Conheça ilha paradisíaca que foi palco de batalha da Segunda Guerra Mundial

Peleliu, a cerca de 800 quilômetros das Filipinas, foi palco de um dos confrontos menos lembrados da Segunda Guerra Mundial

Lilit Marcus, da CNN*
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Peleliu, Palau — A ilha é exuberante, com inúmeras tonalidades de verde intensificadas pelos efeitos da chuva da manhã. Bem perto da costa, mergulhadores flutuam sobre bancos de corais intocados. Ao sair do pequeno cais de madeira, os visitantes passam por grupos de figueiras e samambaias que chegam até os tornozelos, enquanto montes de pedras cinzas marcam as trilhas de caminhada.

E então, no meio de um campo vazio, está um tanque militar anfíbio japonês com guirlandas de plantas verdes brotando entre suas rodas enferrujadas.

A justaposição é desconcertante. Mas é por isso que turistas vieram de lugares tão distantes como os Estados Unidos, Canadá, Taiwan, Coreia do Sul e Japão hoje, para ver de perto a ilha tropical onde ocorreu uma das batalhas mais sangrentas e menos lembradas das operações do Pacífico na Segunda Guerra Mundial.

Quando as tropas americanas chegaram a Peleliu, no Pacífico, em setembro de 1944, sua missão era simples: atacar a ilha e destruir a base aérea japonesa ali instalada. Após alguns dias de bombardeio, os soldados pisaram no local e a encontraram vazia, com todos os inimigos aparentemente eliminados.

Desconhecido pelos americanos, e não detectado por seu reconhecimento aéreo, Peleliu é repleta de profundas redes de cavernas subterrâneas. Os japoneses haviam fortificado muitas dessas cavernas e as abastecido com comida, água e munição, de modo que, quando o bombardeio começou, eles foram para o subsolo.

A Batalha de Peleliu, que deveria durar alguns dias, se arrastou por meses. Tornou-se uma das batalhas mais sombrias de todo o Pacífico, e hoje a maioria dos historiadores concorda que nada daquilo era necessário. No entanto, sua história permanece amplamente desconhecida pelos americanos, que têm mais probabilidade de ter aprendido sobre Iwo Jima e Guadalcanal na escola.

"Foi um verdadeiro horror", diz Joe Whelan, autor do livro "Bitter Peleliu".

"Foi, na verdade, uma batalha que não precisava ter sido travada, e provavelmente não deveria ter sido. Na verdade, o Almirante Halsey recomendou que simplesmente a ignorassem. Mas a frota de invasão já estava a caminho, e ele foi vencido pelo Almirante Nimitz, que estava no comando de todo o Pacífico", conta. William Halsey Jr. era o almirante de cinco estrelas que comandava as tropas navais na região.

No total, cerca de 14 mil japoneses e 10 mil americanos perderam suas vidas durante o cerco de Peleliu. Nem todos foram mortos por bombas e armas de fogo. As temperaturas podem regularmente ultrapassar 37 ºC, e homens morreram de insolação e desidratação. Outros adoeceram ao beber água contaminada. Por fim, os principais comandantes japoneses morreram por seppuku, um ritual de suicídio. Nesse ponto, diz Whelan, a guerra estava essencialmente encerrada e os japoneses, percebendo que estavam perdendo, haviam adotado uma estratégia de desgaste.

"Eles queriam que os americanos os atacassem, para que pudessem matar mais americanos. E achavam que, se fizessem isso, conseguiriam persuadir a América a negociar."

A maioria dos historiadores marca o fim da Batalha de Peleliu como 24 de novembro de 1944, o dia em que o principal comandante japonês, o Coronel Kunio Nakagawa, morreu. Atualmente, guias turísticos conduzem visitantes dentro e ao redor de algumas dessas cavernas, onde pedras xintoístas gravadas com escritas japonesas homenageiam os locais onde soldados morreram. Alguns visitantes deixam bandeiras japonesas ou flores de sakura prensadas sobre esses túmulos, cujas pedras rapidamente se cobrem de musgo devido ao clima úmido do local.

Peleliu é uma ilha da Micronésia localizada a cerca de 800 quilômetros a leste das Filipinas. Atualmente, faz parte do pequeno arquipélago que compõe o país de Palau. Palau foi controlado pelo Japão, pela Espanha, pela Alemanha e pelos Estados Unidos ao longo de sua história, mas tornou-se uma nação independente em 1994. Sua bandeira — azul-viva com um globo amarelo levemente deslocado do centro — é apelidada de "Japão feliz" por vexilólogos, ou entusiastas de bandeiras, que acham que ela se parece com uma versão invertida e mais vibrante da bandeira vermelha e branca do Japão.

