Costa da Ístria, na Croácia, tem destinos de alma italiana e mar cristalino

Entre as cidades de Rovinj e Pula, costa da Ístria revela heranças venezianas, ruínas romanas e paisagens marcadas pelo Adriático

Daniela Filomeno, do Viagem & Gastronomia
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A Croácia tem algumas das cidades mais deslumbrantes da Europa, mas, geralmente, o país não consta nos roteiros de viagem pelo continente. Talvez o mar cristalino, os vilarejos medievais no alto de colinas e a gastronomia sazonal rica em frutos do mar, azeite e trufas façam com que você mude de ideia. Esse é um gostinho da costa da Ístria, região banhada pela beleza incomparável do Mar Adriático.

Curiosamente, essa é uma das áreas mais italianas fora do país da bota. Nas ruas, os ouvidos atentos distinguem o italiano de outras línguas e a arquitetura ecoa heranças de outros séculos. Vários são os resquícios da República de Veneza e dos tempos romanos preservados por destinos ao longo da costa, como em Rovinj e Pula.

Visitei ambas as cidades como parte da viagem de trem "Grande Expresso do Oriente", desenhada pela agência brasileira Latitudes, que atravessou a Europa Central da Suíça até a Turquia em um roteiro inspirado no lendário Expresso do Oriente. De Zurique, na Suíça, passei por Salzburgo, na Áustria, e Liubliana e Bled, na Eslovênia, para cruzar a fronteira da Croácia.

Tanto Rovinj quanto Pula concentram ruas de pedra e construções coloridas. O destaque vai para a Arena de Pula, um dos anfiteatros romanos mais bem preservados do mundo. À beira do Adriático, os destinos podem ser uma novidade no seu roteiro, com surpresas de sobra e menos multidões.

"A Croácia tem uma relação amistosa com a Itália. É só andar pelas ruas para percebermos que há muitos italianos pela região. Há uma troca cultural no próprio estilo das cidades, assim como uma troca das pessoas, que passam verão aqui e que possuem casas", comenta Saulo Goulart, historiador que acompanhou a jornada.

O charme de Rovinj

Rovinj é uma das cidades mais bonitas do país. Distante cerca de 250 km da capital Zagreb, é uma das principais atrações da costa da Ístria. É pequena em tamanho, mas grandiosa em história.

Ao caminharmos sem pressa pelo porto e pela Cidade Velha, com ruelas estreitas e construções coloridas, percebemos várias semelhanças com a Itália. Não por acaso: a cidade pertenceu por séculos à República de Veneza.

"A Iugoslávia ocupava toda essa região. Mas antes dela há duas presenças conflitantes, o Império Austro-Húngaro e o Império Otomano, no começo do século XX. Antes mesmo disso, houve a presença da República de Veneza, que ocupava a região e monopolizava o que seria o comércio no Mar Adriático", contextualiza Saulo Goulart.

Um desses resquícios é o Arco de Balbi, do século XVII, que fica na entrada da Cidade Velha. É um símbolo que diz muito sobre o passado. O centrinho histórico fica em uma península de formato oval, composto de ruas de paralelepípedos e pequenas praças.

A paisagem fica completa com a torre de uma igreja que se ergue no ponto mais alto da localidade. Falo da Igreja de Santa Eufêmia, joia barroca do século XVIII. Sua torre sineira tem mais de 60 metros de altura e foi inspirada no campanário da Basílica de São Marcos, em Veneza. Lá em cima, encontramos vistas privilegiadas para a cidade e o mar.

Com escadarias, a Rua Grisia é uma das principais da Cidade Velha, nos levando ao platô da igreja. É dotada de paralelepípedos e constantemente há exposições artísticas ao ar livre. Já a praça principal de Rovinj guarda a torre do relógio, construída no século XVII.

O passado romano de Pula

Seguindo pela costa, a cerca de 40 km de Rovinj, a cidade de Pula foi outra que visitei na Croácia. Símbolo local, o grande atrativo é a Arena de Pula, um dos anfiteatros romanos mais bem preservados fora da Itália. No seu auge, acomodava mais de 23 mil pessoas.

O interessante é que a arena ainda é usada para concertos, exibições de filmes, exposições e espetáculos históricos, sendo um palco vivo onde o passado e o agito cultural contemporâneo se intercalam. Para este ano, estão marcados shows de nomes como John Legend, Lenny Kravitz e Ricky Martin.

E quem disse que não temos lutas de gladiadores? O calendário abrange ainda o Spectacula Antiqua, que revive os espetáculos romanos sob uma ótica moderna. As sessões são realizadas regularmente de junho a setembro.

Na cidade, a presença italiana é apenas uma entre várias. Há influências romanas, venezianas e austro-húngaras, sendo o legado romano o mais notável. Como explica o guia local Goran Cvek, “esta parte do país é croata como qualquer outra, mas há camadas muito visíveis do passado”.

Além da beleza de seu porto e praias, Pula ainda guarda ruínas históricas importantes, como o Arco dos Sérgios, de 27 a.C., e o Templo de Augusto, dedicado ao primeiro imperador romano. Há ainda o Fórum e o Pequeno Teatro Romano, e a Fortaleza de Kaštel, com o Museu Histórico e Marítimo da Ístria e o sistema de túneis subterrâneos Zerostrasse, que revela o mundo subterrâneo escondido de nossos olhos.

O Lungomare é um calçadão à beira-mar apreciado pelos moradores para passeios tranquilos, enquanto a península de Verudela esbanja atrações naturais. O Gradska Tržnica, o mercadão da cidade, é onde encontramos produtos locais e lembrancinhas para levar para casa. Para ficar de olho nos eventos e nas atrações da cidade, o site oficial de turismo local pode nos ajudar.

 

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