12 destinos de arte que estão mudando o jeito de viajar

De arte rupestre a observação do céu, confira uma seleção de locais no Brasil e no exterior onde a arte é protagonista

Ana Luiza Brant, colaboração para o Viagem & Gastronomia
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Alguns lugares você visita, outros você vive. E pode parecer só uma frase bonita, mas ela muda completamente a forma como escolhemos viajar, principalmente quando começamos a olhar para destinos culturais.

Durante muito tempo, a ideia de viajar estava ligada apenas a ver. Ver o ponto turístico, ver o museu, cumprir uma lista. Só que os lugares que realmente causam impacto não são esses: são aqueles que não estão necessariamente no roteiro óbvio, onde a arte não está só dentro de um prédio, organizada e silenciosa, mas espalhada, integrada, às vezes até inesperada.

Os destinos de arte que estão no radar atualmente têm tudo isso em comum. Não são lugares onde a arte está meramente exposta. São lugares onde a arte muda o jeito de estar e de se relacionar. Muitas vezes, ela muda o próprio lugar. No fim das contas, o que fica não é só o que vimos, mas o que vivemos.

Confira abaixo uma lista de 12 destinos no mundo que têm mudado a forma como apreciamos arte:

1. Serra da Capivara (Piauí)

Poucas coisas geram tanto impacto quanto esse destino, o Parque Nacional da Serra da Capivara. No interior do Piauí, o local abriga um dos maiores conjuntos de arte rupestre do mundo.

Mas, mais do que "antigo", o que impressiona é o que está desenhado ali. Não são só animais ou símbolos isolados, são cenas. Gente dançando, caçando, em grupo, em movimento. Narrativas inteiras registradas nas paredes de pedra há milhares de anos.

E aí vem uma das partes mais interessantes: as pinturas foram feitas por povos pré-históricos que habitaram a região há milhares de anos, sendo que algumas estimativas falam em mais de 12 mil anos. Ou seja, muito antes de qualquer ideia de "arte" como a gente conhece hoje.

Os pigmentos também chamam a atenção. Naturais, eram feitos principalmente de óxidos de ferro, responsáveis pelos tons avermelhados, além de carvão e minerais misturados com água, gordura animal ou resinas para aderir à pedra, o que ajudou as pinturas a resistirem de forma impressionante à ação do tempo.

Aqui a experiência é diferente dos outros destinos: é exigente, com calor, deslocamento e alguma preparação. Talvez seja justamente isso que torna tudo mais marcante. É um daqueles lugares que colocam o Brasil no mapa da história da arte e que pouca gente conhece.

Parque Nacional da Serra da Capivara: todas as informações sobre endereço, visita e horários está disponível no site / Entrada gratuita.

2. Oficina Francisco Brennand (Recife, PE)

A Oficina Brennand fica no Recife (PE), dentro de uma antiga fábrica de cerâmica cercada por Mata Atlântica. Criada por Francisco Brennand, a oficina é ao mesmo tempo ateliê e museu. Ele passou décadas construindo esse espaço como um universo autoral, cheio de símbolos, narrativas e obsessões, principalmente ligadas à vida, à origem e à sexualidade.

O que encontramos não são "obras isoladas", mas um percurso: esculturas monumentais de cerâmica, torres, ovos, serpentes, figuras híbridas. Tudo espalhado por pátios, galerias e espaços abertos. É uma das experiências imersivas de arte mais inesquecíveis no Brasil.

Dá pra ir com crianças? Sim, e funciona surpreendentemente bem, já que o espaço é aberto, grande e cheio de caminhos. Muitas formas das obras são quase lúdicas. Existem visitas guiadas que ajudam a traduzir esse universo (inclusive para famílias), o que faz bastante diferença no engajamento.

Oficina Francisco Brennand: Propriedade Santos Cosme e Damião; Rua Diogo de Vasconcelos, S/N - Várzea, Recife – PE / Tel.: (81) 2011-5466 / Funcionamento: terça a domingo, das 9h às 17h, com entrada até às 16h / Ingressos por R$ 50 (inteira) e R$ 40 para moradores do estado / Mais informações no site.

