que trabalham com materiais inflamáveis, como combustíveis. “Em alguns casos, esses choques podem soltar faíscas, o que, ao entrar em contato com materiais inflamáveis, podem causar incêndios. Então, esses profissionais devem ter um maior cuidado”, ressalta.

    Tem como evitar esses choques?

    Apesar de não ser prejudicial, na maioria das vezes, é possível evitar dar choques em outras pessoas com algumas medidas simples. De acordo com o professor, para isso, a recomendação é aumentar a umidade do corpo. “Beber água regularmente, usar umidificador em ambientes secos, manter plantas dentro de casa, tudo isso facilita a reduzir esses elétrons em excesso no corpo”, elenca Delbone.

    Além disso, é interessante evitar o uso de roupas com tecido sintético, optando por itens confeccionados em algodão ou em seda. O calçado também influencia. “Sapatos com solas de couro conduzem melhor a energia e ajudam a jogar esse acúmulo de elétrons para fora do corpo”, afirma.

    Andar descalço, seja na terra ou no chão de casa, também ajuda a evitar o acúmulo de cargas negativas no corpo. “Ao ter mais contato com o piso ou com a terra, você está facilitando a descarga de elétrons para fora do corpo, evitando o acúmulo dessas cargas”, acrescenta Delbone.