Jato de R$ 420 mi, carro e helicóptero: Catarina Aviation vira hub de luxo
Além de jatos executivos, Catarina Aviation Show reúne SUVs elétricos, iates e helicópteros em uma vitrine voltada ao estilo de vida do público de alta renda

Em pouco mais de seis anos, o São Paulo Catarina Aeroporto Executivo Internacional tornou-se líder nos movimentos da aviação executiva no Brasil. Instalado às margens da Rodovia Castello Branco, a apenas 40 minutos de São Paulo, o aeroporto privado é palco desde 2022 do Catarina Aviation Show, que celebra neste ano a quinta edição.
O evento, que segue até sábado (23), foi escolhido para a estreia mundial em uma feira do jato executivo mais rápido e com maior alcance do planeta, o Bombardier Global 8000.
Capaz de atingir pouco mais de 1.100 km/h, o modelo foi projetado para rotas ultralongas e tem alcance de cerca de 14,8 mil km, permitindo conectar São Paulo a praticamente qualquer grande centro financeiro do mundo, como Londres e Dubai, sem escalas. O jato custa a partir de US$ 85 milhões (mais de R$ 420 milhões na cotação atual).
Com quase 34 metros de comprimento, acomoda até 19 passageiros em uma cabine dividida entre área social, sala de reuniões e jantar, lounge de entretenimento e suíte privativa. A suíte é equipada com cama de casal, guarda-roupa e banheiro, que pode ser configurado até com chuveiro, se esse for o gosto do freguês.
Brasil como mercado estratégico
O Brasil concentra a segunda maior frota de jatos executivos do mundo, segundo análise da Airbus Corporate Jets (ACJ) com base em dados das consultorias JetNet e WingX. O lançamento do Global 8000 em solo nacional não é coincidência.
De acordo Heron Nobre, diretor de vendas da Bombardier no Brasil, o país vive um crescimento da demanda por jatos de longo alcance, impulsionado pela expansão internacional de empresas brasileiras e pela busca por uma mobilidade mais ágil no mundo dos negócios.
"Algumas pessoas acham que a aviação executiva é um brinquedinho de luxo. Hoje, a aviação executiva é uma ferramenta de trabalho que viabiliza negócios. Quase 99% dos nossos clientes são empresários ou empresas que usam a aviação executiva a trabalho. O Brasil tem cerca de cinco mil aeroportos e pistas, mas apenas cerca de 150 são atendidos pela aviação comercial. O restante é atendido pela aviação executiva", diz o diretor ao CNN Viagem & Gastronomia.
Para a Bombardier, o Brasil é um mercado estratégico: a América Latina concentra cerca de 700 aeronaves da marca, o equivalente a 28% do mercado, com destaque para Brasil, México e Argentina. A importância do mercado brasileiro também se reflete na criação de um diretor de vendas dedicado ao país, cargo ocupado por Heron, e na presença de três aeronaves na feira: além do Global 8000, estão expostos o Global 6500 e o Challenger 3500. "Somos o fabricante que mais trouxe aeronaves. Isso demonstra um custo alto para trazê-las e o quanto o público brasileiro é fundamental para a Bombardier."
Porém, nem tudo no Catarina Aviation Show gira em torno do que decola. Fechado para convidados, o evento reflete o estilo de vida do público de alta renda ao reunir veículos de ar, terra e mar. O próprio endereço dá pistas disso, já que o aeroporto é operado pela JHSF, com o Grupo Fasano responsável pelo catering.
A volta de um clássico, agora reinventado
A feira é palco de outra estreia marcante. Após mais de 70 anos fora do mercado brasileiro, a Cadillac voltou oficialmente ao Brasil e faz sua primeira aparição pública no Catarina Aviation Show. Por enquanto, três carros chegarão ao Brasil, todos SUVs elétricos. Em um primeiro momento, desembarcam por aqui o Cadillac Lyriq e o Vistiq e, posteriormente, o Optiq, previsto para o início do próximo ano. A pré-venda está marcada para agosto e ainda não há preços definidos.