3. Escultura gigante de Thomas Dambo (Breckenridge, Estados Unidos)

O artista Thomas Dambo criou um tipo de experiência em que a obra vira o próprio destino. Em vez de colocar suas esculturas em museus, ele espalha "trolls" gigantes feitos de madeira reciclada por florestas, parques e trilhas ao redor do mundo. E parte da experiência é exatamente essa: procurar.

Existe um mapa para encontrar esses trolls. Encontrá-los exige caminhar, explorar e descobrir. Não é simplesmente chegar e ver. Nas redondezas de Denver, o troll mais famoso fica a cerca de 1h30 da cidade, em Breckenridge. O nome dele é Isak Heartstone, uma escultura monumental escondida na floresta, acessada por uma trilha simples, que já virou um ponto de visita por si só.

Isak Heartstone: Trollstigen Trail - início da trilha no canto sudeste do estacionamento da Stephen C. West Ice Arena, ao lado do início da trilha Illinois Gulch - Breckenridge, Colorado, Estados Unidos / Funcionamento: todos os dias, 24h / Mais informações no site.

4. Skyspace Ta Khut (José Ignácio, Uruguai)

Essa é uma das raras obras de James Turrell na América Latina, o que, por si só, torna a visita especial. Fica perto de Garzón, em uma paisagem rural inesperada, formando um contraste que a torna interessante. A proposta é simples: parar para olhar o céu.

A instalação acontece dentro de um espaço circular completamente minimalista. Você entra, senta e espera. A luz vai mudando ao longo do dia, especialmente no pôr do sol, e transforma totalmente a percepção do que você está vendo.

Não tem narrativa, não tem explicação longa, não tem "obra" no sentido tradicional. É uma experiência silenciosa, que depende do tempo e exige presença.

É possível visitar com crianças? Sim, mas a experiência não gira em torno de correr ou explorar, e sim de silêncio, contemplação e espera. Por isso, costuma funcionar melhor com crianças que já conseguem acompanhar esse ritmo.

Skyspace Ta Khut: Posada Ayana; Paseo del Marinero, 20402 - José Ignacio, Uruguai / Funcionamento: reabrirá no final  de outubro de 2026 / Mais informações no site.

5. Hakone (Japão)

Hakone entra como um respiro no meio de um roteiro urbano no Japão. Fica a cerca de 1h30 de Tóquio e é muito fácil de encaixar na programação, sendo que o trajeto de trem já faz parte da experiência.

A localidade abriga o Hakone Open-Air Museum, onde a arte não fica contida na parede, mas se espalha pela paisagem, nos convidando a entrar na obra.

A instalação da artista visual japonesa Toshiko MacAdam, por exemplo, é uma grande rede tridimensional que convida à interação: as crianças entram, brincam, exploram, descobrem. Já a torre de vitrais do francês Gabriel Loire cria uma experiência imersiva em que a luz muda o tempo todo e transforma a percepção do espaço enquanto subimos a escadaria.

Funciona muito bem com crianças, mas prende o adulto também, porque a experiência acontece na prática. O museu conta com um restaurante e uma lojinha que vale a parada, com peças de design bem pensadas e diferentes do óbvio.

Hakone Open-Air Museum: Ninotaira 1121, Hakone-machi, Ashigarashimo-gun, Kanagawa Prefecture 250-0493 / Funcionamento: todos os dias, das 9h às 17h, aberto 365 dias no ano / Ingressos: 1.800 ienes japoneses (cerca de R$ 56) por adulto no site; 2.000 ienes (R$ 62) na bilheteria / Mais informações no site.

6. Storm King Art Center (Hudson Valley, EUA)

O Storm King Art Center é um parque de esculturas a céu aberto no Hudson Valley, a cerca de 1h30 de Nova York, onde obras monumentais ocupam uma paisagem extensa.

