Vindima de inverno: vinícolas projetam produção menor, mas com qualidade

Colheita das uvas encerrou-se no final de agosto nos vinhedos de dupla poda do Brasil

Stêvão Limana, colaboração para o Viagem & Gastronomia
Compartilhar matéria

A segunda vindima do ano para os vitivinicultores brasileiros foi recheada de desafios — principalmente climáticos. Produtores de São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro projetam uma safra menor, mas com uvas que conseguiram atingir o potencial fenólico desejado, ou seja, com qualidade satisfatória.

Mesmo com as adversidades, segundo a Associação Nacional de Produtores de Vinho de Inverno (Anprovin), a safra deve atingir 1,1 milhão de garrafas entre as 51 cidades produtoras que fazem parte do grupo.

Para Aline Mabel, diretora técnica da Anprovin, as videiras tiveram problemas na floração por conta da estiagem, principalmente nos campos que não possuíam sistemas de irrigação. Porém, a situação foi contornada “graças ao alto nível de tecnologia” que é empregado nos vinhedos. Assim, as frutas conseguiram atingir o grau de maturação que expressa a qualidade da dupla poda.

Minas Gerais

Em São Gonçalo do Sapucaí, a vinícola Barbara Eliodora estima uma safra 20% menor em comparação a 2024. No entanto, a safra possui uma maior concentração de cachos com qualidade superior ao encontrado no ano passado.

De acordo com o proprietário da vinícola, Guilherme Bernardes Filho, boa parte da safra já foi processada e os primeiros rótulos de 2025 devem começar a ser lançados em dezembro e em janeiro de 2026.

Com predomínio da uva Syrah, a região tem chamado forte atenção nos concursos internacionais. Vinhos como Alvarenga (Barbara Eliodora) e Isabela (Maria Maria) atingiram pontuações históricas.

O Sul de Minas também tornou-se a primeira indicação de origem e procedência oficializada no Brasil para os vinhos de colheita de inverno.

São Paulo

Em São Paulo, a situação climática foi mais favorável e permitiu uma boa maturação das uvas. Segundo Ricardo Baldo, proprietário da vinícola Terras Altas, de Ribeirão Preto, “tudo o que era esperado de melhor, aconteceu”.

“A época de frio foi intensa, o que provocou uma lenta maturação das videiras, ou seja, uma maior concentração fenólica nas polpas, além de pouca chuva durante a maturação”, diz.

Um fator que impulsionou o cultivo paulista foi a amplitude térmica do interior do estado. Os dias quentes e as noites frias auxiliaram na evolução das plantas. Por isso, a estimativa final é de terem sido colhidas cerca de 60 toneladas de uvas.

Rio de Janeiro

Em Teresópolis (RJ), a Maturano, a mais nova vinícola do sudeste brasileiro, projeta a produção de 35 mil garrafas na safra 2025.

Ao mesmo tempo em que as obras avançam na moderníssima estrutura, as uvas são processadas em menor escala do que era aguardado.

Durante o mês de abril, uma chuva de granizo danificou, principalmente, as folhas das videiras. A intempérie obrigou um raleio mais severo, até que as videiras retomassem o equilíbrio natural

A cofundadora da vinícola, Manuela Maturano, prevê que a perda por conta do clima tenha sido de aproximadamente 50% em comparação com 2024.

Mas para muito além dos desafios que a viticultura impõe, a inovação carioca deve surpreender nas próximas safras. A Maturano pretende plantar e começar o cultivo de Touriga Nacional, Tempranillo, Alvarinho, Chardonnay e a variedade italiana que leva o próprio nome da família.

Entre perdas e conquistas, a vindima de inverno de 2025 mostrou que o Brasil pode até colher menos, mas não deixa de entregar qualidade, rigor, história e muitas premiações, que requerem brindes cada vez mais presentes em nossas vidas.

*Os textos publicados pelos Insiders e Colunistas não refletem, necessariamente, a opinião do CNN Viagem & Gastronomia

Sobre Stêvão Limana

Stêvão Limana é jornalista formado pela Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), pós-graduado em enologia, postulante a sommelier profissional e maratonista nas horas vagas. Na TV, fala sobre política e eleições, enquanto na internet foca em vinhos e gastronomia.

Acompanhe Gastronomia nas Redes Sociais