Sete vilas brasileiras concorrem a prêmio da ONU Turismo: conheça destinos

Localidades brasileiras disputam reconhecimento internacional que valoriza pequenos destinos onde o turismo impulsiona o desenvolvimento rural e preserva tradições

Daniela Filomeno, do Viagem & Gastronomia
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O Brasil tem sete destinos na disputa pelo prêmio Melhores Vilas Turísticas de 2026, promovido pela ONU Turismo. Criada em 2021, a iniciativa reconhece pequenas localidades que utilizam o turismo como ferramenta para impulsionar o desenvolvimento rural e preservar culturas e tradições.

As vilas brasileiras que concorrem ao prêmio são:

  • Araçá, em Santa Catarina
  • Conceição do Ibitipoca, em Minas Gerais
  • Delfinópolis, em Minas Gerais
  • Holambra, em São Paulo
  • Lençóis, na Bahia
  • São José do Barreiro, em São Paulo
  • Vila Flores, no Rio Grande do Sul

As sete representantes brasileiras concorrem com outras 268 vilas em todo o mundo. O resultado desta edição será revelado apenas em dezembro, durante uma cerimônia realizada em Buenos Aires, na Argentina.

Conheça as vilas brasileiras indicadas em 2026:

  • Araçá (Santa Catarina)

Com pouco mais de 1.100 habitantes e a cerca de 70 km de Florianópolis, a Vila do Araçá combina natureza preservada e tradições comunitárias. Faz parte do município de Porto Belo, no Litoral Norte do estado.

Localizada em área de proteção ambiental no litoral, a região tem forte ligação com a pesca artesanal e com a culinária baseada em frutos do mar. A Praia do Araçá tem mar calmo e é usada para o atracamento de barcos, servindo também de refúgio aos pescadores artesãos, que ali fazem seus instrumentos de trabalho.

Entre as experiências, destacam-se passeios em embarcações tradicionais, trilhas e atividades costeiras.

  • Conceição do Ibitipoca (Minas Gerais)

Conceição do Ibitipoca, pertencente ao município de Lima Duarte, fica na Serra da Mantiqueira, a aproximadamente 280 km de Belo Horizonte. O vilarejo tem cerca de 1.100 habitantes e se destaca por ser a porta de entrada para o Parque Estadual do Ibitipoca, conhecido por trilhas, cachoeiras, grutas e atrativos voltados ao ecoturismo.

Além das belezas naturais, o local tem um centrinho que conta com lojas de artesanato e igrejas preservadas, como a Matriz de Ibitipoca, de 1768, e a Nossa Senhora do Rosário, datada de 1918. No ano passado, a vila havia ficado entre as finalistas na disputa pelo prêmio. O vilarejo abriga também o Ibiti, projeto socioambiental privado de grande escala que une conservação ambiental, hotelaria de alto padrão, obras de arte monumentais e desenvolvimento comunitário.

  • Delfinópolis (Minas Gerais)

Localizada na Serra da Canastra, Delfinópolis fica a 400 km de Belo Horizonte. A pequena cidade de 8 mil habitantes é uma das portas de entrada para o Parque Nacional da Serra da Canastra, que abriga mais de 150 cachoeiras. O destino é conhecido pelas trilhas e paisagens naturais, além da produção do Queijo Minas Artesanal da Canastra e do Café da Canastra.

O queijo Vale da Gurita, por exemplo, produzido na cidade, já foi premiado no Mondial du Fromage 2019.

  • Holambra (São Paulo)

Holambra, a cerca de 130 km da capital paulista, é conhecida por ser a Capital Nacional das Flores. A cidade de 15 mil habitantes preserva a influência holandesa na arquitetura, na gastronomia e nas manifestações culturais.

O município é um dos principais polos produtores de flores do país e abriga o Moinho Povos Unidos, atrativo que é considerado o maior moinho de vento da América Latina. Campos de girassóis, rosas, crisântemos, gérberas e outras variedades de flores estão presentes na cidade, que realiza anualmente a Expoflora, a maior festa das flores da América Latina. Neste ano, acontece entre 28 de agosto e 27 de setembro.

