Algarve é destino ideal para o verão europeu, que prova ser multifacetado

Falésias e praias perfeitamente esculpidas pelo mar continuam como cartões-postais, mas artesanato, mercadões e marina entram em cena para mostrar um outro lado da requisitada região

Saulo Tafarelodo Viagem & Gastronomia

A história diz que o Algarve já foi até reino, mas hoje é uma das regiões mais badaladas da Europa quando as temperaturas no Hemisfério Norte começam a subir. Com a chegada do verão, turistas do mundo todo, especialmente britânicos, americanos e brasileiros, partem para o sul de Portugal em busca de muito sol, boa cama, boa mesa e paisagens perfeitamente esculpidas pela natureza.

O melhor de tudo é que ele prova ser uma palavra plural, já que são muitos os “Algarves” em um só. As sedutoras praias em meio às dramáticas falésias douradas, os tons de azul que o Oceano Atlântico assume e as típicas casinhas brancas continuam como inigualáveis cartões-postais da região.

Entretanto, as descobertas não param por aí: no interior ou no litoral, vilas e cidadezinhas que antes passavam longe do radar hoje despontam ao unir criatividade e tradição – e merecem estar no seu roteiro. Surgem no horizonte ainda os hotéis do grupo português Tivoli Hotels & Resorts, que promove diferentes tipos de hospedagens e experiências algarvias.

Para uma estadia com vistas de deixar qualquer um boquiaberto, o Tivoli Carvoeiro é pedida certa, já que se abre diretamente para uma falésia. Quem procura beach club e marina para ver e ser visto, o Tivoli Vilamoura é mais adequado. No meio do caminho, as cidades de Portimão, Loulé e Olhão aparecem como ótimas escapadinhas para degustar um outro lado do Algarve.

Carvoeiro: o Algarve cartão-postal

A cerca de 2h30 de Lisboa, a pitoresca vila de Carvoeiro se destaca pelas típicas casinhas brancas, construídas com paredes grossas de cal para reduzir o calor. O diminuto centrinho se abre para uma praia que não perde em nada o charme para costas na Grécia e na Itália e acende a pergunta: “por que não vim para cá antes?”.

As ruas sossegadas – salvo na alta temporada, entre julho e setembro – acumulam restaurantes, bares e sorveterias. A melhor forma de apreciar as vistas é de cima, no mirante próximo ao Forte de Nossa Senhora da Encarnação, do século 17.

Por falar em vistas, a menos de 10 minutos a pé fica o Tivoli Carvoeiro Algarve Resort, cuja paisagem é dominada por uma enorme falésia com a movimentação do mar logo abaixo. O hotel é escalonado (o lobby fica no 5º andar, no nível da rua) e possui 248 acomodações, todas de tamanhos diferentes, incluindo quartos familiares, e de pegada contemporânea com cores leves, como dita o litoral.

Com visuais arrebatadores, amplas áreas abertas, spa com quatro salas e restaurantes que esbanjam frutos do mar e peixes, não é de se espantar que americanos e brasileiros entre 30 e 40 anos sejam o principal público por aqui. Para o verão, a média de ocupação fica acima dos 90% e as reservas são feitas com um ano de antecedência. A boa notícia é que os restaurantes do hotel são abertos também a não hóspedes. São cinco espaços gastronômicos, de fine dining ao casual.

O destaque vai para o Sky Bar Carvoeiro, no topo do hotel e detentor da vista mais sexy da região. Melhor aproveitado no pôr do sol, quando a luz natural do Algarve deixa tudo mais mágico, o ambiente ao ar livre é dividido em dois: sofázinhos de um lado para drinques sem pressa no bar e, do outro, mesas para aproveitar o restaurante. Coquetéis autorais e clássicos dividem a carta e o menu é dominado por sushi, com direito a atum bluefin e peixes da costa portuguesa, como o lírio dos Açores. Experiências omakase e combinados também estão presentes.

