O futuro da pizza: o que dizem os mestres do forno no Brasil
Especialistas revelam os caminhos da nova pizza brasileira com valorização de ingredientes locais, inovação e dados inéditos sobre o consumo via delivery no país

O Brasil já superou, com gosto, o debate sobre ketchup na pizza. No Dia da Pizza, comemorado nesta quinta-feira (10), o assunto é outro: massas de longa fermentação, ingredientes de produtores locais, reconhecimento internacional e, acima de tudo, a criatividade nacional no forno.
Embora a América do Norte ainda detenha cerca de 40% da fatia global de consumo de pizzas, e a Europa venha logo atrás com 30%, segundo a Global Growth Insights, os pizzaiolos brasileiros vêm conquistando um lugar de respeito em premiações internacionais, com criações que vão além das clássicas calabresa e margherita, sem medo de unir o terroir brasileiro à tradição italiana.
Terroir brasileiro em alta
No último The Best Pizza Awards, em junho de 2025, sete brasileiros figuraram entre os melhores do mundo. Um deles é Matheus Ramos, da QT Pizza Bar, eleito Pizzaiolo do Ano pelo 50 Top Pizza World 2024. A casa é famosa por suas pizzas de fermentação longa com massa de levain e oferece um cardápio totalmente voltado à valorização dos queijos nacionais, com curadoria da queijista Juliana Cavalcante, apresentando desde queijos de mofo branco até maturados de casca lavada.
Além dos queijos e brasilidades, Matheus observa que a busca pela novidade é uma marca dos consumidores nacionais: “No Brasil, o público é aberto a massas pouco difundidas por aqui, como a New York Style, e coberturas que fogem do óbvio, desde que respeitem a qualidade técnica e os bons ingredientes.” A perspectiva inovadora do chef trouxe a criação da pizza Doce, que une queijo azul da Mantiqueira e chocolate belga.

Fellipe Zanuto, d'A Pizza da Mooca e um dos pioneiros quando o assunto é pizza napolitana na capital paulista, enxergou esse mercado das massas de borda alta e fermentação natural há mais de 15 anos e desde lá já antevia que inovação era o grande próximo passo na gastronomia das redondas. "É muito interessante ver que a mente das pessoas se abriu para esse mundo da pizza", orgulha-se Zanuto que também esta à frente da Da Mooca Pizza Shop, que serve pizza romana al taglio e a Onesttà, de pizza paulistana. Segundo ele, as pizzas estão mais visuais, com a utilização de ingredientes locais baseados nas culturas. "As pessoas não estão mais só interessadas em pizza de margherita ou pepperoni. Elas querem inovação", complementa. "Estive em Oslo para fazer pizza e servi a de frango com Catupiry e fez sucesso", completa.
Em Brasília, o pizzaiolo Gil Guimarães, da Baco Pizzaria, destaca que a pizza que consumimos atualmente tem raízes profundas na tradição napolitana e que foi essa técnica que serviu de base para o surgimento e a difusão de outros estilos.
O pizzaiolo também reforça o ponto de Matheus e percebe que cada vez mais utiliza-se produtos artesanais brasileiros e produtos regionais, especialmente de pequenos produtores. “Das pizzas que lancei neste mês, por exemplo, a que mais sai é a cerratense, que leva praliné de gergelim kalunga o pesto cerratense. Uma pizza com mais autenticidade, que não se encontra facilmente. De qualquer forma, a margherita continua sendo a mais vendida. O clássico não perdeu seu posto".

Dani Branca, que ocupa a 66ª posição no The Best Pizza Awards e está no comando dos fornos da Soffio Pizzaria, também observa que a tendência no mercado é a de trabalhar com produtos artesanais de pequeno produtor.
“Assim, conseguimos oferecer um ingrediente com menos conservante, bem-feito e elaborado com maior atenção. A qualidade da matéria-prima é essencial para o produto final, tanto para os queijos quanto para a charcutaria. É mais cauteloso do que trazer da Itália, porque os que vêm de lá normalmente são industrializados”, explica. Dani reforça que, atualmente, os produtos que encontramos aqui são semelhantes à qualidade dos artesanais italianos.