A visita acontece no próprio deslocamento, sem roteiro fixo, entre colinas e campos. Destaque para as esculturas de Mark di Suvero e de Alexander Calder. O local também é lar do "Wavefield", de Maya Lin, composto por sete fileiras de ondas de terra e grama. É a maior instalação de arte site-specific criada pela artista.

Storm King Art Center: 1 Museum Rd, New Windsor, NY 12553, Estados Unidos / Funcionamento: quarta a segunda-feira, das 10h às 18h; fechado às terças / Ingressos: US$ 25 (cerca de R$ 123) por adulto / Mais informações no site.

7. Dia Beacon (Beacon, EUA)

A visita ao Storm King Art Center pode ser combinada com o Dia Beacon, entre 20 e 30 minutos dali, além da cidade de Beacon, que funciona como uma ótima parada entre os dois passeios, com cafés, restaurantes e clima acolhedor.

Instalado em uma antiga fábrica, o Dia Beacon tem espaços amplos, luz natural muito bem controlada e um ritmo completamente diferente de visita. É um museu para ver menos e ver melhor. Dois destaques ali são a instalação de luz de Dan Flavin, que ocupa salas inteiras e muda a percepção do espaço, e as obras de Richard Serra, com estruturas de aço monumentais que podem ser atravessadas.

Dia Beacon: 3 Beekman Street, Beacon, Nova York 12508, Estados Unidos / Funcionamento: sexta-feira a domingo, das 10h às 17h / Ingressos: US$ 25 (cerca de R$ 123) por adulto / Mais informações no site.

8. Jardín de Cactus (ilha Lanzarote, Espanha)

Trata-se de um jardim com mais de quatro mil cactos organizado como uma grande instalação a céu aberto. O espaço foi construído em uma antiga pedreira, ou seja, um lugar explorado que virou paisagem artística.

Mas não é um jardim comum: é uma composição de formas, repetição e silêncio, quase como caminhar dentro de uma obra minimalista. Parece outro planeta.

Com projeto do artista César Manrique, o jardim fica em Lanzarote, nas Ilhas Canárias, na Espanha, uma ilha vulcânica com paisagens quase irreais.

Jardín de Cactus: Av. Garafía, 35544 Guatiza, Las Palmas, Espanha / Funcionamento: todos os dias, das 10h às 17h (última entrada às 16h30); aberto 365 dias no ano / Ingressos: 9 euros (cerca de R$ 52) para adultos / Mais informações no site.

9. Château La Coste (Provença, França)

O Château La Coste é um vinhedo próximo de Aix-en-Provence que abriga uma coleção permanente de arte contemporânea e pavilhões de arquitetura assinados por alguns dos principais nomes da arte. A visita acontece em um percurso ao ar livre entre as vinhas, onde as obras vão surgindo no caminho, sem roteiro rígido.

Dois destaques que chamam a atenção logo de cara são a aranha gigante de Louise Bourgeois e as esculturas em movimento de Alexander Calder. São duas obras muito diferentes, mas que funcionam muito bem nesse diálogo entre arte e natureza.

A experiência fica completa com a gastronomia no próprio local, com destaque para o restaurante com estrela Michelin Hélène Darroze at Villa La Coste, além de opções mais casuais que funcionam com toda a família.

Château La Coste: 2750 Route de la Cride, 13610 Le Puy-Sainte-Réparade, França / Funcionamento: todos os dias, das 10h às 18h / Ingressos: visitas guiadas entre 15 e 25 euros (R$ 87 e R$ 144); devem ser reservadas com antecedência / Mais informações no site.

10. Las Pozas (Xilitla, México)

O Las Pozas é um jardim surrealista criado por Edward James no meio da selva. Não é um sítio arqueológico, mas um projeto artístico com estruturas de concreto. Há escadas, portas e colunas que não levam a lugar nenhum, pensadas para serem exploradas.

O acesso exige planejamento, já que fica distante cerca de seis a sete horas da Cidade do México e exige caminhada no local. Isso faz da visita uma escolha em si. É um destino para os mais aventureiros.

Funciona bem com crianças maiores, especialmente pelo caráter de descoberta, mas pede atenção por conta do terreno irregular, úmido e da própria dinâmica da visita.

