De Portinari a Burle Marx: 7 locais para conhecer grandes artistas no Brasil

Casas, ateliês, jardins e até uma antiga fábrica ajudam a revelar a vida e o processo criativo de nomes fundamentais da arte e da cultura brasileira

Ana Luiza Brant, colaboração para o Viagem & Gastronomia
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Visitar uma exposição é uma forma de conhecer um artista. Mas entrar no lugar onde ele viveu, trabalhou, recebeu amigos ou encontrou inspiração pode revelar uma dimensão completamente diferente de sua obra.

Espalhados pelo Brasil, alguns desses espaços foram preservados e hoje podem ser visitados. Há desde uma antiga fábrica de cerâmica transformada em um universo particular no Recife até uma casa modernista suspensa entre as árvores no barro do Morumbi, em São Paulo.

São lugares onde arquitetura, objetos pessoais, paisagem e memória ajudam a contar a história de quem viveu ali. A seguir, confira sete desses endereços para colocar no seu roteiro de arte pelo Brasil:

1. Oficina Francisco Brennand — Recife (PE)

A Oficina Francisco Brennand é especial porque não existe uma única sala ou obra que seja o grande destaque: é o conjunto inteiro criado pelo artista. A partir dos anos 1970, Brennand transformou uma antiga fábrica de tijolos e telhas de sua família, no Recife, em seu principal espaço de trabalho e criação.

Para quem ainda não conhece, a cerâmica está no centro de sua produção, marcada por referências à mitologia, à natureza, ao corpo humano e aos ciclos de vida e morte. Animais, ovos, pássaros e figuras humanas também aparecem repetidamente em suas obras e estão espalhados por pátios, jardins, antigos fornos, templos e salões de esculturas. Um dos destaques é o Templo Central, onde está o Ovo Primordial, uma das formas mais recorrentes em sua obra.

A oficina oferece diferentes percursos para conhecer o espaço, dos mais rápidos aos mais completos, que ajudam a entender essas referências e a história da antiga fábrica. Para quem vai ao Recife, é uma visita que vale entrar no roteiro. O lugar nos permite entender o repertório de Francisco Brennand no espaço onde ele trabalhou e criou durante décadas.

Oficina Francisco Brennand: Propriedade Santos Cosme e Damião; Rua Diogo de Vasconcelos, S/N - Várzea, Recife – PE / Tel.: (81) 2011-5466 / Funcionamento: de terça a domingo, das 9h às 17h, com entrada até às 16h / Ingressos por R$ 50 (inteira) e R$ 40 para moradores do estado / Mais informações no site.

2. Casa Niemeyer — Brasília (DF)

O mais interessante da Casa Niemeyer, em Brasília, é conhecer um Oscar Niemeyer pouco óbvio. Em uma cidade marcada por suas obras monumentais, encontramos uma residência térrea, cercada por um enorme jardim, com espelho d’água e referências à arquitetura colonial brasileira. É um visual bem diferente das grandes curvas de concreto pelas quais ficou conhecido.

Niemeyer projetou a casa para morar, mas acabou não vivendo ali como planejado, em razão do contexto da ditadura militar. O imóvel chegou a permanecer desabitado por cerca de 15 anos. Hoje, pertence à Universidade de Brasília e funciona como espaço cultural.

Casa Niemeyer: Park Way Conjunto 3 - Park Way, Brasília - DF / Tel.: (61) 3107-7931 / Funcionamento: de terça a domingo, das 9h às 19h / Entrada gratuita / Mais informações no Instagram.

3. Casa de Vidro Lina Bo Bardi — São Paulo (SP)

No meio de São Paulo, no bairro do Morumbi, cercada por muito verde, está a casa que Lina Bo Bardi projetou para viver. Suspensa sobre pilotis, ela ganhou o nome de Casa de Vidro por causa dos grandes painéis de vidro que envolvem sua área principal e fazem a vegetação praticamente entrar nos ambientes.

Lina, arquiteta ítalo-brasileira responsável por ícones como o Masp e o Sesc Pompeia, viveu ali com Pietro Maria Bardi por quatro décadas. A casa também foi ponto de encontro de artistas e intelectuais, como Alexander Calder, John Cage, Glauber Rocha e Gilberto Gil.

Hoje, é sede do Instituto Bardi e pode ser visitada. É uma boa oportunidade de entrarmos em uma obra de Lina e conhecer o lugar que ela projetou para chamar de lar.

Casa de Vidro Lina Bo Bardi: Rua General Almério de Moura, 200, Morumbi, São Paulo - SP / Tel.: (11) 3744-9902 / Funcionamento: visitas às quintas, sextas e sábados, às 10h, 11h30, 14h e 15h30 / Ingressos por R$ 58 (inteira) / Mais informações no site.

4. A Casa do Rio Vermelho — Salvador (BA)

A casa de Jorge Amado e Zélia Gattai tem tanta personalidade quanto eles. Foi ali, no bairro do Rio Vermelho, em Salvador, que os dois viveram por cerca de 40 anos.

