Naxos: a ilha dos deuses gregos ainda pouco conhecida pelos brasileiros

A maior ilha do arquipélago das Cíclades, na Grécia, é o tipo de lugar que atende às necessidades de toda a família durante as férias, e ainda conta com muita história, gastronomia mediterrânea e clima agradável

Portara, assim como o próprio nome sugere, é um grande portal que fica na entrada principal de Naxos, ao norte do porto, na ilhota de Palatia
Portara, assim como o próprio nome sugere, é um grande portal que fica na entrada principal de Naxos, ao norte do porto, na ilhota de Palatia Alex Coelho

Rodrigo Zanettida CNN

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Quem decide visitar Naxos, a maior ilha do arquipélago das Cíclades, na Grécia, deve se preparar para encontrar não só belas praias, comida mediterrânea e um clima agradável.

Esse destino, que está se tornando cada vez mais procurado pelos brasileiros, mostra-se uma verdadeira caixinha de surpresas cheia de mitologia, diversão e paisagens únicas.

Naxos é o tipo de lugar que atende às necessidades de toda a família durante as férias, pois oferece desde parque de diversões para crianças, passando por lojas, restaurantes, discotecas e até sítios arqueológicos. E muitas praias, lógico.

Portara e o templo dos deuses

Portara, assim como o próprio nome sugere, é um grande portal que fica na entrada principal de Naxos, ao norte do porto, na ilhota de Palatia.

Além de ser o cartão-postal principal da ilha, a cidade dá as boas-vindas aos visitantes mesmo antes deles terem pisado em Naxos, pois é possível ver a construção há dezenas de metros de distância devido ao seu tamanho.

Essa magnífica obra, que teria 59 metros de comprimento por 28m de largura e começou a ser construída em 530 a.C., nunca chegou a ser concluída, restando apenas três peças de mármore com cerca de 20 toneladas cada e medindo 6m de altura por 3,5 de comprimento.

Uma corrente de historiadores afirma que Portara era para ser o tempo do deus Apolo, já outros estudiosos acreditam que a construção seria o templo de Dionísio, o deus do vinho e patrono de Naxos.

Hoje o local se tornou além da porta de entrada da ilha, o destino perfeito para apreciar o pôr-do-sol. E o melhor tudo, a visitação é grátis!

Chora, a capital

Assim que o turista chega ao porto de Naxos, ele se depara com a capital da ilha, Chora. A cidade, que é repleta de cafés, restaurantes, discotecas e hotéis, se diverge um pouco da típica paisagem das ilhas gregas.

Pequenos prédios modernos de três andares foram construídos no meio das casinhas brancas, típicas das Cíclades. O sinal da modernidade também pode ser visto dentro de muitos bares que ficam na zona portuária, o ponto de encontro dos jovens durante a noite.

Os estabelecimentos são modernos e confortáveis e na maior parte do tempo têm um DJ tocando até altas horas. Por um minuto você pode pensar que está em Ibiza, na Espanha.

Na parte mais alta de Chora fica o burgo, ou seja, a cidade medieval, cheia de vielas e passagens estreitas, muitas vezes repletas de turistas visitando as pequenas lojas de roupa, artesanato e souvenirs.

É lá no topo da montanha que fica o castelo de Kastro, uma das obras construídas pelos venezianos mais bem preservadas das Cíclades.

O antigo castelo possuía três portões de entrada, porém apenas dois foram preservados: a entrada sudeste e principal chamada “Paraporti” e o portão norte, “Trani Porta”.

Na parte antiga da capital da ilha também se encontram o Museu Arqueológico de Naxos, onde os visitantes encontrarão achados importantes como cerâmicas, objetos do período romano, armas feitas de bronze e até urnas funerárias feitas de ouro.

Na cobertura do prédio fica um mosaico representando uma mulher seminua montando num monstro marinho.

Próximo ao museu também existe a igreja ortodoxa Panagia Theoskepasti, uma das mais antigas da ilha, e os Monastérios dos Capuchinos e das Ursulinas, locais que não podem faltar no roteiro.

Até aqui os passeios podem – e devem – ser feitos a pé, mas antes de começar a explorar o resto da ilha o turista precisará decidir se vai alugar um carro para percorrer parte dos 429 km² de extensão do local, um quadriciclo – também conhecido com ATV – ou se usará o transporte público.

