5 curiosidades sobre o Panteão, tesouro milenar em Roma
De templo pagão a igreja cristã, conheça curiosidades que explicam por que o Panteão é um dos monumentos mais emblemáticos da capital italiana

Erguido no coração de Roma, o Panteão é um daqueles lugares que atravessam os séculos com imponência e significado. Com colunas monumentais, uma cúpula que ainda impressiona pela ousadia arquitetônica e uma história que passa por impérios, religiões e renascimentos, o edifício é um testemunho vivo da engenhosidade romana.
Quem passa pela Piazza della Rotonda pode até não imaginar que está diante de uma das construções mais antigas ainda em uso contínuo no mundo. A entrada sai a partir de €15 (R$ 95) para tours com audioguia. A visita é gratuita em todo primeiro domingo do mês.
Mas o que torna esse monumento tão especial? Por que ele continua sendo um dos pontos mais visitados da capital italiana?
Confira cinco curiosidades sobre o Panteão:
O Panteão atual não é o original

Apesar de sua idade impressionante, com mais de dois mil anos, o monumento que vemos hoje é uma reconstrução. O primeiro Panteão foi erguido por Marco Agripa no ano de 27 a.C., mas foi destruído por um incêndio.
A versão atual foi encomendada pelo imperador Adriano por volta de 125 d.C. Ele, inclusive, optou por manter a inscrição original na fachada como homenagem: "M.AGRIPPA.L.F.COS.TERTIVM.FECIT", ou seja, "Marco Agripa, filho de Lúcio, cônsul pela terceira vez, fez este edifício".
De templo pagão a igreja cristã
O Panteão foi construído originalmente como um templo pagão, ou seja, dedicado aos deuses da mitologia romana (“pantheon”, em grego, significa “todos os deuses”).
Com o avanço do cristianismo e a queda do Império Romano, muitos templos pagãos foram abandonados, destruídos ou saqueados, pois eram vistos como símbolos de uma religião antiga e “proibida”.
Mas o Panteão teve um destino diferente: em 609 d.C., o imperador bizantino Focas doou o edifício ao papa Bonifácio IV, que o consagrou como igreja cristã. A partir daí, passou a se chamar Santa Maria dos Mártires (Santa Maria ad Martyres). Assim, celebrações cristãs continuam a ocorrer no Panteão.
A cúpula é aberta, e sim, entra chuva

Um dos elementos mais impressionantes do Panteão é sua cúpula monumental, que ainda hoje detém o título de maior cúpula de concreto não armado do mundo. Ela mede 43,44 metros de diâmetro, exatamente a mesma medida de sua altura (uma simetria que não é por acaso).
No topo da estrutura está o famoso óculo central, sempre aberto, com 8,95 metros de diâmetro. Mais do que um detalhe estético, o óculo tem uma função estrutural essencial: aliviar o peso da cúpula, permitindo que ela se mantenha intacta há quase dois mil anos, sem o uso de qualquer estrutura metálica interna.
O design permite a entrada de luz natural e, claro, também de água. Quando chove em Roma, chove dentro do Panteão. Para lidar com isso, o piso foi inteligentemente construído com declive suave e com orifícios de drenagem discretos integrados ao mármore, formando um sistema de escoamento funcional.
Outra “chuva” famosa no Panteão é chuva de pétalas de rosas através do óculo, que só ocorre uma vez ao ano em razão da festa de Pentecostes, 50 dias após a celebração da Páscoa.
Panteão abriga túmulos de reis
Mais do que um marco arquitetônico, o Panteão também é um mausoléu. Lá estão enterrados os reis italianos Vítor Emanuel II e Umberto I, além da rainha Margarida de Saboia.
Mas o túmulo mais visitado é o do pintor renascentista Rafael, que pediu para ser sepultado ali. Acima de sua tumba, uma inscrição latina diz: “Aqui jaz Rafael, de quem a Natureza teve medo de ser superada enquanto ele vivia, e de morrer quando ele morreu.”
Panteão inspirou construção em Paris

O impacto do Panteão romano foi tão grande que inspirou a construção de diversos edifícios ao longo dos séculos. Um dos mais famosos é o Panteão de Paris.
Erguido no século 18 como uma igreja dedicada a Santa Genoveva, hoje abriga os restos mortais de figuras ilustres da França, como Victor Hugo, Voltaire, Rousseau e Marie Curie. A influência do monumento romano é evidente na cúpula imponente e na fachada com colunas coríntias, estilo arquitetônico herdado da Roma Antiga.