Cheia de cores, objetos, fotografias, livros, obras de arte e lembranças trazidas de viagens, o local não carrega aquela sensação de museu formal. Você entra e consegue imaginar a vida acontecendo ali. Isso torna a visita mais especial, já que é possível conhecer a intimidade de um escritor, cuja obra é profundamente ligada à Bahia, no lugar onde ele viveu e escreveu boa parte de sua história.

a Casa do Rio Vermelho: Rua Alagoinhas, 33 - Rio Vermelho, Salvador - BA / Tel.: (71) 99626-1036 / Funcionamento: de terça a domingo, das 9h às 17h / Ingressos por R$ 20 (inteira). Gratuito às quartas / Mais informações no Instagram.

5. Museu Casa de Portinari — Brodowski (SP)

Foi nessa casa, no interior de São Paulo, que Candido Portinari viveu parte da infância e voltou muitas vezes já adulto. E o mais especial é que algumas de suas obras continuam exatamente onde foram criadas: nas próprias paredes da casa.

Um dos lugares mais marcantes é a pequena Capela da Nonna, que Portinari mandou construir para sua avó, que já não conseguia ir à igreja. Ele mesmo pintou os santos nas paredes, usando familiares e amigos como inspiração para seus rostos.

O ateliê, os móveis, objetos pessoais e materiais de pintura completam a visita.

Museu Casa de Portinari: Praça Candido Portinari, 298 - Centro, Brodowski - SP / Tel.: (16) 3664-4284 / Funcionamento: de terça a domingo, das 9h às 18h / Entrada gratuita / Mais informações no Instagram.

6. Sítio Roberto Burle Marx — Rio de Janeiro (RJ)

Burle Marx comprou essa propriedade em 1949 e viveu ali até sua morte. Mas o mais interessante é que o sítio não era apenas sua casa, mas também seu grande laboratório de paisagismo. Foi ali que cultivou plantas, testou espécies, cores, formas e combinações que depois apareceriam em muitos de seus projetos.

E a dimensão impressiona: são 405 mil m² e cerca de 3.500 espécies de plantas tropicais e subtropicais. Hoje, o conjunto é reconhecido como Patrimônio Mundial pela Unesco.

Além dos jardins, o percurso passa pela casa onde Burle Marx viveu, seu ateliê, lagos e viveiros. Há ainda um acervo com mais de 3 mil itens, entre obras, mobiliário, objetos pessoais e suas coleções de arte popular brasileira, arte sacra e peças que trouxe de diferentes lugares.

É um programa muito completo para quem gosta de arte, arquitetura, natureza e, claro, paisagismo.

Sítio Roberto Burle Marx: Estr. Roberto Burle Marx, 2019 - Barra de Guaratiba, Rio de Janeiro - RJ / Funcionamento: visitas somente agendadas, de terça a sábado (exceto feriados), das 9h30 às 13h30 / Ingressos por R$ 10 (inteira) / Mais informações no site.

7. Casa-Museu Mestre Vitalino — Caruaru (PE)

A Casa-Museu Mestre Vitalino fica no Alto do Moura, em Caruaru, e foi a casa onde Vitalino viveu nos últimos anos.

Mestre Vitalino (1909–1963) foi um dos maiores nomes da arte popular brasileira, conhecido por transformar o barro em pequenas esculturas que retratavam personagens e cenas do cotidiano do Agreste pernambucano, como retirantes, festas, casamentos, profissões e animais.

A construção é de 1959 e hoje conserva móveis, utensílios, fotografias da família, instrumentos musicais, ferramentas de trabalho e o forno onde eram feitas as queimas. O acervo é lindo e reúne cerca de 150 itens.

Casa-Museu Mestre Vitalino: Rua Mte. Vitalino, 447 - Alto do Moura, Caruaru - PE / Funcionamento: de terça a sábado, das 8h às 17h; e domingo, das 8h às 12h / Ingressos por R$ 2 / Mais informações no Instagram.

*Os textos publicados pelos Insiders e Colunistas não refletem, necessariamente, a opinião do CNN Viagem & Gastronomia.

Sobre Ana Luiza Brant

Formada em Comunicação e Audiovisual, além de ser Art Advisor e empreendedora no ramo cultural, Ana Luiza Brant atua com arte contemporânea desde 2011. Desenvolveu projetos voltados à difusão da arte e à ampliação do acesso ao universo artístico, explorando as possibilidades do ambiente digital para aproximar novos públicos e tornar a arte mais presente no cotidiano. Em 2019, fundou o Culture Kids, projeto dedicado a despertar o interesse das crianças pela arte, cultura e criatividade. A iniciativa busca ampliar o repertório das novas gerações. Seu trabalho cria pontes entre o público e o universo artístico de forma acessível, envolvente e significativa. Ana acredita na arte como uma linguagem universal, capaz de inspirar, transformar e ampliar as formas de ver e compreender o mundo e também de olhar para nós mesmos.

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