Caso a decisão seja a última opção, é bom lembrar que os ônibus não cobrem todas as partes da ilha, principalmente os sítios arqueológicos mais afastados de Chora (€ 2 o ticket do ônibus, que deve ser comprado com antecedência nos mercados ou lojas de conveniência).

Uma outra alternativa seria contratar passeios em agências de turismo espalhadas pela ilha, o que maximiza o tempo da viagem. Isso torna o roteiro mais prático e cômodo.

Na frente do porto de Naxos, o visitante encontrará dezenas de agências, que servem também como serviço de informação turística. Uma sugestão é a Naxos Bus Transfer que oferece guias especializados e veículos para passeios coletivos ou privados.

Naxos, suas vilas e igrejas

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Panagia Filotitissa, a principal igreja da vila de Filoti, em Chora, Naxos/ Alex Coelho

Filoti, uma das vilas mais famosas de Naxos, é um verdadeiro contraponto a agitação de Chora. Na praça central, Gefyra, existem diversos cafés, restaurantes e lojas de produtos variados, incluindo as especialidades do local, derivados de carne de cordeiro, cabra e queijos.

Em agosto, acontece na Panagia Filotitissa, a principal igreja da vila, o maior festival religioso de Naxos, a Assunção da Virgem Maria. São três dias de festa com comidas típicas, músicas e danças.

Outra vila que deve fazer parte do roteiro é Apiranthos, localizada nas encostas do Monte Fanari a 600m do nível do mar. Na entrada do vilarejo fica a Torre Zevgolis, construída em pedra no século 17.

O local é relativamente pequeno, mas merece uma parada para um café enquanto se aprecia as vielas revestidas em mármore, flores coloridas que enfeitam praticamente todas as casas e a vista panorâmica da região – Paros e Mykonos, duas ilhas vizinhas a Naxos, podem ser vistas de lá.

Não muito longe de Apiranthos fica o vilarejo de Halki (Chalki), bem no centro geográfico da ilha. A antiga capital de Naxos era também o entreposto de mercadorias produzidas na região, principalmente os vegetais, que continuam sendo uma grande parcela da economia local.

Em Halki, é possível ver as antigas mansões neoclássicas com varandas grandes e telhados adornados que provam a prosperidade da vila no passado, a antiga igreja Panagia Protothroni, que funciona ininterruptamente desde 1052, e o prédio da destilaria Vallindras, pioneira na produção do licor Kitron, uma bebida exclusiva de Naxos.

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Panagia Drossiani, a igreja data do século 6/ Alex Coelho

Nessa mesma rota também fica outro ponto turístico da ilha, a igreja de Panagia Drossiani. Alguns dos afrescos conservados na parte interior datam do século 6 e são considerados os mais antigos dos Balcãs, enquanto os restantes pertencem ao período entre os séculos 11 e 14.

Para quem tem mais tempo no roteiro pode incluir uma visita a Tripodes (Vivlos), uma aldeia pitoresca com as típicas casas brancas das Cíclades com direito a uma foto com os moinhos de vento, e a vila de Eggares, onde fica o tradicional Museu do Azeite Eggares em operação desde o final do século 19.

A entrada, assim como o tour guiado, é gratuita e no final o visitante pode provar os diversos tipos de azeites que são vendidos no local.

Kouros de Naxos e os sítios arqueológicos

Museu Arqueológico do Templo de Dimitras, em Naxos, na Grécia/ Alex Coelho

Para os amantes de história, Naxos é literalmente um museu a céu aberto.

Um exemplo disso são os Kouros, grandes estátuas inacabadas de figuras jovens e despidas feitas de mármore. Elas estão localizadas nas áreas de Flerio (Melanes) e Apollonas, datam do século 6 a.C e foram abandonadas nas pedreiras de mármore, material abundante na região.

Na antiguidade era comum esculpir obras desse porte diretamente nas jazidas, porém o acabamento da estátua seria feito somente no destino final.

Acredita-se que durante o transporte os membros das estátuas se quebraram – a perna do Kouros em Apollonas e os pés das figuras em Melanes – e por isso elas foram abandonadas.

A estátua de Apollonas, a mais bem preservada, mede 10.7m de comprimento e pesa mais de 80 toneladas. Já os dois Kouros de Flerio medem cerca de 5m cada. A visitação de ambos os locais é gratuita.

