Thiago Castanho lidera Festival Amazônico de Gastronomia em agosto

"Cozinha da Amazônia é desejo", diz o chef, que é curador do evento que reforça o papel de Belém como capital da cozinha amazônica para o Brasil e o mundo

Tayana Narcisa, da CNN, Belém (PA)
Festival Amazônico de Gastronomia é oportunidade para o público provar pratos a preços acessíveis em Belém  • Divulgação
Compartilhar matéria

A cidade de Belém, reconhecida internacionalmente como Cidade Criativa da Gastronomia pela Unesco, se prepara para um dos eventos mais saborosos do ano: a segunda edição do Festival Amazônico de Gastronomia, que em 2025 será realizada em dois finais de semana — 16 e 17, e 23 e 24 de agosto, no Parque da Residência.

Com entrada gratuita e programação para todas as idades, o festival reúne o melhor da culinária amazônica, música local e experiências que celebram os sabores da floresta e a diversidade cultural da região.

“A gente percebeu que um final de semana era pouco. Belém está fervilhando de lugares para comer e de cozinheiros criativos. Por isso, decidimos ampliar a programação”, explica o chef e curador do festival, Thiago Castanho, um dos grandes nomes da gastronomia brasileira.

Em entrevista à CNN Viagem & Gastronomia, ele detalhou as novidades desta edição, que contará com mais dias, mais chefs e ainda mais diversidade de pratos típicos e releituras contemporâneas da cozinha amazônica.

Raiz Amazônica

Chef Thiago Castanho, curador do Festival Amazônico de Gastronomia • Divulgação
Chef Thiago Castanho, curador do Festival Amazônico de Gastronomia • Divulgação

Para Castanho, o festival cumpre um papel fundamental: aproximar diferentes públicos da riqueza culinária da Amazônia.

“Acho que a grande importância do evento é essa: colocar um ‘bolo-lô’ de pessoas e de chefs juntos. Um festival sem frescura, com música boa, local, para sentir como se fosse uma praia no verão amazônico”, brinca.

Além de unir cozinheiros consagrados e talentos populares da região, o evento também cria conexões entre quem frequenta restaurantes de alta gastronomia e quem talvez ainda não conheça a força da comida de rua de Belém.

“É uma oportunidade para o público provar pratos a preços acessíveis, de chefs que talvez não fossem conhecer de outra forma. E o contrário também acontece”, diz.

Gastronomia como identidade e território

A expansão do festival reflete o crescimento do interesse nacional e internacional pela culinária amazônica, ainda mais em um momento em que Belém se prepara para sediar a COP30.

A cozinha da Amazônia hoje é um desejo. A cidade está na boca do mundo e todo mundo quer mastigar um pedacinho do que está acontecendo aqui
Thiago Castanho

Segundo Castanho, o festival tem potencial para ir além do Pará. “Acho que tem tudo para acontecer em São Paulo, por exemplo, e levar essa galera toda para outros centros onde a comida amazônica está sendo valorizada.”

Novidades do cardápio e atrações confirmadas

Festival reúne nomes conhecidos da região e apresenta projetos com ingredientes ancestrais • Divulgação
Festival reúne nomes conhecidos da região e apresenta projetos com ingredientes ancestrais • Divulgação

A curadoria deste ano inclui nomes que retornam após o sucesso da primeira edição, como o Uamba Cozinha, conhecido pela fusão de sabores paraenses com técnicas contemporâneas, e a Verderosa, com foco em comida vegana e vegetariana. Também estão de volta a tradicional Barraca da Fafá, referência em comida de rua paraense no comércio de Belém, e novos participantes que prometem encantar os visitantes.

Entre os estreantes estão o Ponto do Açaí; o projeto do chef Jairo, que abrirá ostras frescas da Amazônia Atlântica ao vivo; e o Box da Ana, com pratos da feira do Ver-o-Peso.

A chef Ana e sua parceira Lúcia são exemplos da força feminina que move a gastronomia popular belenense. Outro destaque é o Santa Chicória, que marca presença pela primeira vez no festival.

Dois projetos gastronômicos que conversam com ingredientes ancestrais também prometem movimentar o evento: o Cuba, com pratos protagonizados pela mandioca, como o taco de buriti e macaxeira com caranguejo; e o Sororock, que trará sanduíches criativos com peixes amazônicos, fermentações naturais e muita técnica.

Mais que comida, uma experiência

O Festival Amazônico de Gastronomia 2025 vai além dos sabores: oficinas, aulas-show, rodas de conversa e shows musicais com artistas da região completam a programação, que aposta em experiências que misturam cultura, identidade e conhecimento tradicional.

Tudo isso no coração de Belém, às margens da história viva da Amazônia, com o aroma do tucupi no ar e o som do carimbó embalando o público.

“A gente quer que o festival seja lembrado como um lugar onde todo mundo se sente à vontade para provar, experimentar e viver a Amazônia de verdade. Não é só comida — é território, é resistência, é afeto”, conclui Castanho.

Festival Amazônico de Gastronomia 2025

  • Datas: 16,17, 23 e 24 de agosto
  • Horário: a partir das 16h
  • Local: Parque da Residência – Avenida Governador Magalhães Barata, Belém (PA)
  • Entrada gratuita e livre para todos os públicos

 

Acompanhe Gastronomia nas Redes Sociais