Arraiá d’A Baianeira celebra cultura brasileira nas ruas da Barra Funda

Mais que uma festa, um ato de resistência cultural: chef Manu Ferraz celebra 11 anos de arraiá na rua com comida típica e música ao vivo

Tina Bini, do Viagem & Gastronomia
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No próximo domingo (29), a rua Dona Elisa, na Barra Funda, em São Paulo, será tomada pela energia, pelos aromas e pelos sons do 11º Arraiá d’A Baianeira. Criado pela chef Manu Ferraz, o evento nasceu para comemorar o aniversário do restaurante A Baianeira, mas com o tempo se transformou em algo muito maior: uma celebração da cultura popular brasileira em sua forma mais genuína.

“No Sul de Minas, onde cresci, a festa junina é quase mais importante que o Natal. É quando a gente vai pra rua, estende a mesa, acende a fogueira e divide o que tem”, conta Manu.

Com entrada gratuita, Manu Ferraz foi uma das primeiras a levar a festa junina para a rua da capital dentro do contexto da gastronomia. “O arraiá não é só um festejo do restaurante. Ele virou uma forma de preservar e compartilhar nossa cultura. É uma forma de sermos guardiãs dessa tradição”, afirma. Na última edição, o evento atraiu cerca de 4 mil pessoas e a expectativa é superar o número este ano.

A chef completa que o Arraiá é também um recado: somos um só Brasil. Do Norte ao Sul, do sertão ao litoral, nos conectamos por meio dessas festas populares, que misturam tudo e, principalmente, pessoas de todas as classes, idades, crenças e histórias.

“No interior, a igreja é o centro, o ponto de encontro da cidade. A quermesse, mesmo com origem religiosa, vira um espaço de união. Já nas grandes cidades, esse papel é da rua — e a rua tem sido, cada vez mais, o lugar onde a gente se reconhece como povo,” reflete Manu.

Comida de verdade, Brasil inteiro no prato

No cardápio, nada de simplificar a cultura junina apenas ao milho. Manu faz questão de representar os diversos sabores juninos do Brasil, então, espere por itens como baião de dois com farofa (R$ 37), cachorro-quente (R$ 28), linguiça com tutu (R$ 38), jaca louca (R$ 29) e até um porco inteiro será assado.

“Ter um animal inteiro assado tem um peso simbólico enorme. Representa fartura, celebração. É quase uma reza para que o ano seja bom para todo mundo”, diz a chef.

Claro, o milho estará presente, e em diversas formas: pamonha (R$ 21), canjica (R$ 19), pipoca (R$ 10), cozido (R$ 12) ou como cuscuz paulista (R$ 19).

Para acompanhar, o Goró de Mainha (R$ 25) ganha uma edição especial, ao lado do quentão (R$ 15) e da cerveja gelada (R$ 15) — porque festa boa tem que ter brinde.

Música, dança e tradição

A festa conta com três bandas ao vivo ao longo do dia — entre elas, Jhon Batista convida Jessica Reis, das 13h às 14h20, Bruna Alimonda - Forró das antigas, das 14h30 às 16h30, e Mestre Sapopemba - Especial arrasta pé, das 17h às 19h. O evento vai das 13h às 19h, com espaço para todas as idades. Um palco baixinho aproxima artistas e público, mantendo a proposta de uma festa de rua viva e acessível.

  • 11º Arraiá d’A Baianeira
    Data: Domingo, 29 de junho
    Horário: Das 13h às 19h
    Onde? Rua Dona Elisa – Barra Funda, São Paulo
    Entrada gratuita
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