Além de praias magníficas, Belize tem imersão na natureza e passado maia

Pequeno país da América Central proporciona desde estadias luxuosas e isoladas até mergulho com tubarões em uma das maiores barreiras de corais do mundo

Daniela Filomeno, do Viagem & Gastronomia
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Quando falamos de Belize, as praias típicas do Caribe são as primeiras imagens que vêm à nossa cabeça. Basta pesquisar o nome do pequeno país da América Central para encontrarmos milhares de fotos que comprovem suas belezas naturais. Mas o que já era bom pode ficar ainda melhor.

Belize me surpreendeu de muitas maneiras durante as gravações da 10ª temporada do CNN Viagem & Gastronomia. O país nos convida à mergulhar em suas águas irresistíveis, claro, mas também nos leva a uma viagem em terra firme rodeada de florestas tropicais e de resquícios preciosíssimos dos tempos dos maias.

A parte histórica e cultural reflete-se na gastronomia, com uma culinária simples e potente. Junte tudo isso à hospitalidade do povo, um dos mais amigáveis das Américas, e temos um baita destino em mãos.

A melhor parte? Pude conhecer tudo isso através de dois hotéis de ninguém menos do que o cineasta Francis Ford Coppola, por trás da trilogia "O Poderoso Chefão" e do imbatível "Apocalypse Now”.

Hotéis de Coppola em Belize

Sim, o diretor hollywoodiano possui paixões além do cinema que englobam viagem e gastronomia. Isso inclui uma vinícola na Califórnia e a rede de hotéis de luxo Coppola Hideaways, com seis propriedades espalhadas por Belize, Guatemala, Argentina, Itália e Estados Unidos.

Na década de 1980, Coppola visitou Belize e teve um caso de amor pelo país e seus cenários, comprando algumas propriedades por aqui ao longo dos anos.

Entre elas estão o Blancaneaux Lodge, hospedagem próxima à fronteira com a Guatemala; o Turtle Inn, na charmosa praia de Placencia, na ponta de uma península no Mar do Caribe; e a Coral Caye, pequena ilha particular que pode ser totalmente nossa durante alguns dias.

São destinos que eu voltaria - e em que tive vontade de ficar. Durante a jornada, me aventurei em programas variados que podem servir de inspiração para a sua viagem, desde mergulho com tubarães e tartarugas até visita a sítios arqueológicos.

Blancaneaux Lodge: exclusividade e natureza

Não muito longe da fronteira com a Guatemala, a Reserva Florestal Mountain Pine Ridge tem mais de 43 mil hectares e é destino queridinho para o ecoturismo. Fica a cerca de 1h50 do Aeroporto Internacional Philip S.W. Goldson, a principal porta de entrada para o país, e abriga o Blancaneaux Lodge, a primeira propriedade que Coppola comprou em Belize.

A hospedagem foi usada como refúgio familiar até 1993, quando, para nossa sorte, foi aberta para o público. Fica em uma localização remota nas montanhas, às margens de um rio, entre pinheiros tropicais e palmeiras. Há apenas 20 cabanas, todas com tetos de palha e decoração que remete à vizinha Guatemala, sendo que algumas possuem piscinas privativas.

As cabanas abraçam toda a imensidão verde e, como de praxe nos hotéis de Coppola, são decoradas com objetos garimpados durante as viagens da família. Até o telefone adiciona um toque de humor e magia: para falar com a recepção, os quartos são equipados com um “shellphone”, aparelho em formato de concha.

Todos os cantinhos do hotel são charmosos e escondidinhos, incluindo a piscina de água doce de borda infinita decorada com azulejos de cerâmica, cercada por um pátio de pedra. Com vista para o riacho, o spa tem uma abordagem tailandesa, tanto na decoração quanto na massagem, sendo espaço para tratamentos vigorosos.

A gastronomia é outro ponto alto. Junto do chef, podemos caminhar pela horta e ter uma experiência farm to table literal, em que escolhemos as ervas e os vegetais mais frescos para um menu vegetariano pensado na hora. Repolho, berinjela, couve, espinafre, pimenta, alfaces e abobrinha convivem aqui e vão parar de forma deliciosa em nosso prato.

Há dois restaurantes no hotel, um à beira da piscina, especializado na culinária guatemalteca, e outro de culinária italiana clássica. Outra experiência proporcionada pelo hotel é um jantar ao ar livre com comidas típicas, que pode começar com uma sopa negra com urucum, frango e ovo cozido, com um defumado que explode na boca.

Pratos tradicionais incluem banana frita, arroz misturado com feijão e coco, uma salada de batata e carne cozida junto do molho. Foi um lembrete de que a culinária de Belize remete à comida caribenha, mas tem personalidade própria.

Resquícios maias

Hiking, cavalgadas, observação de pássaros e mountain bike estão no leque de atividades oferecidas, mas tours para fora da propriedade ganham um gostinho especial. É o caso da visita ao sítio arqueológico Xunantunich, um dos mais antigos do país.