  • Lençóis (Bahia)

Com pouco mais de 10 mil habitantes, Lençóis, no centro-oeste da Bahia, é porta de entrada para a Chapada Diamantina. A cidade reúne patrimônio histórico, paisagens naturais e turismo de aventura, abrigando ainda o complexo arqueológico Serra das Paridas, lar de sítios com artes rupestres.

O casario colonial do pequeno município é um dos conjuntos históricos mais preservados do Brasil. Tombada pelo Iphan (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional) em 1973, a medida protege 570 imóveis que remetem ao ciclo do diamante no século XIX. Lençóis fica a mais de 400 km de Salvador.

  • São José do Barreiro (São Paulo)

No Vale do Paraíba, São José do Barreiro é uma cidade a cerca de 260 km de São Paulo. Aos pés da Serra da Bocaina, o destino combina patrimônio histórico e natureza. Entre os destaques estão os casarões coloniais e o Parque Nacional da Serra da Bocaina, com piscinas naturais, rios, cachoeiras, picos e montanhas.

Além disso, o município de 3.800 habitantes preserva fazendas ligadas ao ciclo do café e oferece atrativos como a Trilha do Ouro e experiências gastronômicas baseadas em produtos artesanais.

  • Vila Flores (Rio Grande do Sul)

Com 3.700 habitantes, Vila Flores fica a cerca de 170 km de Porto Alegre. O município reúne turismo rural, gastronomia típica, tradições culturais e áreas preservadas de Mata Atlântica. Entre os principais símbolos está o Filó Italiano, festa de celebração mantida por descendentes de imigrantes italianos. A manifestação cultural rendeu o título de Capital Estadual do Filó.

Alguns dos atrativos turísticos são o L'Arte Ceccato, um ateliê de cerâmica, e a Casa do Artesão Pietro Christianetti, uma antiga residência colonial típica da região.

Histórico do Brasil na premiação

Com as indicações deste ano, o país soma 27 vilas participantes ao longo da história da premiação. Até o momento, dois destinos nacionais ostentam o título internacional: Testo Alto, em Pomerode, Santa Catarina, que entrou para o rol de Melhores Vilas Turísticas do Mundo em 2021, e Antônio Prado, no Rio Grande do Sul, que ganhou o reconhecimento em 2025.

Testo Alto (Santa Catarina)

Com 2.300 habitantes, o bairro de Testo Alto, em Pomerode, abriga a Rota do Enxaimel. O roteiro turístico tem 16 km com aproximadamente 50 casas construídas com a técnica enxaimel, trazida por imigrantes alemães. No método enxaimel, as construções utilizam madeira sem nenhum prego ou parafuso, apenas com encaixes.

Além da arquitetura, a região também preserva o dialeto germânico e conta com pontos turísticos para os interessados em conhecer mais da cultura alemã no Brasil. Um deles é a Casa Radünz, construída em 1932 e preservada com móveis da época, e o Clube Cultural Caça e Tiro XV de Novembro, que promove as competições.

Antônio Prado (Rio Grande do Sul)

A cidade de Antônio Prado, no Rio Grande do Sul, ganhou destaque mundial em 2025 após entrar para o quadro de Melhores Vilas Turísticas do mundo.

Com pouco mais de 13 mil habitantes, o município foi destacado por ter o maior acervo arquitetônico referente à imigração italiana do país. O centro histórico conta com cerca de 48 edificações tombadas pelo Iphan.

Antônio Prado também realiza eventos tradicionais, como a Festa Nacional da Massa, o maior festival de massas da região, e a Noite Italiana, inspirada nos costumes e nas receitas do país europeu. Já o Vino in Piazza acontece com exposição de vinícolas, shows de música e gastronomia.

Melhores Vilas Turísticas

"Melhores Vilas Turísticas" é uma premiação da ONU Turismo que tem o objetivo de destacar pequenas localidades onde o turismo é utilizado como uma ferramenta para preservar culturas e tradições, celebrar a diversidade e salvaguardar a biodiversidade.

Para concorrer, é necessário que o vilarejo ou município tenha um máximo de 15 mil habitantes, esteja localizado em uma paisagem com forte presença de atividades tradicionais, como agricultura ou pesca, e compartilhe valores e estilo de vida da comunidade.

Atualmente, a "Rede de Melhores Vilas Turísticas" reúne 319 destinos rurais consolidados ao redor do globo.

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