Conheça Bled, destino na Eslovênia com um dos lagos mais bonitos do mundo
No noroeste da Eslovênia, os arredores do Lago Bled reúnem castelo medieval, ilha com igreja e paisagens alpinas de tirar o fôlego

Espremida entre os Alpes e o Mar Adriático, na divisa com Itália, Áustria e Croácia, a Eslovênia nos presenteia com paisagens cinematográficas de fazer suspirar. Ainda pouco conhecida pelos brasileiros, é daqueles destinos que merecem uma chance no roteiro pela Europa Central. Todo o esplendor fotogênico do país se revela em Bled, no noroeste do país, onde um castelo medieval e uma igreja no meio de um lago formam um dos cartões-postais mais incríveis do mundo.
A cidade fica na encosta dos Alpes Julianos, ao sul da fronteira austríaca, e abriga um dos lagos mais bonitos do mundo, o Lago Bled. Em 2023, entrou para a lista dos 25 lugares mais lindos do planeta, segundo a CNN Travel. Esses e outros atrativos fizeram parte da minha travessia a bordo da viagem de trem "Grande Expresso do Oriente", desenhada pela agência brasileira Latitudes.
Durante 22 dias, cruzei a Europa da Suíça até a Turquia em uma jornada inspirada no clássico Expresso do Oriente, que redefiniu as viagens de trem e injetou doses de elegância nunca antes vistas em expedições sobre trilhos. Depois de passar por 10 países e 14 cidades, minhas andanças renderam cinco episódios, que vão ao ar na 12ª temporada do CNN Viagem & Gastronomia.
Após sair de Zurique, na Suíça, e passar por Salzburgo, na Áustria, o trem adentrou a Eslovênia, onde fiquei encantada com as cavernas da região de Postojna e com o encontro de várias eras na capital Liubliana. Dali, parti com os especialistas da Latitudes, que transformam a expedição em uma verdadeira viagem de conhecimento, para descobrir os encantos de Bled.
Lago e ilha de Bled
De Liubliana para Bled são cerca de 55 quilômetros, convite perfeito para um passeio bate e volta a partir da capital, já que a cidade é facilmente acessível de ônibus ou de carro. No passado, Bled chegou a ser um importante núcleo religioso, onde aristocratas levavam convidados para mostrar as maravilhas naturais da região. Hoje, se consolidou como um dos principais refúgios turísticos da Eslovênia.
O cenário faz jus à fama: a torre da igreja dedicada à Virgem Maria ergue-se no meio do lago enquanto o horizonte é marcado pelos traços medievais do Castelo de Bled e pelos picos nevados dos Alpes. Caminhar sem pressa à beira do Lago Bled já é um deleite, rodeado por vilas pitorescas. Mas uma visita não fica completa sem, de fato, cruzarmos as águas até a pequena Ilha de Bled.
A forma mais romântica e tradicional de chegar até a ilha é com ajuda de barquinhos chamados "pletna", típicos da cultura local, guiados à base de remo. De longe é possível avistar a igreja, a principal construção da ilha, com sua torre sineira de mais de 50 metros.
O templo foi erguido originalmente no século XI, depois foi reconstruído no estilo gótico no século XV. O que vemos atualmente é uma versão barroca do fim do século XVII. Uma escadaria de 99 degraus dá as boa-vindas e nos convida a subir até a igreja. Mas por que não há 100 degraus? Talvez seja para relembrar a nossa imperfeição diante do divino.
Dentro do templo, muito ouro e adornos ricamente trabalhados impressionam os olhos. A superstição diz que nossa vontade será realizada se tocarmos o Sino dos Desejos três vezes, mas sob uma condição: não contá-la para ninguém. Mais do que isso, o local é ideal para agradecimentos.
Em uma construção vizinha à igreja podemos experimentar alguns docinhos da culinária eslovena. Um deles é a Potica, a "rainha das sobremesas" do país. “É como uma tradição familiar, feita especialmente para feriados religiosos, como Páscoa e Natal. Fazemos Potica desde o século XV”, conta Tine Acimovic, guia de turismo local. A iguaria lembra um pão bem recheado, com casquinha crocante, sem tanto açúcar.
O acesso à igreja sai por 12 euros (cerca de R$ 72). Além dos barquinhos tradicionais, a travessia no lago pode ser feita por meio de pequenas embarcações elétricas. Os valores giram em torno de 15 e 18 euros (R$ 90 e R$ 108). Os horários e valores podem ser consultados no site.
Castelo de Bled e paisagens únicas

Uma vez na cidade, vale a visita ao Castelo de Bled, repleto de história e vistas deslumbrantes. Ele não fica na ilha, mas enquadra as paisagens de maneira ímpar. Existe há mais de mil anos, construído primeiramente no século XI para fins defensivos, sem aposentos suntuosos. Foi complementado com torres e sistema de fortificação na Idade Média e, ao longo dos séculos, sofreu com terremotos e até incêndios.
Foi aberto de maneira turística a partir dos anos 1950 e conta com brasões pintados em afresco, museu, capela, restaurante e até adega, onde podemos comprar rótulos e engarrafar nosso próprio vinho.
Eventos culturais também ocorrem no pátio do castelo, especialmente nos meses mais quentes. Um exemplo são as "Jornadas Medievais", quando cavaleiros mostram aos visitantes como as pessoas viviam na Idade Média. A entrada regular no castelo para adultos sai por 19 euros (cerca de R$ 114).
Almoço especial
Para coroar nossa passagem pela Eslovênia, a Latitudes preparou um almoço especial no castelo, com direito a degustação de comidas eslovenas harmonizadas com vinhos. Pioneira em viagens privativas nos locais mais arrebatadores do mundo, a agência costuma mimar os participantes com ocasiões exclusivas - isso sem contar a riqueza cultural que os especialistas nos passam.
Um dos vinhos servidos no almoço me surpreendeu, feito com uva Malvasia, muito típica daqui, que resultou em uma bebida frutada e cheia de mineralidade.
Pratos como carpaccio de robalo com semente de abóbora, ravióli recheado de queijos e cogumelos com molho de abóbora, e carne de cervo com purê de castanhas mostraram um pouco da sazonalidade e da influência italiana, principalmente do Mediterrâneo, na gastronomia do país.
No fim, brindei com um Cabernet Sauvignon proveniente da fronteira da Eslovênia com a Itália, um vinho que emana elegância e leveza, traduzindo bem a experiência que tive no próprio país.
“Temos uma pequena ilha com uma igreja no topo e, se isso não for suficiente, ao fundo temos um castelo. Mas se isso ainda não for suficiente, temos montanhas e, se tivermos sorte, veremos neve no topo. Se isso não for um conto de fadas nos Alpes, eu não sei o que é”, resume o guia.


