7 curiosidades sobre a Sagrada Família, basílica centenária em Barcelona
Símbolo de Barcelona, Sagrada Família é a igreja mais alta do mundo e segue em construção após 144 anos

Cartão-postal de Barcelona, a Sagrada Família é um dos atrativos mais visitados da Espanha. O templo católico, que está em construção há mais de um século, concluiu a obra da Torre de Jesus Cristo neste ano. Nesta quarta-feira (10), o Papa Leão XIV celebra uma missa solene e uma bênção cerimonial, que coincide com o centenário da morte de Antoni Gaudí, arquiteto do projeto.
As obras interiores, porém, ainda podem levar anos. Em resposta ao CNN Viagem & Gastronomia, a administração da igreja disse que não há uma data específica para a conclusão de toda a Basílica da Sagrada Família.
Em homenagem a Gaudí e à conclusão da torre, que atingiu 172,5 metros de altura, o complexo terá eventos ao longo do ano para celebrar o momento, como a exposição "A Sagrada Família e Barcelona", em cartaz de abril a julho. Também haverá uma missa solene por ocasião do centenário da morte de Gaudí, assim como bênção e inauguração da torre em junho.
Atualmente, o ingresso individual para visitar a Sagrada Família custa 26 euros (cerca de R$ 156). Com a opção do tour guiado, a entrada sai por 30 euros (cerca de R$ 180). Há ainda o ingresso que possibilita a subida em uma das torres por 36 euros (R$ 215). As datas e horários podem ser consultados no site.
A basílica também sedia missas e celebrações de entrada gratuita, mas com capacidade limitada. Aos sábados, missas ocorrem às 20h para o público geral; nos domingos e feriados religiosos, ocorrem às 9h. A entrada é feita pela fachada da Natividade, na Carrer de la Marina.
Conheça abaixo sete curiosidades sobre a Sagrada Família que vão despertar sua vontade de visitá-la:
1. A Sagrada Família está em construção há 144 anos
O bispo Urquinaona lançou a pedra fundamental da Sagrada Família no dia 19 de março de 1882. A basílica está em processo de construção desde então, completando 144 anos em 2026.
Em 1885, foi inaugurada a capela de São José na cripta, fato que marcou as primeiras missas celebradas no local. Ao longo do tempo, a igreja presenciou o erguimento das torres e a criação das fachadas.
2. Gaudí não foi o primeiro a projetar a Sagrada Família

Quando se fala na Sagrada Família, logo pensamos em Gaudí. Mas o que nem todo mundo sabe é que o arquiteto catalão não foi o primeiro projetista da igreja. O monumento começou a ser construído com base no trabalho do arquiteto Francisco de Paula del Villar.
Segundo informações da basílica, o desenho original seguia as tendências da época, com elementos neogóticos como janelas em arco ogival, contrafortes, arcobotantes e uma torre de sino pontiaguda. No entanto, divergências sobre o custo dos materiais levaram à demissão de Francisco e à escolha de Gaudí, cujo trabalho começava a se destacar na Espanha. Ele aceitou a missão em 1883.
Em 1914, decidiu se concentrar exclusivamente na Sagrada Família. Ele dedicou 12 anos trabalhando integralmente com o projeto da igreja, até o dia de sua morte, em 10 de junho de 1926. O corpo de Gaudí, inclusive, está sepultado na capela de Nossa Senhora do Carmo, na cripta da igreja.
3. Sagrada Família foi vandalizada durante a Guerra Civil Espanhola
A igreja não escapou dos danos da Guerra Civil Espanhola. Em 1936, plantas e fotografias do templo foram queimadas e maquetes de gesso foram destruídas. No fim do conflito, em 1939, Francesc Quintana assumiu a direção da obra, que pôde prosseguir graças ao material salvo da oficina de Gaudí e ao que foi reconstruído a partir de fotografias e plantas.
A Guerra Civil Espanhola foi um conflito entre republicanos e nacionalistas pelo controle do governo do país. Em 1936, a vitória eleitoral da Frente Popular levou o republicano Manuel Azaña à presidência, em um cenário de forte polarização política e social. Pouco depois, o general Francisco Franco liderou um golpe de Estado com apoio de parte das Forças Armadas e dos regimes da Alemanha nazista e da Itália fascista.
O confronto evoluiu para uma guerra que durou até 1939, quando Franco saiu vitorioso e instaurou uma ditadura que se estendeu até sua morte, em 1975.
4. Sagrada Família é um resumo da fé cristã
O projeto da Sagrada Família busca explicar a fé cristã. "Se alguém que entra na igreja professa uma religião diferente do cristianismo ou não professa religião alguma, compreenderá quais são os pilares básicos do cristianismo", diz o folheto informativo do templo.
Um exemplo é que a planta da igreja tem um formato de cruz latina, com cada extremidade abrigando as três fachadas principais: da Natividade; da Paixão; e da Glória. Cada uma retrata momentos e pilares da vida de Jesus: seu nascimento; Paixão, Morte e Ressurreição; e sua glória.
As esculturas ilustram a história da humanidade desde a criação até o Juízo Final. No pórtico, as colunas que sustentam as torres representam conceitos de fé e as bem-aventuranças proclamadas por Jesus no Evangelho de Mateus.
Outra amostra de como a arte de Gaudí ensina sobre a fé católica é que, para entrar no templo, é necessário passar por sete portas de bronze, sendo que cada uma representa um sacramento (batismo, unção dos enfermos, ordem, eucaristia, crisma, matrimônio e penitência).
5. Sagrada Família é a igreja mais alta do mundo