Apenas alguns milhares de turistas por ano visitam Palau. O aeroporto do país tem apenas três portões de embarque, suficientes para alguns voos por semana provenientes de cidades como Taipei e Manila. É também uma parada no famoso Island Hopper, um voo da United Airlines que parte do Havaí e faz escalas em várias ilhas do Pacífico, incluindo Guam. Para alguns viajantes, o próprio voo é a atração, e eles simplesmente passam por cada destino sem parar para fazer turismo.

Embora seja um país em livre associação com os Estados Unidos — o que significa que utiliza a moeda americana e conta com a proteção militar norte-americana —, Palau continua sendo um destino relativamente desconhecido entre os turistas americanos.

Antes da guerra, era um protetorado japonês, com trabalhadores vindos de Okinawa para minerar fosfato. Ainda hoje, é comum ver sobrenomes japoneses espalhados pelas caixas de correio palauanas.

Além das ruínas físicas da base japonesa em Peleliu, há outros vestígios da guerra por toda a ilha. Muitos dos nomes de lugares dados pelas tropas americanas, incluindo White Beach e Bloody Nose Ridge, ainda estão em uso. Os restos da base estão expostos às intempéries, enquanto o antigo hangar é proibido aos turistas, com o teto parcialmente desabado.

O exército americano, que mantém uma pequena presença em Palau, cuida de um cemitério militar americano em Peleliu. A poucos minutos de carro das ruínas da base e do aeródromo, o cemitério tem arbustos com flores plantadas para formar a palavra "USA" quando vistas do céu.

Os palauanos que saem para caminhar ainda encontram, às vezes, relíquias da guerra. A regra local não oficial é deixar qualquer objeto encontrado sobre ou ao lado de uma das placas que marcam os locais onde ocorreram momentos importantes da guerra, sabendo que historiadores e curadores do museu nacional passam periodicamente para recolher esses itens.

No dia em que visitei a ilha, em janeiro, um capacete militar americano estava pendurado de forma despojada na quina de uma placa de orientação sobre a presença militar japonesa em Peleliu. Repleto de buracos e parcialmente coberto de mofo, o capacete contribuía para a atmosfera sinistra que permeia a ilha.

Sem dúvida, a maior transformação que a guerra trouxe foi na própria paisagem — em grande parte obra dos engenheiros militares americanos.

"Eles nivelaram o terreno com tratores e outros equipamentos, o que fez o subsolo branco ficar visível e a topografia mudar", explica Shingo Iitaka, professor de história da Universidade de Kochi, no Japão.

"Há uma expressão que diz que, quando o povo de Peleliu retornou à ilha após o fim da guerra, eles não sabiam sequer onde estavam."

Iitaka afirma que, entre os muitos relatos americanos e japoneses sobre a Batalha de Peleliu, uma perspectiva importante é frequentemente omitida: a do próprio povo palauano.

"Acho que as pessoas que vivem em uma terra que se tornou campo de batalha são frequentemente esquecidas, pois não eram as partes envolvidas na guerra, mas acredito que a memória da guerra guardada pelas pessoas que são os verdadeiros donos dessa terra é algo que deveria ser especialmente levado em consideração."

"É quase como viver com os mortos, ou com os vestígios dos mortos."

Atualmente, ainda há grupos de turistas japoneses que vêm a Peleliu para prestar homenagem aos seus compatriotas ou para tentar repatriar os ossos dos soldados mortos ao Japão. Mas um surpreendente novo mercado turístico surgiu: o dos gamers. Peleliu é um local central em "Call of Duty: World at War", uma edição do popular jogo com temática do Pacífico lançada em 2008.

No entanto, a Peleliu dos dias atuais não é o melhor lugar para conhecer a vida tradicional palauense. Antes da guerra e da colonização, a maioria dos palauanos vivia em pequenas aldeias administradas por anciãos de clãs. Cada aldeia teria um "bai", ou casa dos homens, uma estrutura em formato de "A" feita de madeira pintada com imagens que retratavam histórias tradicionais e erguida do chão sobre estacas. Esses anciãos se reuniam no "bai" para tomar decisões pela comunidade. A maioria dessas estruturas foi destruída, e hoje apenas um punhado delas permanece espalhado pelo país.

Para ter uma visão mais ampla da história de Palau além dos anos da Segunda Guerra Mundial, vale a pena visitar o Belau Museum na principal cidade de Koror. Lá, um bai pintado com cores vivas está em exibição e pequenas exposições bem conservadas são organizadas cronologicamente.

No cais, ao se afastar de Peleliu, uma placa pintada de forma vibrante aparece à vista. "Bem-vindo a Peleliu", lê-se em inglês e japonês. "Volte sempre."

*Ayuka Nitta, da CNN, contribuiu com a reportagem.

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