“Somos dependentes do marketing pessoal que as redes representam”, diz Karnal

O historiador caracterizou a queda de várias redes sociais nesta segunda-feira (4) como "uma ocasião de estranhamento e pedagógica"

Produzido por Juliana Alvesda CNN

em São Paulo

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Em entrevista à CNN, o historiador Leandro Karnal afirmou que “somos dependentes do marketing pessoal que as redes representam”. De acordo com ele, a sociedade criou um hábito a partir das ferramentas do mundo digital, e teve que lidar com a sua abstinência após a queda das redes sociais mais famosas nesta segunda-feira (4).

“Os hábitos só precisam de uma repetição para o cérebro interpretar, com aquele looping de ocasião, hábito e recompensa. Hoje nós perdemos a ocasião, o hábito e a recompensa”, disse Karnal

Nesta segunda-feira (4) o WhatsApp, o Instagram, o Facebook e o Messenger ficaram fora do ar. Após seis horas, todos retomaram o serviço, com exceção do primeiro, que só voltou a funcionar depois de sete horas.

Ao CNN Brasil Business, o WhatsApp afirmou que “está investigando o motivo dessa instabilidade” e que irá “compartilhar novidades” assim que tiver completado a investigação. Já Facebook se manifestou por meio do perfil no Twitter.

“Estamos cientes de que algumas pessoas estão tendo problemas para acessar nossos aplicativos e produtos. Estamos trabalhando para que as coisas voltem ao normal o mais rápido possível e pedimos desculpas por qualquer inconveniente”, disse a empresa.

O Instagram, por sua vez, disse também pelo Twitter que a rede social estava “passando por um momento difícil”. “Tenha paciência conosco, estamos trabalhando nisso”, disse a empresa.

“Essa oportunidade, que infelizmente prejudicou negócios, é para pensarmos quem é que possui o celular. Se o celular nos possui ou nós possuímos a ele”, pontuou Karnal sobre o caso.

“É uma ocasião de estranhamento e pedagógica”, completou.

Abstinência

De acordo com Karnal, com a queda das redes sociais, “é natural que tenhamos uma síndrome de abstinência”. Segundo o estudioso, o mundo digital incorporou a vida das pessoas, tanto no âmbito pessoal como profissional.

“As redes criaram uma segunda vida e esta é importante pessoalmente e profissionalmente”, afirmou.

“É uma máscara que se grudou ao rosto. As pessoas se sentem mal porque gostariam de levar a vida que aparece no Instagram e no Facebook, e elas levam mais a vida que aparece na foto do seu RG.”

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