Somada à relevância histórica e cultural, a Sagrada Família também se destaca pela escala física, sendo a igreja mais alta do mundo. Em outubro de 2025, foi instalado o primeiro elemento da cruz no topo da torre central dedicada a Jesus Cristo, elevando a construção a 162,91 metros.
Com isso, a basílica ultrapassou a Catedral de Ulm, na Alemanha, de 161,5 metros, que era reconhecida como a mais alta desde 1890.
Em fevereiro de 2026, o último braço da cruz foi instalado no topo da Torre de Jesus Cristo, elevando a basílica a 172,5 metros.
6. Sagrada Família recebe milhões de visitantes todos os anos
Símbolo de Barcelona, a igreja recebe milhões de visitantes por ano. O relatório mais recente aponta que 4.833.658 de pessoas passaram pela Sagrada Família em 2024, representando um aumento de 2,7% em comparação com o ano anterior.
Desses, 87,3% dos visitantes eram de fora da Espanha. Os Estados Unidos foram o país que mais enviou visitantes, com 18,55% do total; seguido por França, com 6,93%; Itália, com 6,53%; Coreia do Sul, com 6,18%; Reino Unido, com 4,98%; China, com 4,52%; e Alemanha, com 4,25%.
As visitas, doações e outras fontes de renda privadas resultaram em uma receita de 133,9 milhões de euros (cerca de R$ 809,5 milhões) em 2024. Quanto às despesas, 51,9% dos fundos foram destinados à construção e 29,9% à gestão do templo. Os recursos também foram destinados ao Fundo Comum da Diocese e aos pagamentos da prefeitura de Barcelona.
7. Patrimônio Mundial da Unesco

A fachada do Nascimento de Jesus e a cripta da Sagrada Família fazem parte das obras de Gaudí reconhecidas Patrimônio Mundial da Unesco, título dado em 2005. Outras criações do arquiteto em Barcelona fazem parte do conjunto tombado, como o Parque Güell, o Palácio Güell, a Casa Milà (La Pedrera), a Casa Vicens, a Casa Batlló e a Cripta da Colônia Güell.
Segundo a Unesco, o conjunto demonstra a contribuição de Gaudí para o desenvolvimento da arquitetura e das tecnologias de construção nos séculos XIX e XX. O arquiteto inspirou-se em fontes patrióticas catalãs tradicionais e no progresso técnico e científico da indústria moderna. Assim, a obra de Gaudí "representa uma contribuição criativa excepcional e notável para o patrimônio arquitetônico da modernidade", segundo a Unesco.