Outra visita obrigatória para quem gosta de história antiga é o Templo e Santuário de Dimitra, perto da aldeia de Sagri. Acredita-se que esse templo, construído por volta de 530 a.C. em estilo clássico, foi erguido em homenagem às divindades relacionadas a fertilidade da terra pois é muito próximo a áreas apropriadas para a agricultura.

No local também existe um museu onde os visitantes podem ver algumas peças retiradas das escavações do templo.

Em Naxos, ainda existem os sítios arqueológicos de Grotta, os aquedutos que ligam Barou a Kaminia, o templo de Dionísio em Yria entre outros.

Praias para todos os estilos

Em Naxos, o turista vai encontrar praias para todos os gostos, sendo que a maioria delas está localizada na parte oeste da ilha, que também é a área mais desenvolvida.

Para quem viaja com crianças a dica é visitar a praia de Saint George, ao lado da capital Chora. O mar é bem calmo e raso, além de ficar próximo a tavernas, bares, banheiros etc. Aliás, para quem gosta de comodidade, essa região é também indicada para hospedagem.

Plaka, a maior praia em extensão e a favorita entre os hippies, junto com Agios Prokopios e Agia Ana são consideradas as mais famosas de Naxos. Elas são bem organizadas com banheiros, bares com espreguiçadeiras, estacionamentos, hotéis etc.

Em Agia Ana, o destaque vai para o Santana Beach Club, local de encontro das celebridades e para o tradicional restaurante “Gorgona”.

As praias de Aliko e a Agios Georgios ficam mais distantes e são ideais para quem gosta de fazer snorkeling. Para os aventureiros a dica é Panormos, no leste da ilha, assim como a maioria das praias selvagens ao norte.

Já quem gosta de privacidade e sossego não pode deixar de visitar Orkos. Por fim, para os amantes de windsurf e kitesurf o lugar perfeito é a praia de Mikri Vigla.

Os sabores regionais

Restaurante à beira-mar em Naxos/ Alex Coelho

As batatas cultivadas em Naxos são sem dúvida o grande destaque da ilha, tudo por conta do seu sabor adocicado e particular.

Esse vegetal tubérculo quando não é o prato principal integra os ingredientes que compõem a refeição de destaque. Aliás, de tão famosas, as batatas de Naxos acabam sendo exportadas para o resto da Grécia e Europa.

Mas não é só de batatas que uma tradicional cozinha em Naxos é composta. Cada vila tem uma receita típica, mas uma delas se destacam por toda a ilha, o Kalógeros, uma espécie de berinjela assada com carne guisada e queijo.

Muito comum nos restaurantes, o Kalógeros é um prato leve e cai bem tanto no verão quanto no inverno. A dica aqui é “Meze – Meze”, em Chora, que serve não só a tradicional receita, mas algumas outras variações.

Naxos também é famosa por seus queijos variados, muitas vezes produzidos artesanalmente. Gruyère de Naxos, talvez o mais famoso da ilha, é feito com 80% de leite de vaca e 20% de ovelha ou cabra. O resultado final é um queijo amarelado com um sabor inconfundível.

As cores e todo o charme de Naxos, na Grécia/ Alex Coelho

Arseniko é um queijo duro produzido com leite de ovelha com um pouco de soro. Sua cor também é amarelada e o sabor é apimentado.

Xinomyzithra, que é feito com soro do leite de cabra, é cremoso e fica pronto em apenas 24 horas, porém como é fresco deve ser consumido em poucos dias.

Na lista de queijos ainda aparecem o Kopanisti, cremoso e apimentado, o Thylikotyri, ideal para saborear com um vinho, e o Komos, que é feito com ervas aromáticas e tem pouca gordura.

Por fim não podemos deixar de mencionar o licor Kiton, a bebida tradicional de Naxos, que é feita com cidra e se apresenta em três versões de teor alcóolico: a verde (mais suave), branca (média) e amarela (mais forte).

Como chegar em Naxos

O turista pode usar os aeroportos internacionais de Athenas, Mykonos ou Santorini e, em seguida, seguir para Naxos de ferry. De Athenas, as balsas saem do porto de Piraeus.

Naxos também possui um pequeno aeroporto que conecta a ilha a capital Athenas, porém é bom checar a disponibilidade dos horários e companhias aéreas que operam no local.

Para quem quiser otimizar a viagem também é possível visitar as ilhas vizinhas de Paros e Mykonos. Existem passeios de barco saindo do porto de Naxos todos os dias, assim como ferries que fazem esse trajeto.

Para mais informações acesse http://visitgreece.gr.

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