Detalhes do Sky Bar Carvoeiro, no Tivoli Carvoeiro Algarve Resort
No topo do hotel, Sky Bar Carvoeiro é quase uma atração na região e conta com coquetéis autorais e sushi / Divulgação

Se deseja experimentar uma comida algarvia sofisticada, a dica é jantar no The One, onde moréia frita, ceviche de lírio, cataplana com amêijoas, mexilhões, robalo, e sobremesas com alfarroba e laranja são boas escolhas do cardápio. No nível da piscina, o Mare Bistro é indicado para almoços em dias radiantes, com entradas e pratos descontraídos, incluindo camarões empanados e crocantes, salada com ceviche de polvo e pregado, peixe da região acompanhado de legumes.

Seja qual for a refeição, dê preferência a vinhos do próprio Algarve, ainda pequeno na produção comparado a outras regiões portuguesas, mas com boas descobertas – rótulos da Paxá Wines e da Quinta do Barranco Longo são constantes nas cartas. Tais vinícolas ficam nos arredores e podem ser visitadas com a ajuda do concierge do hotel. Morgado do Quintão, Cabrita Wines, Quinta dos Vales e Quinta dos Santos são outros nomes populares das redondezas.

A meca das grutas

Uma viagem ao Algarve não fica completa sem um passeio de barco por suas grutas – que pode ser organizado com auxílio do hotel ou por meio de lojas e agências da região. Os mais comuns saem das praias de Centeanes, do Carvoeiro e da marina de Portimão, cidade a cerca de 20 minutos da vila.

Os roteiros passam por atrativos naturais lindamente esculpidos pelo mar, como praias acessíveis somente de barco, grutas silenciosas e paredões de rocha ocre. Costumam aparecer entre os nomes a Gruta do Contrabando, que já serviu como passagem para produtos contrabandeados; a Praia de Centeanes, a mais próxima do Tivoli Carvoeiro; a Praia do Carvalho, com entrada pelo meio das pedras; a Rocha do Elefante, que se assemelha ao mamífero; e o Algar de Benagil, a gruta mais famosa de todo o Algarve e que causa até trânsito de barcos.

Prefira fazer passeios logo pela manhã, já que à tarde os ventos costumam ser mais fortes e o mar muda de temperamento. Há desde passeios de 1h em embarcações com outros turistas e uso de coletes salva-vidas a partir de 25 € (cerca de R$ 150), até os mais privados, de 3h com direito a mergulhos, snacks e espumantes. A Thalassa Yachts é uma empresa que realiza essa última modalidade, com valor de 700 € (R$ 4.195) por casal – há possibilidade de dividir entre oito pessoas, em que os preços aumentam proporcionalmente. Caiaques também podem ser alugados e são populares entre aventureiros.

Além de belas, as falésias da região ainda possuem trilhas que se estendem por vários quilômetros. Saindo do Tivoli Carvoeiro há uma que passa por encostas e extremidades e que leva até a Praia da Marinha, a mais de 4 km do hotel. Se desejar uma caminhada mais leve, aposte no Caminho Algar Seco, ao lado do centrinho de Carvoeiro, que possui 600 metros de passarelas e explicações no trajeto. Mas não se preocupe: tuk-tuks gratuitos para hóspedes do resort ligam a propriedade a estes pontos e são uma verdadeira mão na roda.

Loulé, Vilamoura e Olhão: um outro Algarve

Artesãs trabalham em oficina local do projeto Loulé Criativo
Artesãs trabalham em oficina local do projeto Loulé Criativo, que coloca a cidadezinha no mapa das interessantes descobertas pelo Algarve / Saulo Tafarelo

Não é só de falésias e de pequenas praias que o Algarve vive: no interior, mais próxima da serra do que da água, Loulé aparece como paradinha ideal no caminho para a Vilamoura, destino ainda não tão conhecido dos brasileiros. A cidadezinha merece constar no roteiro por conta de sua alma criativa e artística.

Monumentos de séculos passados vivem em sintonia com a tranquilidade da cidade, incluindo o Castelo de Loulé, erguido por mouros a partir do século 11, o Jardim dos Amuados, ao lado de um minarete do século 13, e uma parte do Caminho de Santiago. Entre as ruas, lojinhas identificadas com uma mesma placa fazem parte do Loulé Criativo, projeto que joga luz a artesãos e designers locais ao manter a tradição de artes manuais e impulsionar novidades.