Las Pozas: Camino Paseo Las Pozas s/n, Barrio La Conchita, 79902 Xilitla, S.L., México / Funcionamento: quarta a segunda-feira, das 9h às 18h; fechado às terças / Ingressos: 150 pesos mexicanos (cerca de R$ 43) para adultos, com antecedência; preços diferem na bilheteria / Mais informações no site.

11. Inhotim (Brumadinho, MG)

O Instituto Inhotim está entre os destinos de arte mais cobiçados do mundo. Então, se você ainda não visitou, com ou sem crianças, é um "must go". Por quê? Porque é brasileiro, porque tem um acervo inacreditável de arte contemporânea e porque mistura arte, arquitetura e natureza de um jeito que poucos lugares conseguem.

É um jardim botânico, parque e galeria de arte a céu aberto. Você anda, pega o carrinho, entra em pavilhões e descobre obras no meio do caminho. O ritmo da visita muda completamente. As obras não estão concentradas, elas fazem parte do percurso. Há trabalhos imersivos, escalas monumentais, artistas brasileiros e internacionais e uma curadoria que faz tudo conversar com a paisagem.

Talvez seja um dos lugares mais fáceis de engajar crianças na arte, justamente porque não parece um museu. Tem espaço, tem deslocamento, tem descoberta. Mas vale destacar um ponto: é grande, então exige planejamento para escolher as rotas, fazer pausas e não tentar ver tudo de uma vez.

Instituto Inhotim: Rua B, nº 20 – Fazenda Inhotim Brumadinho – MG / Funcionamento: quarta a sexta-feira, das 9h30 às 16h30; sábados, domingos e feriados, das 9h30 às 17h30 / Nos meses de janeiro e julho, o Inhotim funciona às terças-feiras, das 9h30 às 16h30 / Ingressos: R$ 65 (inteira) por adulto, para um dia / Mais informações no site.

12. Il Giardino dei Tarocchi (Capalbio, Itália)

É um parque artístico criado pela artista francesa Niki de Saint Phalle a partir das cartas de tarô, com esculturas monumentais revestidas de mosaicos, espelhos e cores muito intensas. Fica no sul da Itália, entre 1h30 e 2h de carro de Roma, e funciona muito bem dentro de um roteiro pela região.

O grande destaque é "A Imperatriz", uma escultura habitável onde a própria artista chegou a viver.

O parque foi construído ao longo de mais de 20 anos, quase como uma obra de vida inteira. Não é um lugar para “ver rápido”. É para circular, entrar nas obras, observar os detalhes e entender esse universo pouco a pouco. Funciona muito bem com crianças justamente por isso: é visual, direto, envolvente e fora do padrão de um museu tradicional.

Il Giardino dei Tarocchi: Località Garavicchio 58011 Capalbio (GR) – Itália / Funcionamento: de 1º de abril a 15 de outubro, todos os dias, das 14h30 às 19h30; última entrada às 18h15 / Ingressos: 15 euros (cerca de R$ 87) a inteira / Mais informações no site.

*Os textos publicados pelos Insiders e Colunistas não refletem, necessariamente, a opinião do CNN Viagem & Gastronomia.

Sobre Ana Luiza Brant

Formada em Comunicação e Audiovisual, além de ser Art Advisor e empreendedora no ramo cultural, Ana Luiza Brant atua com arte contemporânea desde 2011. Desenvolveu projetos voltados à difusão da arte e à ampliação do acesso ao universo artístico, explorando as possibilidades do ambiente digital para aproximar novos públicos e tornar a arte mais presente no cotidiano. Em 2019, fundou o Culture Kids, projeto dedicado a despertar o interesse das crianças pela arte, cultura e criatividade. A iniciativa busca ampliar o repertório das novas gerações. Seu trabalho cria pontes entre o público e o universo artístico de forma acessível, envolvente e significativa. Ana acredita na arte como uma linguagem universal, capaz de inspirar, transformar e ampliar as formas de ver e compreender o mundo e também de olhar para nós mesmos.

 

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