Quina do Futuro celebra 40 anos unindo Japão e Pernambuco

Jantar em 17 de setembro reúne Zaiyu Hasegawa, Rodrigo Oliveira e Saiko Izawa no Recife para celebrar quatro décadas do restaurante

CNN Viagem & Gastronomia, do Viagem & Gastronomia
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Quarenta anos depois de transformar a casa da família Matsumoto em uma taberna japonesa no bairro dos Aflitos, no Recife, o chef e sushiman André Saburó Matsumoto reúne alguns de seus parceiros de trajetória para celebrar a história do Quina do Futuro. No dia 17 de setembro, o restaurante recebe Zaiyu Hasegawa, do DEN, em Tóquio, Rodrigo Oliveira, do Mocotó, em São Paulo, e Saiko Izawa, do Rosewood São Paulo.

A noite propõe um encontro entre duas culturas que fazem parte da identidade do restaurante. Hasegawa, Rodrigo Oliveira e Saiko Izawa cozinham ao lado de Saburó em um menu especial. A harmonização de saquês fica a cargo de Yasmin Yonashiro, especialista em saquê e omotenashi, em parceria com Noriko Yamaguchi, sommelière do DEN.

A escolha dos convidados não é casual. Para Saburó, cada um representa uma parte da trajetória construída pelo Quina ao longo de quatro décadas. Hasegawa é um antigo amigo e parceiro, com quem já dividiu cozinha no Brasil. Rodrigo Oliveira representa a conexão entre a cozinha japonesa e a gastronomia nordestina. Saiko Izawa traz uma leitura contemporânea da pâtisserie japonesa, incorporando ingredientes brasileiros ao seu trabalho.

“Para o jantar Quina 40 Anos, convidamos profissionais que admiramos e que são nossos amigos, gente que representasse a trajetória dos meus pais e toda a família Matsumoto”, afirma Saburó.

Antes do Quina, uma família japonesa no Recife

A história do restaurante começa antes de 1986. Em dezembro de 1959, a família Matsumoto deixou Sasebo, em Nagasaki, no Japão, a bordo do navio América Maru. Kintaro e Sugi Matsumoto chegaram ao Brasil com quatro dos cinco filhos no início de fevereiro de 1960. A família passou primeiro pelo Paraná e depois por São Paulo, até chegar a Pernambuco.

Shigeru Matsumoto, pai de Saburó, chegou ao Recife em 1968. Antes de se dedicar à culinária japonesa, trabalhou com pastéis e criou a Tokyo's Lanches, que chegou a ter três pontos na cidade. Depois veio o Le Buffet, restaurante voltado ao público executivo.

Quando o movimento da casa caiu, Shigeru voltou a São Paulo para aperfeiçoar seus conhecimentos sobre culinária japonesa. Na volta ao Recife, instalou um balcão de sushi dentro do próprio Le Buffet. Em 1986, nasceu a Taberna Japonesa Quina do Futuro, nos Aflitos. O restaurante também era a residência da família, onde Shigeru, Tomiko e os filhos viveram por bastante tempo.

Foi nesse ambiente que Saburó cresceu. Ainda criança, acompanhava o pai ao Mercado São José para aprender a escolher produtos de qualidade, especialmente peixes. Em casa, ajudava na cozinha sob o olhar atento da mãe e acompanhava o processo de criação das receitas do pai.

Antes do preparo dos alimentos, havia rituais como amolar corretamente as facas, manter a higiene do ambiente e dos utensílios e cuidar dos ingredientes com atenção. Para a família Matsumoto, cozinhar também era uma forma de partilhar.

Da pia ao comando do restaurante

Quando voltou ao Brasil, Saburó começou a trabalhar no Quina do Futuro lavando pratos. Para o pai, a passagem pela pia era um teste importante de velocidade, higiene e organização. Depois, aprendeu com o tio Masayoshi a tratar peixes e trabalhar com diferentes ingredientes. No restaurante, passou ainda por funções como garçom, ajudante de cozinha, caixa e auxiliar de sushiman, enquanto cursava Economia.

A grande virada aconteceu na segunda metade dos anos 1990. Em 1996, o restaurante enfrentava queda no movimento e precisava renovar o cardápio. Metade dos funcionários deixou a casa, incluindo o gerente e o sushiman. No início de 1998, aos 21 anos, Saburó assumiu junto ao pai o comando do restaurante.

Ele deixou a faculdade e passou a trabalhar até 15 horas por dia. Vieram mudanças na gestão, reformas, novos equipamentos e treinamento da equipe. Os funcionários passaram a conhecer diferentes etapas da operação, aproximando cozinha e salão.

A partir daí, o Quina passou por uma transformação sem abandonar os fundamentos recebidos da família. A ampliação do cardápio e algumas adaptações ao paladar pernambucano ajudaram Saburó a ganhar reconhecimento nacional. Em 2001, com a morte de Shigeru, ele assumiu integralmente o restaurante.

O Japão de Saburó tem sotaque pernambucano

Se a formação de Saburó está ligada à tradição japonesa da família, sua cozinha também nasceu do território onde os Matsumoto construíram a vida. Ao longo da carreira, o chef passou a pesquisar especialmente os pescados e concentrou parte importante do trabalho no estudo do atum.

Desse trabalho surgiram preparos que aproximam referências japonesas de tradições nordestinas. É o caso do atum de sol, inspirado na carne de sol, e do sarapatum, releitura do sarapatel feita com atum. O couro do peixe também é utilizado para produzir uma espécie de torresmo.

Essa combinação está no centro da identidade construída pelo Quina. A casa mantém os fundamentos da culinária japonesa, mas está inserida em um território com ingredientes, hábitos e referências próprios.

Rodrigo Oliveira, que participa do jantar, vê no trabalho de Saburó uma aproximação entre as duas cozinhas. Para o chef do Mocotó, o Quina ajuda a mudar o eixo gastronômico e a construir uma cozinha brasileira reconhecida no país e no mundo. Saburó resume a escolha do amigo pela “convergência entre Pernambuco e Japão”.

A relação com Hasegawa também vem de longa data. Em 2014, os dois dividiram uma cozinha com Alex Atala em um jantar no D.O.M., em São Paulo. Em 2018, Saburó passou um mês no Japão, com uma temporada no DEN.

Uma celebração entre amigos

Para os 40 anos, Saburó decidiu voltar às pessoas que fizeram parte dessa caminhada. Hasegawa lembra que seu primeiro contato com o Brasil aconteceu ao lado do chef pernambucano e diz ter uma paixão especial pelo país. Saiko Izawa também vê o encontro como uma oportunidade de aproximar as culturas do Nordeste brasileiro e do Japão.

Para Saburó, no entanto, celebrar quatro décadas significa olhar principalmente para dentro de casa. “Comemorar 40 anos é celebrar ainda os aprendizados, as amizades para toda a vida, a entrega dos colaboradores e dos fornecedores”, diz.

A história do Quina do Futuro não se resume ao restaurante inaugurado em 1986. Ela começa com uma família que atravessou o mundo, passou pela agricultura, por pastelarias, restaurantes e mercados, e encontrou em Pernambuco o lugar para construir sua vida.

Quatro décadas depois, a casa segue ligada às mesmas raízes que acompanharam Saburó desde a infância.

Como dizia Seu Júlio, pai do chef, “a casa é japonesa, mas o coração é pernambucano”!

Quina do Futuro 40 Anos
Quando: 17 de setembro de 2026, às 19h
Rua Xavier Marques, 134, Aflitos, Recife, PE / É necessário fazer reserva: Telefone: (81) 3242-2553

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