Cientistas descobrem “super golfinho” feroz e com presas

Ictiossauro marinho foi descoberto na Colômbia

Animação da espécie Kyhytysuka sachicarum que vagou pelo oceano durante o período CretáceoDirley Cortés
Animação da espécie Kyhytysuka sachicarum que vagou pelo oceano durante o período CretáceoDirley Cortés Dirley Cortés/Divulgação

Megan Marplesda CNN

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Cientistas revelaram uma recém descoberta espécie de ictiossauro marinho com dentes afiados encontrado na Colômbia.

O crânio parcial de um ictiossauro, um réptil marinho extinto, que aparenta um peixe-espada, foi desenterrado em Loma Pedro Luis, Villa de Leyva, em Boyacá, na Colômbia, nos anos 70, de acordo com um estudo publicado no Journal of Systematic Palaeontology. Entretanto, naquela época, o espécime foi classificado incorretamente como uma diferente espécie chamada Platypterygius sachicarum.

Dirley Cortés, doutoranda no Museu Redpath na Universidade McGill em Montreal, fez uma nova análise do fóssil e descobriu que ele foi categorizado incorretamente. O crânio de um metro, tem idade entre 130 e 115 milhões de anos e é do período Cretáceo, segundo Cortés. Este período vem após o evento de extinção global no final do período Jurássico, disse ela.

A Colômbia foi o “local de biodiversidade ancestral”, disse Cortés, então fósseis como esse réptil marinho identificado recentemente, atuam como peças de  umquebra-cabeça para compreender a evolução dos ecossistemas marinhos.

Arcada dentária dá pista de uma espécie diferenciada

Outros ictiossauros possuem dentes pequenos e de tamanho padronizado para comer pequenas presas, disse Cortés. Em contrapartida, os dentes no crânio do espécime se “modificaram em tamanho e espaçamento para construir um arsenal dentário” e capturar presas maiores, complementa a candidata.

Os dentes facilitariam para que predadores de tamanho considerável pudessem capturar, perfurar, serrar e esmagar presas grandes, disse Cortés. Algumas de suas refeições poderiam ter incluído outros répteis marinhos e peixes grandes, complementa.

A criatura carnívora tinha um focinho alongado e cerca de 4 a 5 metros de comprimento (13.1 a 16.4 pés), disse Cortés. O animal conseguiria abrir sua mandíbula cerca de 70 a 75 graus, tornando mais fácil comer animais maiores.

As espécies foram classificadas como Kyhytysuka sachicarum, que significa “aquele que corta com algo afiado de Sáchica“, na linguagem ancestral dos Indígenas Muisca da Colômbia. “Sáchica” é uma cidade próxima à Villa De Leyva, local onde o crânio parcial foi encontrado.

Entendendo os ecossistemas marinhos em período de transição

A pesquisa ocupa um lugar especial no coração de Cortés porque o espécime foi encontrado onde ela cresceu, disse a candidata.

“A minha pesquisa de doutorado tem implicações diretas no desenvolvimento paleontológico na Colômbia e nos Neotrópicos, um campo que ainda está emergindo em comparação à história em países desenvolvidos, então é gratificante poder pesquisar por aqui também”, escreveu Cortés em e-mail.

Após a descoberta, Cortés disse que está voltando sua atenção para a análise de fósseis no Centro de Investigaciones Paleontológicas de Villa de Leyva, Colômbia.

“Nós estamos descobrindo muitas novas espécies que estão nos ajudando a entender a evolução do ecossistema marinho durante um período de transição”, explica Cortés.

Em sequência ao evento global de extinção, a Terra estava passando por um período de geadas com o aumento dos níveis do mar, disse Cortés. A Pangeia, supercontinente, também estava se separando entre os hemisférios norte e sul, complementa.

(Texto traduzido. Leia o original aqui).

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