A sede fica no Palácio Gama Lobo, dos séculos 18 e 19, com sala de exposições aberta ao público e produtos dos artesãos à venda. Um dos residentes é o brasileiro Wesley Sacardi, que trabalha com madeiras recuperadas e que mantém uma oficina dentro do endereço. Antes de seguir viagem, passe no Mercadão de Loulé, que vende produtos regionais, como alfarroba, figos e amêndoas, assim como possui cevicheria e tapas da Andaluzia.

Uma atmosfera diferente daquela do Algarve cartão-postal é encontrada ainda na Marina Vilamoura, um investimento privado na cidade de Vilamoura que vem se modernizando ao longo do tempo. Campos de golfe são comuns nos arredores, o que já dita o tom do local e de quem o frequenta, assim como há uma longa praia, mas sem falésias à vista.

Totalmente remodelado no ano passado, o Tivoli Marina Vilamoura se destaca ao ser colado à marina, o coração do destino. A propriedade de 384 quartos segue o estilo “resortão”, com grande piscina central repleta de espreguiçadeiras e guarda-sóis, sete opções gastronômicas e clube de praia. O beach club, assinado pela marca espanhola Purobeach, conta com restaurante, onde prevalecem comidinhas leves e frescas, e estrutura de praia pagos à parte. A música é trendy e DJs embalam a trilha sonora durante o verão.

Além de jovens circularem entre os hóspedes, o hotel conta com muitas famílias, em que os espanhóis e os ingleses se sobressaem entre as nacionalidades. A atividade favorita aqui é relaxar à beira da piscina com direito a muito sol. Por falar em relaxamento, o spa surpreende: são mais de 2,4 mil m², 11 salas de tratamento com deque, jacuzzi, saunas e piscina aquecida interna. No cair da noite, a pedida é passear pela marina, com concentração de bares, restaurantes e iates a perder de vista.

Com Vilamoura de base, vale ainda um bate e volta até Olhão, a 30 km daqui e parte de um Algarve “desconhecido” para o turismo de massa. A cidade sofria com criminalidade e pobreza, mas de uma década para cá sua mentalidade mudou, com mais ofertas culturais e passeios pelo Parque Natural da Ria Formosa, cheio de ilhas com praias, como a da Armona e do Farol, e com destaque para uma das maiores produções de amêijoas de Portugal.

Diana Nunes, dona da agência PT4U, desenha tours para duas pessoas, em média, por 150 € (cerca de R$ 900) por pessoa com direito a almoço – tudo organizado com a ajuda do resort. O roteiro pode passar por antigas fábricas de latas de conservas, por ruelinhas históricas e terminar no Mercado de Olhão, dividido entre vegetais e peixes, onde carapau, sardinha, safio, atum, pata roxa, tamboril e pregado se enfileiram nas vendinhas.

De volta a Vilamoura, a dica é aproveitar coquetéis equilibrados no The Argo Cocktail Bar, bar de alta coquetelaria no Tivoli Vilamoura inspirado na mitologia grega, e emendar um jantar caprichado no Pepper’s Steakhouse, com cortes dry-aged à vista e camarão-tigre-gigante no cardápio.

Se sua despedida das férias em Portugal se der em Lisboa, não se esqueça de pernoitar no Tivoli Avenida da Liberdade, o primeiro hotel do grupo, ou ainda ter uma noite memorável com as melhores vistas para a capital no SEEN Sky Bar antes de voltar para casa.

Tivoli Carvoeiro Algarve Resort: Apartado 1299 – Vale do Covo – Praia do Carvoeiro 8401-911 Lagoa, Portugal / Diárias, em média, a partir de 200 €, com café da manhã incluso 
Tivoli Marina Vilamoura Algarve Resort: Apartado 65 Marina Vilamoura 8125-401 Vilamoura, Portugal / Diárias, em média, a partir de 200 €, com café da manhã incluso

*O jornalista viajou para Portugal a convite do Tivoli Hotels & Resorts