"Esses carros elétricos são a expressão de uma nova Cadillac, de uma empresa mais moderna e de um sistema de dirigibilidade mais confortável. Num momento em que o Brasil expande cada vez mais a eletrificação, não há momento melhor para trazermos a marca de volta", explica Felipe Manenti, head da Cadillac no Brasil.
Couro ecológico patenteado, vidros com tecnologia de absorção solar, regeneração da bateria durante a condução e autonomia de cerca de 500 km estão entre os diferenciais de modelos como Lyriq e Vistiq. A marca mira um público formado por empresários, empreendedores e executivos C-level que possuem outros veículos na garagem, mas que buscam carros voltados ao prazer de dirigir. São Paulo, Brasília e Curitiba serão as três principais praças no Brasil.
A retomada acontece em um momento de expansão global da marca, que recentemente abriu mercado no Egito e ampliou operações na Europa. No começo de maio, a General Motors anunciou que a Cadillac bateu a marca histórica de 100 mil veículos elétricos vendidos nos Estados Unidos desde 2022.
A entrada da Cadillac na Fórmula 1 também faz parte dessa estratégia de posicionamento premium e global, funcionando como vitrine para dialogar com códigos ligados ao lifestyle de alta renda. Ao mesmo tempo, esse novo momento ainda guarda laços de afetividade com a cultura pop.
Associada à ascensão social, a Cadillac ficou eternizada nos filmes e na música, incluindo o lendário Cadillac rosa de Elvis Presley. Pioneira em adotar tecnologias como partida elétrica e ar-condicionado em carros de passeio, a marca também popularizou elementos de design como as lanternas em formato de “rabo de peixe”, reinterpretadas hoje em modelos mais esportivos como o Lyriq.
Futuro não tão distante
Outra vertente ligada ao público de alta renda é a combinação entre soluções de mobilidade e helicópteros, especialmente em uma metrópole congestionada como São Paulo. A Revo, outra expositora no evento, afirma crescer mais de 200% ao ano e fechou a compra de 50 eVTOLs (Veículos Elétricos de Pouso e Decolagem Vertical) da Embraer, também presente na feira. O pacote saiu por US$ 250 milhões (cerca de R$ 1,2 bilhão).

A aposta é que o "carro voador" será um dos próximos passos da aviação urbana sustentável. A expectativa é iniciar as operações em 2028. Segundo a empresa, os eVTOLs terão autonomia de cerca de 100 km e devem complementar os helicópteros tradicionais em trajetos mais curtos, com a vantagem de produzir menos ruído, como afirma Patrícia Dib, diretora de marketing da Revo.
Nascida no pós-pandemia como uma plataforma do grupo Omni Helicopter International, tradicionalmente ligado à operação de helicópteros no setor de óleo e gás, a empresa criou um serviço voltado ao consumidor final que combina traslado aéreo e logística integrada.
A ideia é que o passageiro compre apenas um assento, com valores a partir de R$ 2.750, e tenha acesso a todo o restante, como lounge, carros blindados e auxílio com bagagem. Segundo Patrícia, a empresa mantém a operação mesmo sem ocupação mínima, oferecendo ao cliente uma experiência mais exclusiva. Em caso de condições meteorológicas adversas, há carro de backup ou crédito para remarcação.
"Apesar da nossa solução ser pioneira, o grande diferencial foi a construção da marca. Sempre tivemos o cuidado de passar um valor e nos inserir no lifestyle do nosso público. Estamos em eventos como SP-Arte e SP Open. Queremos tratar a marca como algo que fale da identidade desse público. É contemporâneo e utilitário. Para nós, receber bem no lounge e aprimorar a estética é tão importante quanto fazer um bom voo", conclui Patrícia.