Aqui havia uma cidade totalmente construída pelos maias, com população estimada entre sete e dez mil pessoas em torno de 600 a 800 a.C. As pedras usadas nas construções foram cortadas em forma de tijolo e montadas uma a uma, resultando em casas e templos, recheados de simbolismos e crenças. Digo com certeza: faz toda a diferença visitar o local com um guia, que nos dá uma dimensão mais certeira do que isso tudo representou.

O Blancaneaux ainda oferece outras experiências, como visita ao sítio arqueológico El Caracol, o maior de Belize; ida a cavernas, como a Bartoon Creek Cave Reserve; passeio na Big Rock Falls, uma cachoeira de 45 metros com direito a banhos e piscinas naturais nas proximidades; e até tour de chocolate.

Turtle Inn: mar e refúgio

A jornada em Belize fica completa com uma estadia em outra propriedade de Coppola, o Turtle Inn, em Placencia, uma vila de pescadores na ponta de uma península. É o pacote perfeito em Belize, apelidado de "surf and turf", uma mistura entre mar e terra.

Do Blancaneaux ao Turtle Inn são cerca de três horas de carro. O cineasta adquiriu a propriedade à beira-mar em 2001 e criou outro refúgio. Há ao todo 25 acomodações, todas com telhado de palha e com móveis balineses artesanais.

Entre as comodidades há uma lojinha com curadoria de Sofia Coppola, filha de Francis e também cineasta, assim como uma coleção de filmes em preto e branco, spa e quatro restaurantes, incluindo grill e pizza, além de bares e adega. É daqueles lugares que queremos ficar o maior tempo possível.

A gastronomia é destaque mais uma vez. À mesa podemos nos deliciar com perna de boi caramelizada, barriga de porco em molho de soja e camarão ao curry. Os jantares sempre têm peixes frescos e as garfadas têm gosto da grelha e do coco.

A adega é caprichada e merece uma degustação guiada, com uma imersão nos vinhos do próprio Coppola, vindos da Califórnia. Queijos e comidinhas acompanham os rótulos brancos e tintos.

Mergulho com tubarões e ilha privativa

Além de atividades no mar, como stand-up paddle e caiaque, o hotel tem um centro próprio de mergulho. Belize orgulha-se de ter o segundo maior sistema de barreira de recifes do mundo, onde vivem mais de 500 espécies de peixe, 60 de corais e 350 tipos de moluscos. A barreira é, inclusive, um Patrimônio Mundial da Unesco e lar do Blue Hole, enorme buraco subaquático que é destino popular para mergulho.

Através de um passeio de barco chegamos em alto mar e, então, mergulhamos com cilindros. Eu nunca tinha ficado tão perto - e durante tanto tempo - ao lado de um tubarão-lixa, como ocorreu em Belize. Lagostas enormes e uma moréia-verde me acompanharam na aventura.

Como mergulhar dá fome, seguimos para o almoço em uma ilhota privativa. É literalmente um pedacinho do paraíso diante dos nossos olhos, com um cenário incomparável.

A paradinha me lembrou que a família Coppola também tem uma outra ilha privativa disponível para estadias, a Coral Caye. Ela fica a 25 minutos de barco do Turtle Inn e é dotada de uma pequena praia. As refeições são preparadas diariamente pelos cuidadores da ilha e três acomodações abrigam de dois a dez hóspedes.

Para coroar o dia, nada melhor do que entrar na água novamente e bisbilhotar o fundo do mar com um snorkel. Por ali, fui acompanhada por uma tartaruga gigantesca, que ofuscou os tubarões-lixa que passavam bem pertinho de mim. É um espetáculo da natureza.

De volta em terra firme, a noite foi encerrada com a melhor despedida possível, com muita música caribenha e comidinhas locais. Foi um momento de festa e de acolhimento, que resume bem o que Belize tem a nos oferecer.

Raio-X de Belize

  • Onde fica? Na América Central, fazendo fronteira ao norte com o México, ao sul e oeste com a Guatemala e a leste com o Mar do Caribe;
  • Como chegar? Companhias aéreas comerciais pousam no Aeroporto Internacional Philip Goldson, a poucos minutos da Cidade de Belize. Não há voos diretos do Brasil. A forma mais fácil é fazer uma conexão na Cidade do Panamá;
  • Qual a língua? Inglês, mas o espanhol também é falado por boa parte da população;
  • Qual a moeda? Dólar belizenho, mas o dólar americano também é aceito em boa parte dos lugares;
  • Qual o fuso horário? Três horas atrás do horário de Brasilia;
  • Necessita de visto? Não. Visitantes brasileiros a turismo têm direito a uma estadia de um mês; após o período podem solicitar uma extensão ao Departamento de Imigração;
  • Qual a melhor época para ir? Durante a estação seca, que vai de meados de novembro a maio. O período tem um clima mais agradável para aproveitar atrações do país, incluindo as belas praias, florestas tropicais e os sítios arqueológicos.

 

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