Mirando sustentabilidade, vinícola “purista” lança vinhos com selo da COP30
Ação é inédita e busca enaltecer ações ambientais dentro da produção de vinhos do Brasil

Os gaúchos da vinícola Lidio Carraro decidiram dar mais um passo importante no campo das práticas sustentáveis e na filosofia purista para a produção de vinhos no Brasil. Todos os rótulos comercializados em Belém, no Pará, estão com um selo da COP30, a Conferência do Clima, que ocorrerá na cidade em novembro.
A ação iniciou há poucas semanas e tem conectado os princípios enológicos da vinícola com os objetivos das discussões que a COP leva ao mundo, como o menor impacto ambiental no manejo e no cultivo, além da diminuição da intervenção humana no processo produtivo.
Desde 1998, a família Carraro se diz a precursora do movimento viticultor “purista” em território nacional. O movimento defende a expressão total e natural do terroir onde estão plantados os vinhedos, antes mesmo da popularização dos conceitos de “agricultura orgânica” ou “biodinâmica”.
Para isso acontecer, os enólogos promovem um minucioso equilíbrio nutricional das plantas, por exemplo, o que garante um aumento da imunidade natural e a não necessidade de aplicação de aditivos ou defensivos artificiais no solo.
“Nas intervenções de manejo no campo, nós priorizamos a aplicação de defensivos de natureza biológica, que são microrganismos vivos que se alimentam de fungos e esporos. Essas opções geram um custo maior se comparado às ações convencionais, porém, nos garantem uma produção muito mais limpa, segura e sustentável a longo prazo”, pontua o diretor técnico e enólogo-chefe da Lidio Carraro, Giovanni Carraro.
Um dos exemplos mais corriqueiros destes recursos naturais são os trichodermas (fungos) e bacilos (bactérias), destinados ao biocontrole de pragas, melhoria do solo e estímulo ao desenvolvimento radicular.
A vinícola também aposta na geração de energia 100% limpa para todas as instalações, desde os vinhedos em Encruzilhada do Sul até a cantina na qual as uvas são vinificadas em Bento Gonçalves. O feito evitou a emissão de 192,10 toneladas de dióxido de carbono na atmosfera desde 2023.
Na taça, os vinhos surpreendem, pois demonstram pleno equilíbrio entre álcool, acidez e taninos, além de múltiplas camadas de aromas e sabores. São bebidas fáceis e prazerosas de serem tomadas e já foram consideradas as oficiais de grandes eventos, como a Copa do Mundo Fifa 2014 e os Jogos Olímpicos do Rio 2016.
O selo da COP30 está disponível nos exemplares conhecidos pelo público consumidor como a linha Faces, Agnus e Dá’divas e pode ser uma oportunidade para que quase 200 líderes de estado conheçam o potencial vitivinicultor brasileiro — e sustentável.
*Os textos publicados pelos Insiders e Colunistas não refletem, necessariamente, a opinião do CNN Viagem & Gastronomia
Sobre Stêvão Limana

Stêvão Limana é jornalista formado pela Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), pós-graduado em enologia, postulante a sommelier profissional e maratonista nas horas vagas. Na TV, fala sobre política e eleições, enquanto na internet foca em vinhos e gastronomia.


